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Estudo descobre que chocolate amargo com chá pode reduzir problema de saúde comum na vida adulta

Análise científica sugere que incluir alimentos ricos em flavanóis na rotina pode contribuir para a redução da pressão arterial e para a proteção do coração

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  • Foto do(a) author(a) Henrique Moraes
  • Agência Correio

  • Henrique Moraes

Publicado em 10 de março de 2026 às 11:00

Chocolate amargo com alto teor de cacau está entre os alimentos associados à melhora da pressão arterial em estudo internacional
Chocolate amargo com alto teor de cacau está entre os alimentos associados à melhora da pressão arterial em estudo internacional Crédito: Pexels

Uma pesquisa internacional publicada na revista científica European Journal of Preventive Cardiology indica que alimentos como chocolate amargo, maçã, uva e chá verde ou preto podem contribuir para a redução da pressão arterial.

O estudo destaca que esses alimentos são ricos em flavanóis, compostos naturais associados à melhora da saúde dos vasos sanguíneos. A partir dessa característica, os pesquisadores buscaram entender como essas substâncias atuam no organismo e quais efeitos podem ter sobre o sistema cardiovascular.

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A análise reuniu 145 ensaios clínicos com mais de 5 mil participantes. Os resultados indicaram que, em pessoas com hipertensão, o consumo diário desses alimentos foi associado à redução média de até 6 mmHg na pressão sistólica e cerca de 3 mmHg na pressão diastólica.

Segundo os autores, os valores observados são semelhantes aos obtidos com alguns medicamentos utilizados no tratamento da pressão alta.

Foco em alimentos presentes no dia a dia

Ao contrário de muitas pesquisas que analisam suplementos ou compostos isolados, esta revisão científica concentrou-se em alimentos comuns na alimentação cotidiana.

Com base nos dados avaliados, os pesquisadores indicaram quantidades médias que podem estar associadas aos efeitos benéficos:


  • Chocolate amargo (75% de cacau): cerca de 56 g por dia, equivalente a uma barra pequena;
  • Chá verde ou preto: aproximadamente 700 ml diários, o que corresponde a cerca de três xícaras;
  • Maçãs: duas unidades médias por dia;
  • Uvas: a quantidade pode variar conforme a variedade da fruta e a forma de consumo.

Além da pressão arterial, o estudo também observou melhora na função vascular. Esse indicador é medido por testes que avaliam a capacidade das artérias de se dilatarem adequadamente.

Em média, a dilatação mediada por fluxo aumentou cerca de 2%. Segundo os autores, cada aumento de 1% nesse índice pode representar uma redução aproximada de 10% no risco de doenças cardiovasculares.

Alimentos integrais podem ter efeito superior aos suplementos

Outro ponto analisado foi a comparação entre o consumo de alimentos naturais e o uso de compostos isolados. Substâncias como a epicatequina, presente no cacau, e o EGCG, encontrado no chá verde, apresentaram efeitos menores quando consumidas separadamente.

Para os pesquisadores, isso sugere que a combinação natural de nutrientes presentes nos alimentos integrais pode potencializar os benefícios para a saúde cardiovascular.

O estudo também avaliou possíveis efeitos adversos. Apenas 0,4% dos participantes relataram algum tipo de efeito colateral, geralmente leve. Em comparação, alguns medicamentos convencionais podem apresentar taxas mais elevadas de reações adversas.

Benefícios mais evidentes em pessoas com pressão alta

Os resultados mais expressivos foram observados entre participantes com hipertensão. Em indivíduos com pressão arterial considerada normal, as alterações registradas foram pequenas.

De acordo com os pesquisadores, esse padrão é semelhante ao observado em tratamentos farmacológicos para hipertensão, que tendem a produzir efeitos mais perceptíveis quando os níveis de pressão estão elevados.

Por outro lado, o estudo apontou que pessoas com diabetes não apresentaram resultados tão consistentes quanto os demais participantes, indicando que podem ser necessárias estratégias específicas para esse grupo.

Alimentação pode complementar cuidados com o coração

Para Christian Heiss, professor da Universidade de Surrey e principal autor do estudo, a inclusão desses alimentos na rotina pode fazer parte de um estilo de vida voltado à saúde cardiovascular.

Segundo ele, embora a estratégia não substitua medicamentos ou acompanhamento médico, a ingestão regular de alimentos ricos em flavanóis pode funcionar como um complemento aos cuidados com o coração.

Os resultados também dialogam com pesquisas anteriores, como o estudo COSMOS, divulgado em 2022. Na investigação, suplementos de flavanóis derivados do cacau foram associados a uma redução de 27% na mortalidade cardiovascular entre mais de 21 mil participantes.

Tags:

Saúde