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Peixes do 'fim do mundo' que só são vistos em tragédias aparecem em praia do México e causam preocupação

Criatura rara que vive nas profundezas abissais foi filmada viva em Cabo San Lucas; saiba se a lenda sobre terremotos é real

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Foto do(a) author(a) Matheus Ribeiro
  • Agência Correio

  • Matheus Ribeiro

Publicado em 11 de março de 2026 às 17:30

Peixe-remo, o lendário mensageiro dos mares, reaparece no México e reacende discussões sobre previsões de desastres naturais Crédito: Wikimedia Commons/John Barkla

Banhistas em Cabo San Lucas, no México, foram surpreendidos por um raro peixe-remo no final de fevereiro. A criatura é famosa por ser chamada de "peixe do fim do mundo" e sua presença costuma causar bastante preocupação.

Conhecido cientificamente como Regalecus glesne, o animal vive em profundidades que chegam a mil metros. Avistamentos de espécimes vivos são eventos extremamente incomuns para pesquisadores e entusiastas da vida marinha.

Além disso, a cultura popular associa essas aparições a presságios de terremotos ou tsunamis iminentes. Por esse motivo, o registro em vídeo rapidamente viralizou nas redes sociais e despertou a curiosidade mundial.

A lenda do mensageiro do mar

Na antiga religião japonesa, o xintoísmo, o peixe-remo é conhecido como "ryūgū no tsukai (Mensageiro do Palácio do Deus do Mar)". Ele seria um servo de Susanoo, o deus dos mares revoltosos, responsável por avisar sobre catástrofes.

Essa crença ganhou força após o geofísico Kiyoshi Wadatsumi sugerir uma sensibilidade do animal a abalos sísmicos submarinos. Assim, o mito do peixe do juízo final se espalhou como um sinal de perigo real.

É importante destacar que os registros de aparições cresceram recentemente em várias partes do mundo. Apenas no ano de 2025, seis animais foram documentados em regiões que vão desde a Índia até a costa da Austrália.

Apesar do temor popular, a ciência busca desmistificar essa relação entre o peixe e os desastres. Um estudo liderado por Yoshiaki Orihara em 2019 avaliou dados de aparições e atividades sísmicas no Japão durante anos.

O que a ciência diz sobre o peixe

O resultado da pesquisa mostrou uma falta de relação consistente entre os eventos naturais e a vida abissal. Especialistas concluem que o folclore não tem valor prático para a previsão de terremotos.

A tendência humana de ligar dois eventos raros gera o que chamam de correlação ilusória. As aparições podem ocorrer devido a mudanças na oferta alimentar ou correntes marinhas após as grandes tempestades.