Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Maria Raquel Brito
Publicado em 15 de abril de 2026 às 22:09
A Bonocô parou, a Vasco da Gama também. Quem precisou passar pela região da Arena Fonte Nova nesta quarta-feira (15) se deparou com um engarrafamento daqueles. O motivo não era nenhum jogo de futebol, como de costume. O espetáculo foi outro: os uniformes deram lugar às camisetas pretas e bandanas para o esperado show do Guns N’ Roses em Salvador. >
Foi a primeira vez da banda estadunidense na Bahia, e cada ano de aguardo por parte dos fãs valeu a pena. O grupo trouxe para Salvador alguns dos maiores sucessos do rock com a turnê Because What You Want & What You Get Are Two Completely Different Things.>
Show do Guns N' Roses em Salvador
Natural de Bonito, na Chapada Diamantina, Tayrane Costa, 27, veio para Salvador só para assistir ao show e logo garantiu seu lugar na grade ao lado do namorado, Thiago. Para ela, essa é uma apresentação cheia de significados: conheceu o Guns ainda na infância, através do pai, e uma de suas primeiras memórias com a banda é ouvir Don’t Cry e, ironicamente, chorar copiosamente. >
“De lá pra cá, foi amor. E tem a história de amor com Thiago também. A gente estava um tempo afastados e ele me mandou Sweet Child O' Mine. Voltamos a nos falar e estamos juntos até hoje. Antes eu falava ‘nossa, todo mundo só escuta essa’, mas agora eu amo”, brincou.>
Mãe e filha, Iana Nunes, 51, e Iana Sophia, 18, deixaram o carro no Shopping Bela Vista pouco antes das 15h. O plano, seguido também por muitos outros fãs que percorriam o centro comercial com suas camisas estampadas com o nome do grupo, foi estacionar lá e seguir de metrô até a Fonte Nova, com tranquilidade. >
Com uma bandana à la Axl Rose na cabeça, Iana estava radiante por compartilhar esse momento com a filha, que, por sua vez, usava chapéu e camisa de Slash. Poder assistir a um show da banda era um sonho adolescente dela, mas não conseguiu realizar antes porque não tinha condições de viajar. >
“Eu tenho vários dias sem conseguir dormir direito. Já disse a ela que vou chorar pra caramba, porque é a minha adolescência. Desde meus 14 ou 15 anos eu gosto deles. Guns é uma das minhas bandas preferidas. Eu não estou aguentando de tanta emoção”, disse Iana.>
Já a filha, que toca instrumentos de corda no Neojiba, vê o show como uma oportunidade de mostrar que o rock é para todas as idades. “É importante a gente mostrar que os jovens também curtem rock. É um estilo que eu gosto muito de escutar e de tocar também”, afirmou a fã de Slash.>
E enquanto os fãs esperavam o início do show, parecia que Axl Rose estava junto com eles. Quase isso: de peruca loira e bandana vermelha, no estilo do vocalista em outros tempos, o bancário Milnei Dias, 46, atraía olhares enquanto aguardava a apresentação da sua banda favorita. >
“Fiz essa fantasia para o show do Guns no Rock in Rio em 2017. O pessoal curtiu, os amigos se acabaram de rir e virou tradição. Todo show que tem do Guns eu vou fantasiado. Esse vai ser o terceiro”, contou Milnei, que é fã da banda desde os 11 anos. Agora, pela primeira vez, é a banda que vem até ele e não o oposto. A proximidade fez com que ele pudesse fazer dessa ocasião o primeiro show de rock que seu filho, de seis anos, assistiu. >
O comerciante Rosivan Alves, de 58 anos, era só emoção desde que acordou nesta quarta-feira. Contou os minutos para o show e trabalhou pensando na hora de ir para a Fonte Nova. Não era para menos. Foi, afinal, a realização de um sonho antigo. “Eu vou entrar na Fonte hoje com 60 anos e sair com 25. É um presente dos deuses participar de um show de Guns N' Roses. A minha história de adolescente vai ser cumprida agora, na minha velhice. Vai ser o ápice da minha vida”, disse.>
A programação musical começou às 18h40, com show da banda Raimundos, que fez o aquecimento da noite com sucessos como Esporrei na Manivela, I Saw You Saying e Mulher de Fases. E o vocalista Digão garantiu que o rock está mais vivo que nunca: “Quem diz que o rock morreu, vai se fuder, mermão”. >
A noite parecia ter sido feita sob medida para o funcionário público Paulo Henrique Santana, de 39 anos. Fã de carteirinha do Raimundos e vestindo uma camisa da banda brasileira, ele relembrou a euforia ao descobrir que suas duas bandas de infância tocariam no mesmo palco. “Minha primeira paixão foi Raimundos. Ter esse show aqui é entrar para a história em sua própria cidade. É algo raro, normalmente essas bandas de fora quando vêm fazem Rio, São Paulo, Curitiba e olhe lá”, disse. >
Pouco depois das 20h, começou o espetáculo pelo qual os fãs tanto esperaram. Com Welcome to the Jungle, o Guns N’ Roses assumiu o palco da Fonte Nova e levou os fãs à loucura. Ao longo de quase três horas, o público cantou a plenos pulmões clássicos que marcaram gerações, como Sweet Child O’ Mine, Paradise City e November Rain. >
“Que noite linda, e que lugar lindo vocês têm aqui”, declarou Axl Rose, depois de arriscar um “boa noite” e um “obrigado” em português. “Falo sério quando digo que nós estamos muito felizes e agradecidos por estarmos aqui”, adicionou o cantor, depois de cantar It’s So Easy. >
A turnê mundial do Guns N’ Roses em 2026 começou com uma notícia inesperada: a tecladista Melissa Reese, primeira mulher a integrar a banda oficialmente, não veio ao Brasil, por motivos pessoais imprevistos. Com isso, Dizzy Reed assumiu a responsabilidade total no instrumento. No restante, o time segue firme: Axl Rose nos vocais, Slash e Richard Fortus nas guitarras, Duff McKagan no baixo e Isaac Carpenter na bateria.>
A banda já havia trazido a turnê Because What You Want & What You Get Are Two Completely Different Things ao país, em 2025, quando se apresentou em cinco cidades. Nesta nova etapa, para a alegria dos fãs, a rota foi ampliada para nove cidades. >
Além de Salvador, em abril de 2026, o Guns passou por São Paulo (onde foi headliner do festival Monsters of Rock), Porto Alegre, São José do Rio Preto, Campo Grande e Cariacica. Depois da capital baiana, a turnê passa ainda por Fortaleza, São Luís e Belém.>