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Felipe Sena
Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 17:01
A influenciadora digital Bielle Elizabeth, conhecida por produzir conteúdo de entretenimento sobre Salvador e outros assuntos nas redes sociais, veio através do seu perfil no Instagram para denunciar um caso de discrminação que ela e amigos sofreram em um restaurante no Rio Vermelho, no dia da celebração de Iemanjá, nesta segunda-feira (2). >
De acordo com relato de Bielle, em todo o momento que estava no estabelecimento não foi tratada bem pela dona do estabelecimento, que chegou a cuspir catarro no copo em que bebia refrigerante, além de ter sofrido ameaça de agressão do filho da empreendedora e cozinheira Miriam Cafezeiro.>
Bielle Elizabeth
“Estávamos aqui consumindo, terminando de comer e aí eles começaram a reprimir a gente de todas as formas, inclusive jogaram catarro no [copo]”, disse Bielle. A influenciadora explicou que chegou ao restaurante por volta das 13h30, quando ela e os amigos terminaram de jogar flores para a orixá. Em seguida, decidiram procurar algum restaurante para comer, quando encontraram o Casa de Miriam, localizado na rua Fonte do Boi, onde escolheram uma mesa para quatro pessoas.>
Bielle explicou que enquanto comia com os amigos no estabelecimento, a dona parecia incomodada, e dizia várias piadas como: ‘vai pedir a conta que horas? Vai acabar quando? Não quero esse tipo de gente aqui”. “O que era esse tipo de gente? Um viado, uma gorda e uma velha sentados no restaurante dela, tendo em vista que as outras pessoas que estavam no restaurante dela eram pessoas brancas”, disse Bielle.>
Logo em seguida, a dona do restaurante teria começado a recolher os pratos e copos enquanto ainda consumiam no estabelecimento. Neste momento, a influenciadora explicou que bebia refrigerante, por isso, pediu outro copo, e a dona do restaurante atendeu ao pedido, no entanto, enquanto bebia, percebeu que abaixo do gelo que estava no copo, tinha catarro.>
Bielle questionou Miriam, enquanto ela a gravava, sem autorização, o que configura crime. Por isso, decidiu “levantar a voz”. “Depois disso, o filho dela veio me agredir, um homem de quase 2 metros de altura, e só não me agrediu porque meus amigos se colocaram à frente”, relatou Bielle. Em seguida, o delegado da Defesa Civil foi chamado e todas as medidas cabíveis foram tomadas dentro da ala criminal.>
A influenciadora, que procura combater o racismo de outra forma, como relatado, decidiu usar o espaço digital para se abrir. “Quando a gente passa por uma situação preconceituosa, a gente não percebe as pequenas nuances que essa situação velada tem. Por exemplo, a preferência de cliente, o atendimento e principalmente o jeito de falar, as piadas, os olhares, principalmente quando a dona desse estabelecimento é uma mulher preta, e dentro da nossa comunidade, eu combato esse tipo de situação de outra forma, mas eu decidi falar. Não é porque o estabelecimento tem pessoas pretas ou pardas que a gente vai se sentir confortável porque elas são capazes de reproduzir”, salientou.>
Na publicação em seu perfil no Instagram, várias pessoas de Salvador e figuras públicas acolheram a influencer, e se colocaram do seu lado. “Torcendo para que ela pague pelo que fez. um abraço em você, Bielle”, comentou Cleidson. “A justiça está sendo feita, calma que vem”, escreveu Lucinha Negra Lu.>
Vale lembrar que o restaurante Casa de Miriam mantém a tradição de oferecer cerca de 200 a 250 pratos de feijoada no dia da manifestação cultural de Iemanjá, o que aconteceu neste ano, como publicado pelo jornal CORREIO. Alguns usuários do Instagram, usaram o espaço da publicação para deixarem comentários sobre o caso e cobrar posicionamento do restaurante. “Esqueceu de avisar que no refrigerante, vem catarro ao cliente de brinde”, comentou uma mulher.>
“Foi essa que escarrou no copo da cliente e foi preconceituosa com os demais?”, questionou um. “A própria”, respondeu outra. “Na comida tem catarro também? Não acredito na atrocidade do depoimento que eu ouvi!”, exclamou outra pessoa. >
O jornal CORREIO entrou em contato com o restaurante Casa de Miriam, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para posicionamentos, e caso ocorra, a matéria será atualizada.>