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Entre Paris e o acarajé: reflexões sobre férias e consumo

O que minha viagem e a tendência da Little Treat Culture revelam sobre desejos, dívidas e pequenos prazeres

  • Foto do(a) author(a) Gabriela Cruz
  • Gabriela Cruz

Publicado em 31 de agosto de 2025 às 11:00

De tudo que eu vejo
De tudo que eu vejo Crédito: Chat GPT

Em setembro eu vou ficar trinta dias de férias. Não é um luxo escolhido, é um direito conquistado: trabalho em regime CLT e, como qualquer funcionária, tenho esses dias para descansar. Resolvi usar parte deles para algo diferente — e inédito para mim: viajar para a França. Serão sete dias em Paris, com a chance de dar um pulo em Londres.

Minha motivação não é turística, mas afetiva com a moda. Sempre quis viver tudo que o fashion em Paris me reserva e também ir a dois lugares específicos em Londres: a Liberty London e a loja de Vivienne Westwood, estilista de alma punk que questionou padrões e levantou bandeiras como sustentabilidade e proteção animal. Mais do que roupas, essa diva ofereceu pensamento crítico em forma de moda. E estar diante disso, para mim, (quase) não tem preço.

De tudo que eu vejo por ChatGPT

Capitalismo, minha filha

Mas por trás desse roteiro existe muito esforço. Para bancar a viagem, precisei trabalhar dobrado, aceitar projetos extras, abrir mão de outros desejos. A conquista tem gosto de cansaço e de renúncia. É o preço de realizar algo que, para quem não tem um poder aquisitivo alto, exige planejamento e suor.

E é aqui que mora a reflexão: nas redes sociais, vemos viagens reluzentes, fáceis, glamourosas. A impressão é que todo mundo tem condições de estar nos lugares mais caros do mundo, vivendo experiências de cinema. Só que, muitas vezes, não é verdade. Há quem se endivide para performar essa vida, criando uma ilusão para si e para o outro lado da tela. O real é menos polido, mas talvez mais bonito: cada conquista tem um esforço invisível que a sustenta.

Little Treat Culture

Esse pensamento me levou a uma tendência que tem aparecido com força: o paradoxo da Little Treat Culture. O FFW publicou recentemente sobre isso, explicando como, em meio à recessão, a geração Z e os Millennials têm buscado refúgio em pequenos prazeres. O raciocínio é simples: não posso comprar uma casa ou garantir meu futuro, mas posso investir em algo que me faça sentir bem agora. A palavra-chave é imediato.

É esse mecanismo que impulsiona desde cafés superfaturados (conhecemos VÁRIOS) até produtos de entrada no universo do luxo: o batom, a garrafinha de água assinada, a vela de grife. Objetos caros, mas que oferecem a ilusão de pertencimento a um estilo de vida inacessível.

Segundo o levantamento citado pelo FFW, 40% da geração Z já admite planejar se endividar para viajar. O paradoxo é esse: o alívio imediato pode custar caro no longo prazo. E eu me vi pensando também que sou, mesmo não sendo da geração Z, essa pessoa que está querendo fugir um pouquinho da realidade, vivendo o agora.

Organizando, todo mundo viaja

E talvez a vida seja mesmo esse equilíbrio: a rotina CLT que nos obriga a cumprir obrigações, pensar nos investimentos, no dinheiro a médio e longo prazo, para sobreviver — e, ao mesmo tempo, a entrega a certos prazeres. Não precisa ser uma viagem para Paris. Pode ser um acarajé no Rio Vermelho, que deixa a gente sempre muito satisfeita depois.

Volto em outubro. Até lá!