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O rio mais antigo do mundo atravessa rochas e guarda momentos históricos

O finke atravessa rochas resistentes e guarda marcas de uma história que começa no devoniano ou no carbonífero

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Agência Correio

Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 16:00

Mesmo intermitente, o rio australiano é considerado o mais antigo ainda existente, com até 400 milhões de anos
Mesmo intermitente, o rio australiano é considerado o mais antigo ainda existente, com até 400 milhões de anos Crédito: Reprodução/Youtube

Quando se olha para um rio, a sensação é de permanência. Só que, assim como outras formas da paisagem, cursos d’água nascem, mudam e podem até desaparecer.

Por isso, a pergunta sobre o rio mais antigo do mundo ainda existente chama atenção. A resposta aponta para a Austrália: o rio Finke, ou Larapinta em Arrernte.

Igreja do Sagrado Coração de Jesus na cidade inundada por Guga Matos / Setur PE / Divulgação

A idade estimada fica entre 300 e 400 milhões de anos, o que coloca esse sistema fluvial num período anterior aos dinossauros e bem no meio de grandes transformações geológicas da Terra.

Um sistema com mais de 640 quilômetros

O Finke é descrito como uma rede de rios e canais que supera 640 quilômetros, atravessando o Território do Norte e a Austrália Meridional.

No centro árido do continente, ele não mantém fluxo contínuo. Por grande parte do ano, o rio aparece como poços d’água isolados espalhados ao longo do traçado.

Essa característica não “anula” o sistema. Ela reforça o cenário atual de pouca água, que contrasta com os sinais de um passado longo preservado no relevo.

O que sustenta a datação em centenas de milhões de anos

A estimativa de idade vem da combinação de registros geológicos, perfis de intemperismo e medições de radionuclídeos em sedimentos e rochas próximas ao vale.

Essas pistas permitem situar o sistema entre o Devoniano (419 milhões a 359 milhões de anos atrás) e o Carbonífero (359 milhões a 299 milhões de anos atrás).

Na prática, os dados funcionam como um mapa do tempo, ajudando a reconstruir a história e a evolução do rio ao longo de uma escala rara para fenômenos atuais.

Por que a drenagem transversal é tão importante

Uma evidência considerada das mais fortes é a drenagem transversal. O Finke corta estruturas rochosas resistentes em vez de correr paralelo a elas.

Ao atravessar a cordilheira MacDonnell, no centro da Austrália, ele atravessa rochas duras como o quartzito, algo que parece ir contra a ideia de “caminho mais fácil”.

Essa escolha do traçado não é vista como capricho da água, mas como sinal de um rio que já estava ali antes das mudanças no relevo.

"Há indícios de que já existia uma drenagem pré-existente que fluía enquanto essa cordilheira se formava", disse Baker à Live Science. "Isso se chama antecedente — basicamente, o rio já estava lá antes da formação das montanhas e, à medida que a crosta terrestre era elevada, o rio a escavava."

Montanhas antigas, rio antigo

A cordilheira MacDonnell, ou Tjoritja em Arrernte, se formou durante a Orogenia de Alice Springs, entre 300 e 400 milhões de anos atrás.

Se o Finke atravessou a elevação da crosta e manteve seu caminho enquanto as montanhas surgiam, ele precisa ter idade, no mínimo, compatível com esse evento.

Além disso, erosão e intemperismo deixam perfis químicos que registram como a superfície interagiu com atmosfera e água ao longo do tempo.

Assinaturas radioativas de isótopos ajudam na inferência de idade porque o decaimento ocorre em taxa fixa, permitindo estimar quando certas rochas se formaram.

Por que rios “morrem” e por que o Finke resistiu

Rios mudam o tempo todo. Alguns crescem e outros secam, e a própria paisagem pode “reorganizar” caminhos de drenagem em escalas longas.

"Os rios podem desaparecer se forem sobrecarregados por um influxo maciço de sedimentos (por exemplo, erupções vulcânicas) ou se a topografia mudar tão drasticamente que a água corrente tome um novo curso pela paisagem (por exemplo, avanço e recuo glacial)", disse Ellen Wohl, geóloga da Universidade Estadual do Colorado, em um e-mail para o Live Science.

Ela também aponta dois motores recorrentes: clima e uso humano. "os rios podem parar de fluir devido às mudanças climáticas e/ou ao consumo humano de água", disse Wohl.

No Finke, a vantagem histórica aparece como estabilidade. A Austrália, no centro da Placa Australiana, quase não teve atividade tectônica significativa nos últimos 100 milhões de anos.

Com o terreno mais estável, o sistema do rio Finke pôde se desenvolver e se expandir quase ininterruptamente durante a maior parte de sua trajetória.

O que pode mudar daqui para frente

A longevidade não garante o futuro. Em terras secas, a retirada de água altera o funcionamento dos rios, e o aquecimento pode tornar as regiões áridas ainda mais áridas.

"Rios de longa duração provavelmente continuarão a existir", disse Wohl. No entanto, "muitos rios em terras secas" — como o Finke — "estão altamente alterados pelo consumo humano de água".

Wohl acrescentou que "é provável que isso aumente no futuro, à medida que o consumo global de água continue a crescer e o aquecimento global torne muitas regiões secas ainda mais secas".

Se o Finke secar, o posto pode ir para o rio New, com cerca de 300 milhões de anos, que atravessa a Virgínia, a Virgínia Ocidental e a Carolina do Norte.