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Entrevista: Referência em moda praia, Lenny Niemeyer aperfeiçoa seu estilo há 30 anos a partir de experiências

  • Foto do(a) author(a) Gabriela Cruz
  • Gabriela Cruz

Publicado em 1 de dezembro de 2014 às 21:43

 - Atualizado há 2 anos

Lenny Niemeyer transformou o amor pelo sol em profissão. Hoje é uma das estilistas mais respeitadas do Brasil (fotos: Angeluci Figueiredo)Quem olha para uma peça criada por Lenny Niemeyer não tem dúvida do seu talento, mas ela nega que o estilo inconfundível seja resultado apenas de momentos inspirados. “Veio de um duro aprendizado”, revela. Aos 61 anos, 30 dedicados à moda, tornou-se referência fora do país e hoje vende para várias parte do mundo: de Dubai à República Dominicana, do Canadá à Venezuela. Mesmo conhecendo a maioria desses lugares, é na Bahia que a estilista busca refúgio quando chega o Verão. “Meu sonho é ter uma casa no Sul da Bahia”, diz.

Mais precisamente em Trancoso, onde aluga a mesma morada há 14 anos.Além de inspiração, da Bahia Lenny já levou Maria, sua cozinheira, e sempre que vem à terrinha enche a mala de farinha, tapioca, camarão seco, carne de sol, manteiga de garrafa “e pimenta para meu marido, que adora”.

O CORREIO entrevistou a estilista durante sua passagem por Salvador, semana passada. Ela veio para o desfile de alto Verão promovido pelas empresárias Anna Cláudia Libório e Valéria Sangalo, franqueadas da marca que abriram a primeira loja Lenny Niemeyer em Salvador  há cerca de 40 dias. “Trouxemos o desfile visto em São Paulo semana passada. Somos as primeiras a mostrar a coleção, que só chega à loja no dia 5”, conta Anna.Você trabalhava com arquitetura e urbanismo. Como a moda entrou na sua vida?Comecei a trabalhar aos 17 anos, ainda em São Paulo, mas há 30 anos casei com um carioca e mudei para o Rio de Janeiro. Não tive como levar minha estrutura e precisava ocupar meu tempo. Nessa época, as paulistas adoravam os biquínis cariocas, mas eles eram mínimos, muito cavados. Então comecei a vender o que elas pediam.Você ainda não era estilista. Como foi essa mudança?Eu não achava o que minhas amigas pediam, então, um dia, andando na rua, vi uns atacadistas de lycra e resolvi comprar e produzir. Não tinha muito mistério. Um biquíni são dois triângulos. Resolvi desmanchar um para ver, fiz um bumbum um pouco maior e arrumei costureiras. Minhas amigas adoraram e eu comecei essa produção literalmente no fundo de uma garagem, no prédio onde morava.A sua marca já existia?Fiquei dez anos trabalhando para outras marcas. Foi meu aprendizado, minha faculdade. Não tinha conhecimento de moda e nem sabia se eu tinha um estilo próprio. Só montei a primeira loja, há 25 anos, por necessidade mesmo. Eu vendia para todo mundo, Fiorucci, Richards, Mesbla, mas quando teve o bloqueio da poupança, bloquearam meus pedidos também e eu fiquei com a lycra em casa. A solução foi montar uma loja ou ia ter que fechar. Não tinha capital, meu negócio nasceu do amor mesmo. Com o tempo, percebi que não tinha unidade no produto. Fui aprendendo com o varejo e comecei a fazer o que gostava.Você credita seu estilo à experiência com o público?O estilo veio de um duro aprendizado. A sensação da pessoa que desenha ou que faz qualquer coisa dessa área criativa é que acabou ali. Você não vai conseguir fazer outra coleção nem outra estampa bonita. Existe um trabalho árduo por trás disso. Tem uma frase famosa: ‘Trabalha, trabalha , até que a inspiração te flagre trabalhando’. Então eu sempre fui de trabalho, aprendi a modelar, desenhar, costurar a mão, bordar, a  ter um conhecimento profundo do que faço.Como o avanço da tecnologia contribuiu para seu trabalho?Quando  comecei, biquínis eram triangulozinhos, cortininhas. Hoje em dia, um bustiê passa por dez operações de máquina de costura. Parece que é um lencinho, mas é todo estruturado para dar conforto à mulher. A gente não tinha maquinário, um arame pra fazer um sutiã meia-taça, a moda praia não justificava importar maquinário. Isso foi mudando no final dos anos 80. Perceberam que a moda praia poderia ser  exportável, ter um estilo, e começaram a colocá-la nos desfiles. Ela foi para outro patamar e acabou sendo o segmento da moda mais exportável. O Brasil tem know how. A gente vai à praia o ano inteiro e a brasileira é muito exigente com modelagem.A estilista com Anna Cláudia Libório, uma das franqueadas da marca em SalvadorCom a loja de Salvador, são 20 pontos de vendas no Brasil, 200 multimarcas e presença em lojas prestigiosas em outros países. A que se deve essa universalização do seu nome?Foco muito na modelagem. Para mim, a mulher tem que estar sensual e confortável. As estampas são outro diferencial - e uma parte que dá muito trabalho,  faço 20 por coleção. Antigamente,  gostavam da estampa, mas pediam para seguir a tendência. Isso era muito cansativo, você tinha que violentar seu estilo. Com as modelos brasileiras ganhando o mundo, eles foram tomando gosto por nosso estilo e hoje importam do jeito que é.Você é habitué de Trancoso. Qual sua relação com o lugar?Me apaixonei à primeira vista e alugo a mesma casa há 14 anos. Tenho loja em Trancoso de tanto que vou pra lá. Gosto da energia, do astral, do cheiro. Bateu comigo. Tenho até uma cozinheira baiana, Maria. Essa afinidade também é um superexercício criativo. Já criei vestidos longos pós-praia porque sei que uma hora do dia os mosquitos te matam. Lancei uma echarpe de algodão que pode ser usada como canga, estendida na areia, amarrada na testa, enrolada no pescoço. Coisas que vieram da vivência. Qual peça não pode faltar em uma coleção sua?Sempre tenho chemises. Descobri que é uma coisa muito prática, porque você pode ir à praia, a gola enfeita muito a mulher, é neutra, então você pode usar com bijuterias, uma sainha. Um peça versátil que te salva até do ar-condicionado. Qual o dress code da praia?Acho que não se deve usar muita maquiagem e tomar cuidado com o tamanho do biquíni. Não gosto dos cavados. O maior erro é achar que fica mais sensual botando o biquíni menor que o tamanho do bumbum. Isso não valoriza.Lenny aproveitou a viagem para comprar temperos para comida baiana (acervo pessoal)