Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Fernanda Varela
Publicado em 14 de maio de 2026 às 12:16
Grande parte das preocupações que ocupam a mente diariamente nunca chega a acontecer de verdade. Mesmo assim, elas provocam ansiedade, tiram o sono e desgastam emocionalmente. A frase atribuída a Sêneca atravessou séculos justamente porque descreve um comportamento que continua extremamente presente na vida moderna.>
O filósofo romano foi um dos principais nomes do estoicismo, corrente filosófica que defendia equilíbrio emocional e racionalidade diante das dificuldades da vida. Em muitos de seus escritos, Sêneca falava sobre o hábito humano de sofrer antecipadamente por situações imaginadas.>
Ansiedade, celular e exaustão: a geração que sonha em desaparecer por alguns dias
A ideia central da reflexão é que a mente frequentemente cria cenários piores do que a própria realidade. Antes de uma conversa difícil, uma mudança importante ou um problema no trabalho, muitas pessoas passam horas imaginando consequências negativas que talvez nunca aconteçam.>
Na prática, isso aparece em situações comuns do cotidiano. O medo exagerado de decepcionar alguém, a ansiedade antes de responder uma mensagem, a preocupação constante com o futuro financeiro ou a sensação de que algo ruim está prestes a acontecer mesmo sem motivo concreto.>
A reflexão também conversa diretamente com o excesso de estímulos da vida atual. Em meio a notícias, redes sociais e pressão por produtividade, a mente permanece acelerada o tempo inteiro, criando preocupações contínuas e dificuldade de descansar emocionalmente.>
Especialistas em comportamento frequentemente relacionam pensamentos estoicos à importância de separar fatos reais de interpretações imaginadas. Isso não significa ignorar problemas, mas perceber quando o sofrimento está sendo ampliado pela própria mente.>
O pensamento atribuído a Sêneca continua atual porque transforma uma percepção antiga em algo fácil de reconhecer no presente: muitas vezes, o maior desgaste não vem da realidade em si, mas das histórias que a mente cria antes mesmo de as coisas acontecerem.>