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Thiaguinho aposta em ‘Bem Black’ para unir gerações e valorizar legado da música preta

Cantor lança álbum completo e aposta na força dos “clássicos” para conectar gerações e valorizar a música preta brasileira

  • Foto do(a) author(a) Heider Sacramento
  • Heider Sacramento

Publicado em 27 de março de 2026 às 22:20

Thiaguinho celebra legado e atualiza o som no projeto Bem Black Crédito: Divulgação

Thiaguinho lançou nesta sexta-feira (27) o álbum completo Bem Black, um projeto que nasce com a proposta de celebrar a música preta brasileira enquanto aponta caminhos para o presente.

Gravado no Club Homs, em São Paulo, espaço marcado pelos bailes black das décadas de 1980, o disco mistura pagode, soul, R&B e jazz em um repertório que alterna inéditas e regravações. A escolha do local e da sonoridade ajuda a entender o conceito do trabalho, que não se apoia apenas na memória, mas na atualização de referências.

Ao falar ao CORREIO, o cantor evita tratar o projeto como um exercício de nostalgia e prefere destacar a força do que chama de clássico. “Eu acho que não seria nem nostalgia a palavra. Eu gosto de usar ‘clássicos’. Eu gosto muito de clássicos, sabe? Eu acho que tem coisas que não saem de moda”, disse.

Thiaguinho celebra legado e atualiza o som no projeto Bem Black por Divulgação

A ideia, segundo ele, é fazer com que essas referências cheguem também a quem não viveu essa fase da música brasileira. O álbum funciona como uma ponte entre gerações, tanto na sonoridade quanto nas escolhas artísticas.

Entre os convidados, estão nomes como Sandra Sá, Negra Li e Walmir Borges, que ajudam a reforçar esse diálogo entre diferentes momentos da música negra no país.

Thiaguinho diz que existe uma preocupação constante em apresentar essas referências para o público mais jovem e manter viva uma herança cultural. “Eu acho importante, principalmente para a juventude, ter referências, ser apresentada a sons que são clássicos, a jeitos de curtir que são clássicos, para que a gente possa preservar a nossa cultura”, afirmou.

Esse movimento não fica restrito ao disco. O cantor cita também a Tardezinha como parte desse esforço de valorização da roda de samba e da história do gênero, criando espaços onde diferentes gerações se encontram.

Ao longo do álbum, o artista mantém o romantismo como eixo central, mas insere novas camadas sonoras e estéticas. Faixas como Pensamentos Intrusivos e Antes, Durante, Depois reforçam esse caminho, enquanto releituras como Curtir um som, com Sandra Sá, ampliam o diálogo com o passado.

No fim, Bem Black se organiza como um projeto que vai além do repertório. É um trabalho que olha para trás sem ficar preso, tentando garantir que a história continue sendo contada para quem chega agora.

“É deixar claro para eles que isso tudo foi construído por outras pessoas, que existe um legado, que existe algo muito maior por trás de tudo isso”, disse.