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Luiz Dias
Agência Correio
Publicado em 22 de maio de 2026 às 13:00
Uma planta que não era registrada desde 1967 voltou ao radar da ciência por um fator completamente inesperado: uma foto na internet. A espécie Ptilotus senarius foi redescoberta em Queensland, na Austrália, por meio da plataforma iNaturalist. >
O registro foi feito fora de qualquer expedição científica ou missão de catálogo, mas ainda assim foi essencial para encontrar essa espécie. Esse novo achado revela uma nova frente de pesquisa para a comunidade de cientistas mundial, pois quantas informações valiosas não podem estar em algum banco de dados na internet, ocultas entre trilhões de outros dados?>
Espécies desextintas recentemente
A Ptilotus senarius era conhecida por poucos registros antigos. Depois de quase seis décadas sem novos registros, a espécie era tratada como presumivelmente extinta na natureza.>
A virada aconteceu quando o horticultor e anilhador de aves Aaron Bean fotografou uma planta incomum em uma propriedade privada no norte de Queensland. Ao recuperar seu sinal de telefone, ele publicou as imagens no iNaturalist.>
As fotos chegaram ao botânico Anthony Bean, do Herbário de Queensland, que reconheceu os sinais da espécie. Depois disso, um novo exemplar foi coletado no local para confirmar a identificação.>
Thomas Mesaglio
pesquisador da Universidade de New South Wales em estudo publicado no Australian Journal of BotanyA Ptilotus senarius é um pequeno arbusto da família Amaranthaceae. A planta tem flores em tons de rosa e roxo, com aparência delicada, o que ajuda na identificação quando há imagens de boa qualidade.>
Mesmo assim, plantas discretas costumam ser menos notadas do que árvores grandes ou flores muito chamativas. Esse “apagão visual” pode fazer espécies raras desaparecerem dos bancos de dados antes de sumirem da natureza.>
Um estudo publicado na revista BioScience analisou o uso do iNaturalist em pesquisas sobre biodiversidade. O trabalho apontou que o uso da plataforma em estudos revisados por pares cresceu dez vezes nos últimos cinco anos.>
Os dados do iNaturalist já apareceram em pesquisas envolvendo 128 países e 638 famílias de seres vivos. Ou seja, a ferramenta já entrou no radar da comunidade científica para ser utilizada como base de dados.>
O iNaturalist funciona como uma rede social de observação da natureza. A pessoa fotografa ou grava algo e publica o registro com data e localização. Esse registro é chamado de “observação”, a unidade básica da plataforma.>
Depois, o próprio sistema sugere uma identificação com ajuda de visão computacional. Em seguida, outros usuários, incluindo especialistas, podem confirmar, corrigir ou refinar o nome da espécie. >