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Fernanda Varela
Publicado em 30 de maio de 2026 às 10:41
Uma paciente de 33 anos morreu sem receber um medicamento contra a leucemia que já havia sido incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) e cujo fornecimento havia sido determinado pela Justiça. O caso levou a Associação Brasileira de Câncer do Sangue (Abrale) a acionar a Procuradoria-Geral da República (PGR), denunciando falhas estruturais na oferta de tratamentos oncológicos já aprovados pelo próprio sistema público. >
Mãe de 2 filhos morreu aos 33 anos após dois meses de espera por medicamento
Larissa Amorim convivia com a doença desde a infância. Em 2025, o quadro se agravou e os médicos indicaram o uso do blinatumomabe, imunoterapia considerada fundamental para controlar a leucemia e permitir um futuro transplante de medula óssea. O medicamento já fazia parte das políticas públicas de assistência oncológica, mas não estava disponível para a paciente. >
A família recorreu à Justiça e conseguiu uma decisão de urgência determinando o fornecimento imediato do remédio. A União foi intimada em 16 de março deste ano. Mesmo assim, o tratamento nunca chegou. Larissa morreu em 14 de maio, 59 dias após a ordem judicial. Ela deixou dois filhos. >
Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, o blinatumomabe é utilizado principalmente em casos nos quais os tratamentos convencionais deixam de funcionar. Nesses pacientes, o tempo é considerado decisivo para evitar a progressão da doença e permitir novas etapas terapêuticas. >
A Abrale afirma que o problema vai além de casos isolados. Atualmente, a entidade acompanha 185 pacientes com dificuldades para acessar medicamentos já incorporados ao SUS. Em muitos casos, mesmo após decisões judiciais favoráveis, os tratamentos continuam sem ser entregues. >
De acordo com a associação, há pacientes aguardando há anos por terapias cuja eficácia já foi reconhecida pelo próprio Estado. A entidade sustenta que a demora ocorre principalmente em etapas burocráticas ligadas à compra, financiamento e distribuição dos medicamentos. >
Procurado pela reportagem, o Ministério da Saúde informou que está ampliando a oferta de medicamentos oncológicos de alto custo e prevê a disponibilização gradual de novos tratamentos a partir de outubro. A pasta também destacou investimentos de R$ 2,2 bilhões na área, mas não explicou especificamente por que o medicamento destinado a Larissa não foi entregue mesmo após a decisão judicial. >
O caso passou a simbolizar a discussão sobre o acesso efetivo a tratamentos já aprovados pelo SUS, especialmente em doenças graves nas quais o atraso pode comprometer as chances de sobrevivência dos pacientes. >