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Com a celebração do tradicional Seollal, comunidade coreana festejou a chegada do Ano-Novo

Presidente da Associação Brasileira dos Coreanos explica rituais, simbolismos e como a tradição é preservada no Brasil

  • Foto do(a) author(a) Márcia Luz
  • Foto do(a) author(a) Gabriela Cruz
  • Márcia Luz

  • Gabriela Cruz

Publicado em 20 de fevereiro de 2026 às 16:21

Seollal
Conheça mais sobre o feriado  Crédito: Canva

Enquanto o Brasil vivia a energia do Carnaval de rua, na Coreia do Sul todos se preparavam para as comemorações do Seollal - o Ano-Novo Lunar Coreano, que marca o início do calendário anual. O feriado costuma ser festejado na segunda lua nova após o solstício de inverno e, este ano, a celebração aconteceu nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro. Cada ano carrega a energia de um animal e, em 2026, será a vez de o cavalo vermelho reger o período, trazendo velocidade para mudanças e muitas outras características para o ano.

Para entender melhor tudo isso e saber como a comemoração acontece na comunidade coreana no Brasil, conversamos com Bruno Kim, presidente da Associação Brasileira dos Coreanos. Ele nasceu em Seul e foi criado no Brasil, sem nunca ter perdido a conexão com a própria cultura e os costumes do seu país. Assumiu a presidência da Hanin Brasil em 2024 e, recentemente, foi reeleito para o cargo, até 2027. Confira a entrevista a seguir.

Bruno Kim, presidente da Associação Brasileira dos Coreanos por acervo pessoal e Canva

Qual é, de fato, o significado do feriado de Seollal?

Bruno Kim - O Seollal é o Ano Novo Lunar coreano, mas acima de tudo, é uma celebração da família e da memória. É o momento em que olhamos para trás com gratidão aos nossos antepassados e para frente, para as novas gerações com esperança. Mais do que marcar a passagem do tempo, a Seollal reafirma valores muito profundos da cultura coreana: respeito aos nossos antepassados, união familiar e renovação espiritual.

O que tradicionalmente marca a comemoração do Seollal na Coreia?

Entre os costumes mais tradicionais está o "charye", o ritual de homenagem aos antepassados, que expressa gratidão e continuidade entre gerações. Há também o "sebae", quando os mais jovens fazem uma reverência formal aos mais velhos, desejando saúde e prosperidade e em troca ganham envelopes com dinheiro (eles adoram isso, rsrs). A gente come também o "tteokguk", sopa típica feita de massa de arroz e consumida nesse dia e que simboliza um novo começo. Ao comê-la, simbolicamente “ganhamos” mais um ano de vida. O uso do "hanbok" e jogos tradicionais como o "yutnori" completam a celebração. Cada gesto carrega significado.

Como uma comemoração assim tão tradicional é hoje passada para as novas gerações?

A tradição é transmitida principalmente dentro de casa, no nosso caso. São os avós e os pais que ensinam, não apenas os rituais, mas o sentimento por trás deles. No contexto da diáspora, isso se torna ainda mais importante. Preservar o Seollal no Brasil é preservar a nossa identidade. Além disso, associações e instituições culturais também promovem eventos que ajudam as novas gerações a entenderem que tradição não é algo do passado, mas algo vivo.

Temos no Brasil, especialmente em São Paulo, uma grande comunidade coreana, como ocorrem as comemorações aqui?

No Brasil, especialmente em São Paulo, onde está concentrada a maior parte da comunidade coreana, o Seollal é celebrado com a mesma essência da Coreia: reunião familiar, rituais, comida tradicional e respeito aos mais velhos. Mesmo longe da terra de origem, mantemos o compromisso de transmitir esses valores, pois é algo muito importante para a cultura coreana. A distância geográfica não diminui o significado da celebração, pelo contrário, faz com que nos mantenhamos conectados às nossas raízes.

Há alguma interferência ou adaptação cultural no modo de celebrar o Seollal no Brasil?

Existem diferenças práticas, claro. Na Coreia, é um dos feriados mais importantes do ano, com vários dias de celebração e grandes deslocamentos para reencontros familiares. No Brasil, como não é feriado oficial, muitas vezes, adaptamos a comemoração para o fim de semana, por exemplo. Por outro lado, aqui também vivemos algo especial: a oportunidade de compartilhar essa tradição com amigos brasileiros, fortalecendo o intercâmbio cultural. E hoje em dia, a curiosidade pela cultura coreana faz com que muitos brasileiros que não têm ascendência coreana, mas que gostam de cultura coreana, procurem informações sobre o Seollal.

O último dia 12 de fevereiro foi marcado pelos 63 anos da chegada dos primeiros imigrantes coreanos ao Brasil. Qual é o tamanho hoje da comunidade aqui?

O Brasil abriga hoje cerca de 50 mil coreanos e descendentes, sendo a maior comunidade coreana da América Latina. É uma comunidade que construiu sua história, principalmente em São Paulo, e que contribui ativamente para o comércio, moda, gastronomia, cultura e para o fortalecimento das relações entre Brasil e Coreia do Sul.