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Sai da firma, mas faz horas extras mentais? Pensar no trabalho fora do expediente traz risco que nenhum RH consegue ver

Entenda o que é o descondicionamento, a técnica inspirada em atletas de elite para silenciar a ruminação mental e recuperar até 20 horas semanais que você perde pensando em prazos

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Foto do(a) author(a) Raphael Miras
  • Agência Correio

  • Raphael Miras

Publicado em 8 de abril de 2026 às 06:00

Deixar o trabalho no escritório é um desafio biológico; veja como rituais de transição e exercícios de memória podem combater a insônia e o estresse causado pelas 'horas extras' não pagas
Deixar o trabalho no escritório é um desafio biológico; veja como rituais de transição e exercícios de memória podem combater a insônia e o estresse causado pelas 'horas extras' não pagas Crédito: Banco de imagem

Você acorda no meio da noite e, em vez de voltar a dormir, sua mente começa a listar tarefas pendentes e prazos apertados.

O cenário, comum para muitos, revela uma armadilha da cultura de alta performance: a sensação de que estar ocupado é obrigatório e que o descanso é apenas mais uma meta a ser batida.

Para psicólogos e especialistas em fisiologia, o segredo para uma recuperação real não está em simplesmente "parar", mas em entender o conceito de descondicionamento.

Acessando e-mail por Shutterstock

O que é o descondicionamento?

No esporte, o descondicionamento é a redução proposital da carga de esforço para que o corpo assimile o que foi treinado.

Adaptado para a vida profissional, o conceito sugere que pausas de uma a quatro semanas são essenciais para uma "revisão geral" do organismo: elas reduzem inflamações, equilibram o cortisol (hormônio do estresse) e reparam microlesões.

Mais do que um luxo, o descondicionamento fortalece o bem-estar mental, recupera a motivação interna e evita o overtraining ou o esgotamento total.

A armadilha das "horas extras" mentais

Em um livro chamado “Como curar suas feridas emocionais”, feito em 2014 pelo terapeuta Guy Winch, alerta que o estresse relacionado ao trabalho costuma invadir justamente os momentos de lazer, porque não há outras tarefas competindo por nossa atenção.

Quando ruminamos sobre problemas do escritório durante as férias, estamos ativando nossa resposta ao estresse de forma improdutiva.

Winch sugere que as pessoas mantenham um "diário de reflexão" para notar quanto tempo gastam pensando em trabalho fora do expediente. Muitos descobrem que dedicam entre 10 e 20 horas por semana a esses pensamentos — o que, na prática, são horas extras pelas quais ninguém está pagando.

Como desligar a mente (na prática)

Para garantir que o descanso seja efetivo e sem culpa, especialistas recomendam algumas estratégias diretas:

  • Estabeleça limites físicos e digitais: Crie um ritual de transição ao encerrar o dia, como mudar de roupa ou ouvir música. Desligue notificações de e-mail e aplicativos de mensagens; se precisar checar, determine um horário único e limitado para isso.

  • Transforme ruminação em ação: Se um pensamento sobre o trabalho persistir, pergunte-se: "Existe algo que eu possa fazer agora?". Se a resposta for sim, transforme a preocupação em um problema a ser resolvido de forma criativa. Se não, é apenas distração negativa.

  • Diferencie desconectar de recarregar: Apenas "desligar" pode não cessar os pensamentos negativos. "Recarregar" exige atividades que gerem energia mental, como exercícios leves, artesanato ou meditação.

  • Use distrações para a insônia: Se o trabalho te tirar o sono às 2h da manhã, tente exercícios de memória monótonos, como lembrar o nome de todos os seus professores desde o jardim de infância. O tédio ajuda o cérebro a voltar ao estado de repouso.

O descanso como estratégia de rendimento

O planejamento do descondicionamento deve fazer parte do calendário anual, e não ser apenas uma reação ao cansaço extremo ou ao burnout.

Seja através do descanso passivo (repouso total) ou do repouso ativo (caminhadas leves, yoga ou natação), o objetivo é o mesmo: proteger o coração, reduzir a fadiga acumulada e garantir que, na volta, a disposição seja real e sustentável.

Afinal, a ciência reforça: o progresso, tanto físico quanto mental, ocorre de fato durante a recuperação.