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Guitarrista revela o real motivo por trás do término do Sepultura

Andreas Kisser explica que a decisão de fechar o ciclo da maior banda de metal do Brasil busca novas perspectivas após a "professora" morte bater à sua porta; confira os detalhes da entrevista no Flow Podcast

  • Foto do(a) author(a) Flavia Azevedo
  • Flavia Azevedo

Publicado em 10 de abril de 2026 às 05:00

A banda Sepultura fará uma turnê de despedida em 2024
A banda Sepultura  Crédito: Bob Wolfenson/Divulgação)

O mundo do rock foi sacudido recentemente com o anúncio da turnê de despedida do Sepultura. Em uma conversa profunda e reveladora no Flow Podcast, conduzida pelo host Igor, o lendário guitarrista Andreas Kisser abriu o jogo sobre o que motivou o "basta" na trajetória da banda que levou o nome do Brasil para mais de 80 países. O motivo, longe de ser um clichê de brigas de ego, envolve um mergulho existencial na finitude humana e a necessidade de enxergar a vida fora da "ilha" que a banda se tornou ao longo de quatro décadas.

Greyson Nekrutman, do Sepultura, será baterista do Trivium por Divulgação

"Ilha Sepultura"

Andreas Kisser, que ingressou na banda em 1987, explicou que a decisão de parar não foi um impulso, mas uma necessidade de fechar um ciclo de forma consciente. "Foi uma decisão de dar um basta, parar um pouco, fechar um ciclo e sair um pouco da 'ilha Sepultura' para ver as coisas de longe", revelou o músico.

Após 42 anos de história, a banda sentiu que era o momento de observar o mundo sob uma outra perspectiva, sem as obrigações e a rotina massacrante de turnês mundiais que definiram a vida de seus integrantes por tanto tempo. Andreas utiliza a metáfora da ilha para descrever como o sucesso e a dedicação total ao grupo podem, por vezes, isolar o artista da realidade comum e de novas possibilidades criativas e pessoais.

A morte como professora

A seriedade da decisão ganha camadas mais profundas quando Andreas discute sua experiência pessoal com a perda de sua esposa, Patrícia, em 2022. Ele descreve a finitude como sua "maior professora", alguém que o ensinou a viver o presente com uma intensidade que a rotina do rock muitas vezes mascara.

Essa perda transformou sua visão sobre a vida e a carreira. Estar sóbrio há quatro anos — decisão tomada pouco antes da pandemia e do diagnóstico de câncer de Patrícia — permitiu que ele enfrentasse o luto e o fim da banda com uma clareza que o álcool jamais permitiria. "Se eu tivesse o álcool como possibilidade em momentos tão frágeis... eu não sei o que teria acontecido", confessou.

Brasilidade, Samba e Heavy Metal

Apesar do tom de despedida, a entrevista também celebrou o legado único do Sepultura. Andreas relembrou como a banda quebrou o "nacionalismo burro" ao misturar o thrash metal radical com influências de peso da música brasileira, como Carlinhos Brown, Chico Science e até o misticismo dos índios Xavante.

Com bom humor, ele desmitificou lendas urbanas, como a famosa versão de "Roots Bloody Roots" que muitos juravam ser cantada por Luciano Pavarotti — na verdade, uma sátira da banda alemã JBO. Andreas defendeu que o metal é parte integrante da cultura brasileira, tanto quanto o samba ou a MPB, e lamentou que instituições como o "Criança Esperança" ainda ignorem essa "nação metal" que é tão fiel e organizada.

O futuro

O fim do Sepultura não significa o fim de Andreas Kisser. Além de novos projetos musicais, o guitarrista tem se dedicado ao movimento "Eu Decido", que luta pela legalização da morte assistida no Brasil, motivado pela agonia enfrentada por sua esposa nos momentos finais.

O conteúdo desta matéria foi extraído do vídeo "ANDREAS KISSER - Flow #585", publicado no canal Flow Podcast.