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Ex-aluno de Nobel e Mendel, Wagner Moura disse não ver muita graça na Salvador ‘Itaigara-Pituba’

Em entrevista a jornal da Facom, onde cursou Jornalismo, indicado ao Oscar fala sobre chegada à capital, drogas e até da acusação de ser “péssimo ator”. Leia trechos

  • J
  • João Gabriel Galdea

Publicado em 14 de março de 2026 às 18:26

Wagner Moura em entrevista ao Letterboxd
Wagner Moura Crédito: YouTube/Letterboxd

A febre ‘Tropa de Elite’ ainda não tinha passado quando eu e meu amigo André Uzêda, colegas de Jornalismo na Universidade Federal da Bahia, decidimos entrevistar, para o jornal da faculdade, o ex-faconiano Wagner Moura – figura onipresente, como agora, naquele final de 2007.

Faconiano é o aluno da Facom, a Faculdade de Comunicação da UFBA, que também tem um apelido: Faconha. Fácil supor o motivo, assim como compreender que, no 3º semestre, eu e meu parça éramos verdes como a erva e, claro, errantes e atrapalhados.

Questionadores, os aspiras tentaram enquadrar o Capitão Nascimento em perguntas envolvendo drogas e até cinema, mas ele atuou bem, como de costume. Sonhadores, pensamos em levar Wagner para matar a saudade da faculdade, mas sua assessoria logo cortou nossas asinhas: o moço tinha acabado de, simplesmente, negar uma entrevista para Jô Soares…

Sorte que, ante nossa mendicância, o ator autorizou que enviássemos as perguntas por email. E lá foram elas.

‘PÉSSIMO ATOR’ E GAFES

Semanas depois, voltaram. Como prevíamos, sem o tête-à-tête, o resultado ficou bem limitado. Uma das perguntas que talvez rendesse muito mais foi sobre o comentário do jornalista Diogo Mainardi, para quem “o cinema brasileiro não deveria existir” e, ainda segundo ele, Wagner “era um péssimo ator e deveria raspar as sobrancelhas”.

Perguntamos se o Capitão Nascimento chamaria o jornalista de fanfarrão, mas Wagner disse que não: “Eles provavelmente se dariam muito bem”, respondeu, na boa.

Mas a falta de tréplicas foi a coisa menos problemática, depois que os 5 mil exemplares do jornal saíram da gráfica: citamos quem não autorizou ser citado, erramos nomes de parentes do ator, o lugar que ele nasceu, o escambau. O sobrenome da esposa, por exemplo, saiu como Salgado, mas é Delgado. E esse foi o erro mais magro.

Porém, erratas publicadas, importa é que rolaram algumas respostas interessantes e engraçadas, que ajudam a entender o que pensava, há duas décadas, o indicado ao Oscar de 2026.

Confira trechos da entrevista [com comentários, correções e atualizações], publicada no JF em dezembro de 2007:

Jornal da Facom - Wagner, você é “Bahia ou Vitória, afro”?

Wagner Moura - Sou torcedor de um time pertencente à primeira divisão do futebol brasileiro. [O Vitória estava na Série B e subiu; o Bahia estava na C e foi pra B, naquele ano fatídico do desabamento com sete mortos na Fonte Nova].

JF - Seu pé está “bichado” — rompeu os ligamentos do calcanhar direito jogando bola. Onde você costumava bater o baba?

WM - O acidente que rompeu os ligamentos do meu pé direito interrompeu uma carreira promissora. Vale minha participação no time da Facom de 98, campeão moral do campeonato da Ufba.

JF - Soubemos que você foi um cara bastante recluso na adolescência, tinha poucos amigos. Talvez pelo fato de ter vindo do interior. Foi no teatro ou na faculdade que você começou a se abrir, Óvni?

WM - Eu era Óvni na escola por inadequação. No teatro, por identificação. A Facom me proporcionou contatos imediatos de terceiro grau. [Recebeu o apelido de "Óvni" no colegial].

JF - Em que colégio você foi estudar quando veio para Salvador e onde completou o ensino médio? Como foi sua adaptação à cidade?

WM - Estudei no Nobel e depois no Mendel. Adaptação complicada para quem vinha da escola pública de Rodelas. Não via muita graça em Salvador ‘Itaigara-Pituba’. Melhorou quando comecei a conhecer melhor a cidade e frequentar o Mercado do Peixe [atual Vila Caramuru, no Rio Vermelho].

JF - A FGV fez uma pesquisa revelando que 62% dos usuários declarados de drogas são das classes A e B, sendo uma boa parcela deles universitários. Como você analisa as críticas feitas à classe média “esclarecida”, apontada como financiadora do tráfico? [Numa cena do Tropa de Elite, o Capitão Nascimento agride um universitário maconheiro de classe média].

WM - O consumo financia o tráfico, isso todo mundo sabe, a questão é: combater o usuário é a melhor forma de acabar com o tráfico? Eu acho que não. Pra mim, a legalização, por exemplo, seria muito mais eficaz.

JF - Você, que é a favor da descriminalização das drogas, acha que essa medida, de fato, irá pôr fim ao tráfico?

WM - Não tenho certeza, sei que como está não tá rolando. Não é matando traficante que se acaba com o tráfico.

JF - Em entrevista à Folha, você se mostrou simpático às leis de incentivo em relação ao cinema. Entretanto, na mesma matéria, se diz favorável a um estado interventor. Você não acredita que as leis de incentivo transferem muito poder à iniciativa privada em relação à cultura, diminuindo o papel do Estado?

WM - As leis de incentivo são fundamentais, sem elas não se faz quase nada. Não acho o modelo perfeito, mas a parceria Estado-iniciativa privada é importantíssima, não só para a cultura. Quando falo em Estado interventor não penso na Venezuela.

JF - Diogo Mainardi afirmou que o cinema brasileiro não deveria existir, que você era um péssimo ator e que deveria raspar as sobrancelhas. Se o Cap. Nascimento encontrasse Mainardi na rua, o chamaria de “fanfarrão”?

WM - Não, eles provavelmente se dariam muito bem.

JF - Há boatos de que Tropa de Elite vai virar um seriado de TV. O Capitão Nascimento continua ou pede para sair?

WM - Pede pra sair.

JF - O nome de seu filho, Ben, é uma referência/homenagem a Jorge Ben ou é por que você tava de “Ben” com a vida quando o fez?

WM - O nome dele é Bem.

Bem, deixa pra lá. Parabéns, Wagner! Bora Vitória!