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Agência Correio
Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 17:00
Adriana Abigail Quintana Torres tem 41 anos e vive em Ixtapaluca, no Estado do México. Todos os dias, ela atravessa a região metropolitana para trabalhar no centro da Cidade do México, em uma rotina que termina perto das 22h. >
Para chegar ao Mercado Hidalgo, ela faz quatro baldeações e soma cinco horas de deslocamento por dia. Entre o trabalho de 46 horas semanais e o trajeto, sobra pouco espaço para descanso e para a própria vida fora do emprego.>
Ela mantém o mesmo caminho sempre que pode, mas enfrenta filas, lotação e atrasos. Quando alguma coisa muda no sistema, o dia se alonga, e o desejo vira um só: deitar assim que chegar em casa.>
Ela acorda às 5h30, se arruma rápido e sai agasalhada antes do sol. Esse início exige precisão, porque perder um horário cedo significa apertar o trabalho, a volta e o pouco sono que restaria à noite.>
Por isso, ela segue com pressa, sem tempo para pausas longas. A rotina vira uma sequência de decisões rápidas, sempre tentando reduzir o risco de atraso em cada etapa do percurso.>
Ela vive em um cortiço no bairro de Ayotla e reforça a ligação com o lugar. “Moro aqui a vida toda”, diz, ao explicar por que a mudança para perto do centro nunca pareceu simples, mesmo com a distância.>
Aplicativos de transporte
Depois de se separar do marido, os filhos, hoje com 16 e 21 anos, ficaram com o pai. “Escolhi ficar nesta região por causa dos meus filhos, para poder vê-los e estar perto deles”, afirma.>
A conta do aluguel define o endereço e, indiretamente, o transporte. No centro, o salário pode ser melhor, mas o aluguel costuma ser mais caro; em Ayotla, ela paga 1.500 pesos e mantém a despesa sob controle.>
Em troca, ela compra tempo de deslocamento todos os dias. O trajeto não aparece no contracheque, mas aparece no corpo, na falta de descanso e na sensação de que o dia tem sempre poucas horas disponíveis.>
Às 6h, ela pega um mototáxi por sete pesos até a avenida principal. Ela poderia caminhar, mas evita forçar o joelho, já que a cartilagem em mau estado torna o trajeto a pé uma aposta arriscada.>
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Às 6h06, ela entra no micro-ônibus e segue em alerta. “É o fato de sair de casa de madrugada e a possibilidade de encontrar alguém que queira te assaltar”, diz, explicando por que a viagem começa com tensão.>
Em Santa Marta, ela troca novamente de modal e segue no teleférico. “Tento dormir. Não consigo, mas fecho os olhos porque tenho medo de altura”, conta, mesmo preferindo esse caminho por ser o mais curto.>
Depois, o metrô impõe a lotação do rush, com filas e empurrões. Ela procura o vagão reservado para mulheres e crianças e, em alguns dias, não entra no primeiro trem e espera o próximo para conseguir seguir.>
Quando desembarca perto do mercado, o corpo já acusa o desgaste do deslocamento. "Chego ao trabalho exausta de tanto ficar em pé", diz, antes de iniciar as tarefas na cozinha e seguir por horas.>
Num dia mais rápido, ela percebe a diferença. "Hoje fomos mais rápidas do que de costume", comenta, mas a volta ainda pode esticar até a noite e reduzir o tempo de sono.>
A ansiedade aparece como efeito direto do caminho. "Fico estressada com a possibilidade de me atrasar", afirma, ao falar dos dias em que o metrô para e o relógio vira uma ameaça.>
E, mesmo tentando dormir, o pensamento insiste. "Às vezes acordo a cada poucos minutos durante a noite pensando que vou me atrasar.", diz, como quem já vive com o atraso antes mesmo de sair de casa.>