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Agência Correio
Helena Merencio
Publicado em 23 de março de 2026 às 11:00
Pesquisadores estão testando uma abordagem inédita capaz de alterar o DNA diretamente no organismo, sem necessidade de manipulação em laboratório de células. A técnica, chamada CRISPR “in vivo”, mostrou resultados promissores em estudos recentes. >
Um levantamento publicado no New England Journal of Medicine em 2025 registrou redução de cerca de 50% do colesterol LDL em pacientes com formas hereditárias resistentes a tratamento convencional. >
Além disso, os níveis de triglicerídeos caíram significativamente e permaneceram estáveis por semanas, demonstrando que uma única aplicação pode produzir efeitos prolongados.>
Remédios
Ao contrário dos métodos tradicionais, que dependem de coleta, manipulação e reinfusão de células, a edição “in vivo” atua por infusão intravenosa. >
A medicação circula pelo sangue até localizar o gene defeituoso, permitindo sua correção dentro do próprio corpo; esse procedimento simplifica a intervenção e abre caminho para tratamentos potencialmente duradouros e menos invasivos.>
O primeiro alvo clínico dessa tecnologia é a hipercolesterolemia hereditária, uma espécie de condição genética que mantém o colesterol alto e frequentemente não responde a medicamentos. >
O CRISPR-Cas9 funciona como uma ferramenta molecular guiada que identifica sequências específicas de DNA e realiza alterações precisas. >
Uma molécula guia direciona o sistema até a mutação genética, possibilitando a correção no próprio organismo e reduzindo o risco de alterações indesejadas.>
Na versão “in vivo”, o diferencial está no transporte: pequenas partículas levam o material até órgãos-alvo, como o fígado, onde ocorre a edição genética. >
Dessa forma, não é necessário remover células do paciente, e o procedimento se torna mais direto e eficiente.>
Esses ensaios clínicos confirmam o potencial da técnica, uma vez que o estudo do New England Journal of Medicine de 2025 mostrou que pacientes apresentaram queda significativa do colesterol LDL, isso é, o colesterol “ruim”, e redução duradoura dos triglicerídeos após uma única aplicação. >
Pesquisas pré-clínicas publicadas na Nature Medicine em 2023 apontaram resultados semelhantes em modelos experimentais, com diminuição de lipídios no sangue por meio de alterações em genes ligados ao metabolismo da gordura. >
Esses dados reforçam a perspectiva de que a edição genética “in vivo” pode se tornar uma terapia definitiva, substituindo tratamentos contínuos por intervenções únicas.>
Especialistas alertam para riscos ainda não resolvidos. A principal preocupação envolve edições fora do alvo, fenômeno conhecido como “off-target”. >
Além disso, os efeitos permanentes no DNA exigem monitoramento cuidadoso a longo prazo, já que qualquer erro pode ter consequências duradouras.>
Apesar dessas limitações, o potencial da técnica é significativo. Se os resultados se confirmarem em estudos maiores, a edição genética “in vivo” poderá transformar a abordagem de doenças hereditárias, oferecendo soluções únicas, possivelmente definitivas, em substituição a tratamentos contínuos.>