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Agência Correio
Bianca Hirakawa
Publicado em 20 de março de 2026 às 20:00
Durante muito tempo, falar de substâncias como a Psilocibina (presente em cogumelos) ou o MDMA parecia algo distante da medicina. Mas e se eu te dissesse que, hoje, elas estão sendo estudadas justamente para tratar depressão e traumas profundos? >
Calma, não tem nada a ver com uso recreativo. A ideia aqui é outra: usar essas substâncias, em ambiente controlado, para ajudar o cérebro a sair de padrões que ficaram “travados”.>
Angústia, tristeza, ansiedade e depressão
Pense assim: quando você fica preso em pensamentos negativos por muito tempo, seu cérebro cria caminhos repetitivos. É aí que entra a neuroplasticidade, a capacidade de formar novas conexões.>
A psilocibina atua justamente nisso. Ela mexe com os receptores de serotonina e promove uma espécie de reorganização temporária dessas conexões. Como se, por algumas horas, seu cérebro ganhasse a chance de enxergar tudo por outro ângulo.>
E tem um detalhe importante: antes, achava-se que quem tomava antidepressivos, como os ISRS, precisaria parar o tratamento para tentar essa terapia. Hoje, estudos mostram que isso pode não ser necessário, o que deixa tudo mais seguro e acessível.>
Você provavelmente já ouviu falar em microdose, o consumo de doses muito pequenas de substâncias psicodélicas e que por isso não causam alucinações ou efeitos psicoativos intensos. Mas a ciência, até agora, tem olhado mais para outro caminho: a terapia assistida.>
Funciona assim: uma dose controlada, acompanhamento profissional e um ambiente preparado. Não se trata da substância, mas sim do contexto.>
Os resultados impressionam: em alguns estudos, cerca de 42% das pessoas tiveram remissão da depressão em poucas semanas. E os efeitos colaterais? Em geral, leves e passageiros.>
Agora vem uma pergunta interessante: o que mais importa, a substância ou a experiência?>
A resposta mais aceita hoje é: os dois. O ambiente, a música, o acompanhamento… tudo isso potencializa o efeito.>
Sim, mas com bastante controle. A Anvisa já autorizou estudos em instituições como o Instituto do Cérebro da UFRN e a Universidade de São Paulo.>
Ou seja: não é algo liberado, mas está sendo levado muito a sério.>
Talvez a principal mudança seja de perspectiva. A ideia não é substituir tratamentos tradicionais, mas somar. Criar novas possibilidades para quem já tentou de tudo e ainda não encontrou resposta.>
No fim, fica uma reflexão: e se, em vez de apenas controlar sintomas, a gente começasse a ajudar o cérebro a realmente mudar?>