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Médicos passam a prescrever LSD e drogas psicodélicas para dar 'reset' na depressão

Conduzir o cérebro a uma 'viagem' dá a ele a chance de sair de padrões que ele não consegue quebrar sozinho

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Foto do(a) author(a) Bianca Hirakawa
  • Agência Correio

  • Bianca Hirakawa

Publicado em 20 de março de 2026 às 20:00

Talvez o futuro da saúde mental esteja menos em controlar e mais em reprogramar
Talvez o futuro da saúde mental esteja menos em controlar e mais em reprogramar Crédito: (Foto: Pexels)

Durante muito tempo, falar de substâncias como a Psilocibina (presente em cogumelos) ou o MDMA parecia algo distante da medicina. Mas e se eu te dissesse que, hoje, elas estão sendo estudadas justamente para tratar depressão e traumas profundos?

Calma, não tem nada a ver com uso recreativo. A ideia aqui é outra: usar essas substâncias, em ambiente controlado, para ajudar o cérebro a sair de padrões que ficaram “travados”.

[Edicase]A depressão infantil pode interferir nos estudos e nos relacionamentos das crianças (Imagem: Iren_Geo | Shutterstock) por Imagem: Iren_Geo | Shutterstock

O que acontece no seu cérebro durante esse processo?

Pense assim: quando você fica preso em pensamentos negativos por muito tempo, seu cérebro cria caminhos repetitivos. É aí que entra a neuroplasticidade, a capacidade de formar novas conexões.

A psilocibina atua justamente nisso. Ela mexe com os receptores de serotonina e promove uma espécie de reorganização temporária dessas conexões. Como se, por algumas horas, seu cérebro ganhasse a chance de enxergar tudo por outro ângulo.

E tem um detalhe importante: antes, achava-se que quem tomava antidepressivos, como os ISRS, precisaria parar o tratamento para tentar essa terapia. Hoje, estudos mostram que isso pode não ser necessário, o que deixa tudo mais seguro e acessível.

Microdose ou terapia de verdade?

Você provavelmente já ouviu falar em microdose, o consumo de doses muito pequenas de substâncias psicodélicas e que por isso não causam alucinações ou efeitos psicoativos intensos. Mas a ciência, até agora, tem olhado mais para outro caminho: a terapia assistida.

Funciona assim: uma dose controlada, acompanhamento profissional e um ambiente preparado. Não se trata da substância, mas sim do contexto.

Os resultados impressionam: em alguns estudos, cerca de 42% das pessoas tiveram remissão da depressão em poucas semanas. E os efeitos colaterais? Em geral, leves e passageiros.

Agora vem uma pergunta interessante: o que mais importa, a substância ou a experiência?

A resposta mais aceita hoje é: os dois. O ambiente, a música, o acompanhamento… tudo isso potencializa o efeito.

E aqui no Brasil, isso já é realidade?

Sim, mas com bastante controle. A Anvisa já autorizou estudos em instituições como o Instituto do Cérebro da UFRN e a Universidade de São Paulo.

Ou seja: não é algo liberado, mas está sendo levado muito a sério.

O que isso muda, na prática?

Talvez a principal mudança seja de perspectiva. A ideia não é substituir tratamentos tradicionais, mas somar. Criar novas possibilidades para quem já tentou de tudo e ainda não encontrou resposta.

No fim, fica uma reflexão: e se, em vez de apenas controlar sintomas, a gente começasse a ajudar o cérebro a realmente mudar?

Tags:

Saúde Depressão