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Pare de acreditar que existe a pressão arterial ideal: médicos dizem o que levar em conta pra saber se você tem hipertensão

Especialistas dizem que metas de pressão arterial em idosos devem levar em conta risco, sintomas e condição de saúde, e não um único número fixo

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Agência Correio

Publicado em 23 de fevereiro de 2026 às 15:00

Com o envelhecimento, diretrizes médicas passam a recomendar metas de pressão mais flexíveis e adaptadas a cada paciente
Com o envelhecimento, diretrizes médicas passam a recomendar metas de pressão mais flexíveis e adaptadas a cada paciente Crédito: (Foto: Freepik)

Por muitos anos, a ideia de que 120/80 mmHg seria a “pressão arterial perfeita” virou quase uma regra universal. Mas, na prática clínica, esse número nem sempre faz sentido, especialmente entre os idosos.

Segundo o Dr. Mário Tenório, médico de medicina funcional no Brasil, o envelhecimento traz mudanças naturais ao corpo, como a diminuição da elasticidade das artérias e alterações nos mecanismos que regulam a pressão arterial.

É uma doença rara, progressiva e grave, muitas vezes confundida com asma porque começa com falta de ar, cansaço e fadiga. por Getty Image

Esses processos são esperados com a idade e não significam, necessariamente, doenças. Por isso, aplicar um único valor “ideal” para todos pode ser inadequado.

Em seu canal no YouTube, o médico defende que as metas de pressão devem ser individualizadas, levando em conta o histórico médico, os sintomas, o risco cardiovascular e o estado funcional de cada pessoa.

O que dizem as diretrizes internacionais

Hoje, várias diretrizes já caminham nessa direção.

Nos Estados Unidos, as recomendações ACC/AHA de 2017 indicam que a maioria das pessoas com mais de 65 anos pode ter como meta uma pressão sistólica abaixo de 130 mmHg, desde que haja acompanhamento adequado, orientação baseada, entre outros dados, no estudo SPRINT.

Para idosos de menor risco, uma meta de abaixo de 140/90 mmHg também é considerada aceitável.

Já as diretrizes europeias sugerem que, entre 65 e 80 anos, se o paciente tolerar bem, a pressão sistólica pode ficar entre 130 e 139 mmHg. Para pessoas com mais de 80 anos, a faixa pode ser mais flexível, entre 140 e 150 mmHg.

Uma revisão sistemática publicada na revista Hypertension em 2025 reforçou essa visão: em pacientes hipertensos com 75 anos ou mais, atingir pressão sistólica abaixo de 130 mmHg reduz eventos cardiovasculares e mortalidade, sem aumento significativo de efeitos adversos graves, o que aponta para a possibilidade de um controle mais rigoroso, desde que individualizado.

Na Ásia, as diretrizes de 2022 de Taiwan passaram a definir hipertensão com base na pressão média medida em casa acima de 130/80 mmHg.

O Ministério da Saúde local também incentivou o uso do modelo de medição domiciliar “722” (duas medições, duas vezes ao dia, por sete dias) para confirmar o diagnóstico.

Quando a pressão fica baixa demais

O médico também chama atenção para outro ponto importante: pressão baixa demais também pode ser perigosa. Em idosos, a queda excessiva da pressão diastólica pode comprometer a perfusão cerebral, causando sintomas como tontura, visão turva, fadiga e hipotensão postural.

O maior risco, segundo ele, são as quedas, que frequentemente resultam em fraturas, internações e até perda de autonomia funcional.

Controle, sim, mas com bom senso

A principal mensagem, segundo o Dr. Mário Tenório, é que não existe um único valor ideal de pressão arterial válido para todos os idosos. A meta deve ser definida caso a caso, combinando sintomas, histórico médico e risco individual.

Isso não significa abandonar o controle. Pelo contrário: ele recomenda que os idosos continuem monitorando a pressão e adotem medidas básicas de saúde, como:

  • praticar exercícios regularmente
  • reduzir o consumo de sal
  • controlar o peso
  • melhorar a qualidade do sono

Para quem já foi diagnosticado com hipertensão, o alerta é claro: não se deve interromper a medicação por conta própria, mesmo após atingir bons níveis de pressão.

Os remédios anti-hipertensivos, quando bem indicados, ajudam a reduzir o risco de AVC, infarto e progressão da doença renal crônica.

Tags:

Saúde