Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

O que a cerveja faz no intestino e também no fígado

O álcool presente na bebida pode alterar a flora intestinal, aumentar a permeabilidade do intestino e exigir mais trabalho do fígado

  • Foto do(a) author(a) Helena Merencio
  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Helena Merencio

  • Agência Correio

Publicado em 12 de maio de 2026 às 08:22

Essas substâncias podem atingir estruturas celulares e provocar estresse oxidativo no tecido hepático
Essas substâncias podem atingir estruturas celulares e provocar estresse oxidativo no tecido hepático Crédito: Freepik

Poder encerrar o dia com uma cerveja gelada parece, para muita gente, apenas um gesto comum da rotina. No entanto, depois que a espuma baixa e o copo fica vazio, a bebida ainda segue por um percurso menos visível dentro do organismo.

Antes de virar uma tarefa para o fígado, a cerveja atravessa um ambiente repleto de vida microscópica: o intestino.

É ali que o álcool e o glúten entram em contato com uma microbiota sensível, formada por bactérias importantes para a digestão, a absorção de nutrientes e a proteção interna do corpo.

O lúpulo da cerveja é rico em antioxidantes que protegem suas células e sua saúde por Shutterstock

Esse caminho ajuda a explicar por que o consumo frequente da bebida pode provocar alterações no sistema digestivo e no funcionamento das células hepáticas.

Um artigo científico publicado no Journal of Gastroenterology and Hepatology aponta que o consumo crônico e intenso de álcool está ligado a mudanças na microbiota intestinal e a processos relacionados a doenças hepáticas associadas ao álcool.

No caso da cerveja, essa relação aparece principalmente por causa do etanol.

Efeito no intestino

Bebidas fermentadas podem alterar a composição das bactérias benéficas que vivem no trato digestivo. Quando esse equilíbrio se perde, micro-organismos prejudiciais encontram mais espaço para crescer.

Essa mudança pode favorecer inflamações nas paredes do intestino delgado e do intestino grosso. Por isso, manter a flora intestinal saudável é importante para que o corpo consiga absorver nutrientes essenciais de forma adequada.

Outro ponto delicado está na mucosa intestinal. O álcool pode aumentar a permeabilidade dessa barreira, facilitando a passagem de toxinas e bactérias indesejadas para a circulação sanguínea.

Quando isso acontece, o organismo tende a reagir com uma resposta imunológica constante. O reflexo pode aparecer em desconfortos abdominais e alterações no ritmo habitual de evacuação.

Preservar essa barreira natural ajuda a evitar problemas inflamatórios persistentes. Sem esse equilíbrio, o intestino deixa de ser apenas parte da digestão e passa a sinalizar uma sobrecarga silenciosa no corpo.

Sobrecarga no fígado

Depois do intestino, o álcool chega ao fígado com uma missão difícil. Segundo o National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism, dos Estados Unidos, é principalmente nesse órgão que o álcool é metabolizado até se transformar em substâncias que o corpo consegue eliminar.

Durante esse processo, as células hepáticas priorizam a desintoxicação do organismo. Outras funções importantes podem acabar ficando em segundo plano enquanto o corpo tenta processar o etanol.

Com o consumo frequente, esse esforço repetido pode favorecer o acúmulo de gordura dentro do fígado. A situação se torna mais sensível porque a quebra do álcool também produz subprodutos tóxicos.

Um deles é o acetaldeído, substância formada durante o metabolismo do álcool. O NIAAA descreve esse composto como altamente tóxico, antes de ele ser convertido em acetato e seguir para eliminação pelo organismo.

Quais as consequências

Essas substâncias podem atingir estruturas celulares e provocar estresse oxidativo no tecido hepático. Com o tempo, a agressão constante pode dificultar a filtragem do sangue e a produção de enzimas necessárias para a digestão de gorduras.

Manter o fígado preservado é essencial para a vitalidade do corpo. Quando esse sistema trabalha sob pressão, outras funções ligadas ao equilíbrio interno também podem ser afetadas.

Sinais do corpo

O problema é que nem sempre a cerveja deixa sinais imediatos. Muitas vezes, o corpo começa avisando de forma discreta que o sistema digestivo está lidando com uma carga maior do que deveria.

Desconfortos abdominais e mudanças no ritmo de evacuação estão entre esses alertas. Embora pareçam sintomas simples, eles podem indicar que intestino e fígado estão sendo exigidos além da conta.

Observar essas reações ajuda a ajustar hábitos antes que o desequilíbrio avance. No caso da cerveja, a atenção passa pela microbiota intestinal, pela proteção da mucosa e pelo trabalho exigido do fígado para processar o álcool.

Tags:

Saúde Bebidas Alcoólicas Álcool Ciência