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Noé milionário: jornalista compra ilha abandonada e leva animais e árvores para evitar extinção de espécies

O homem que transformou uma ilha esquecida num paraíso ecológico recusando ser milionário

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Agência Correio

Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 11:00

Como sessenta anos de dedicação criaram santuário que safeguarda espécies ameaçadas para sempre
Como sessenta anos de dedicação criaram santuário que safeguarda espécies ameaçadas para sempre Crédito: Reprodução/Youtube

Um jornalista britânico gastou sessenta anos transformando uma ilha abandonada num santuário ecológico, replantando milhares de árvores e restaurando habitat para espécies ameaçadas, criando modelo de conservação que funcionava através da liberdade completa dos animais.

Brendon Grimshaw adquiriu a Île Moyenne em 1962 e construiu, sem financiamento externo, um dos projetos de preservação ambiental mais bem-sucedidos do mundo. Sua decisão de rejeitar propostas bilionárias definiu o caráter permanente de sua obra.

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O projeto exemplifica como visão pessoal e dedicação podem redesenhar paisagens naturais. Onde havia degradação, Grimshaw plantou florestas. Onde havia ausência de vida selvagem, criou santuário que atrai admiração internacional por séculos.

Uma ilha vazia aguardava restauração no arquipélago das Seicheles

A Île Moyenne em 1962 representava abandono puro. Solos desgastados, vegetação esparsa, fauna praticamente inexistente. O arquipélago das Seicheles possedia dezenas de ilhas mais atrativas para investimento imobiliário. Ninguém havia visto potencial de restauração num território tão deteriorado, sem acesso governamental e sem viabilidade financeira aparente.

Grimshaw viu diferente. Com determinação e o auxílio do amigo René Antoine Lafortune, iniciou obra titânica de recuperação. Cada trilha aberta, cada árvore plantada, cada área restaurada representava passo progressivo rumo à transformação que duraria toda sua existência.

A estratégia de restauração florestal transcendia plantar árvores mecanicamente. Grimshaw selecionou espécies que funcionavam como estrutura de base para o ecossistema: mogno para madeira resistente, palmeiras para abrigo, variedades que alimentavam insetos e pássaros específicos. Dezesseis mil árvores representavam arquitetura verde cuidadosamente planejada.

O resultado foi regeneração completa. Conforme a floresta adensava, o solo recebia nutrição, a umidade aumentava e o clima microclimático da ilha transformava-se. Os pássaros começaram a retornar. Os insetos multiplicaram-se. A cadeia alimentar reestabelecia-se naturalmente num processo que validava cada decisão de plantio.

Fauna selvagem prospera em liberdade sem cercas

O diferencial essencial da Île Moyenne era a abordagem de proteção através da liberdade. Grimshaw reintroduziu tartarugas-gigantes das Seicheles, uma espécie criticamente ameaçada. Aves retornaram organicamente. Nenhum animal estava preso, cercado ou confinado. O santuário funcionava como território livre onde fauna selvagem reencontrava capacidade de prosperar autonomamente.

Essa filosofia revolucionou modelos convencionais de zoológicos e reservas. Não era necessário controle predatório para proteger animais. Um ecossistema regenerado fornecia tudo que a fauna selvagem precisava. Os animais viviam dignamente, livres, sem intervenção humana além daquela que havia restaurado o habitat.

O sucesso da Île Moyenne inevitavelmente despertou ganância comercial. Investidores apareciam periodicamente com propostas em cifras estratosféricas, imaginando resort de luxo ou desenvolvimento turístico exclusivo. As somas chegavam a valores que transformariam qualquer pessoa em bilionária overnight, criando oportunidade de riqueza incomparável.

Grimshaw recusou categoricamente toda e qualquer proposta de venda. Sua convicção era intransigente: dinheiro não era equivalente ao que havia construído. A preservação genuína exigia recusa de ganhos materiais. Monetizar a ilha significava destruir tudo, comprometer os animais e trair o propósito que havia guiado sessenta anos de trabalho.

Legado permanente garante proteção eterna dos animais

Grimshaw viveu na Île Moyenne até 2012, envelhecendo no próprio paraíso que havia criado. Sua existência tornou-se símbolo vivo de dedicação à conservação. Quando faleceu, deixou território transformado, ecossistema estabilizado e fauna florescendo num refúgio seguro que funcionava autonomamente.

A incorporação oficial ao Parque Nacional Marinho das Seicheles perpetuou seu trabalho através de proteção legal governamental. A transição para gestão institucional assegurou que nenhum futuro proprietário pudesse comprometer a ilha. A visão de Grimshaw tornou-se política de Estado, garantindo preservação indefinida.

A narrativa da Île Moyenne transcende história de um homem dedicado. Representa comprovação de que ações individuais genuinamente motivadas pelo respeito à vida conseguem transformar territórios inteiros e deixar legados que perduram séculos. Conservação autêntica exige sacrifício pessoal, recusa de ganhos monetários e compromisso inabalável com propósitos que ultrapassam qualquer ganho financeiro imediato.