Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

Exposição revela proximidade de Portinari com literatura

Mostra na Caixa Cultural, com 28 gravuras originais, tem ilustrações que o pintor fez para obras literárias como 'Memórias Póstumas de Brás Cubas'

  • Foto do(a) author(a) Roberto Midlej
  • Roberto Midlej

Publicado em 13 de agosto de 2024 às 07:50

Ilustração de Portinari para 'Dom Quixote'
Ilustração de Portinari para 'Dom Quixote' Crédito: reprodução

Embora seja consagrado como um dos maiores pintores da história da arte brasileira, o paulista Candido Portinari (1903-1962) tinha também uma relação próxima com outra expressão artística: a literatura. E isso ficará evidente a quem for à Caixa Cultural ver a exposição Portinari: Entre Traços e Palavras, que será aberta nesta terça-feira para convidados e a partir de amanhã segue recebendo o público, até o dia 20 de outubro. A mostra reúne 28 gravuras originais que foram usadas para ilustrar edições de livros de José Lins do Rêgo, Rachel de Queiroz e outros autores.

Segundo Guilherme de Almeida, curador da exposição e coordenador geral do Departamento de Arte, Educação, Inclusão e Pertencimento do Projeto Portinari, o pintor sempre esteve mais próximo de intelectuais das letras que de colegas pintores: “Ele era um modernista, mas era um pouco mais novo que aquela geração de colegas que participaram da Semana de Arte Moderna de 22 [na época, ele tinha 19 anos]. Ele não participou ativamente da Semana e temporalmente se afasta, por exemplo, de Tarsila do Amaral”.

A exposição inclui também gravuras feitas para edições nacionais de livros estrangeiros, como foi o caso do clássico Dom Quixote. Há ainda ilustrações que foram usadas em edições comemorativas de livros de Machado de Assis, como Memórias Póstumas de Brás Cubas e O Alienista. Na Caixa, também estão gravuras feitas para a primeira edição de Menino de Engenho, de José Lins do Rêgo.

Embora não tenha criado desenhos para os livros de Jorge Amado, Portinari teve uma relação muito próxima com o baiano, observa Guilherme. Quando o baiano estava em exílio, o pintor chegou a receber os valores correspondentes aos direitos de publicação que cabia ao escritor e ficou responsável por entregar a ele. Em 1934, o artista pintou um retrato do escritor, em óleo. A imagem não estará na exposição, mas pode ser vista na internet.

Desenho para Memórias Póstumas de Brás Cubas
Desenho para Memórias Póstumas de Brás Cubas Crédito: reprodução

Um texto no material de divulgação da exposição mostra que Jorge Amado era generoso em elogios ao amigo: “Candido Portinari foi um dos homens mais importantes do nosso tempo, pois de suas mãos nasceram a cor e a poesia, o drama e a esperança de nossa gente. Com seus pincéis, ele tocou fundo em nossa realidade. A terra e o povo brasileiros - camponeses, retirantes, crianças, santos e artistas de circo, os animais e a paisagem - são a matéria com que trabalhou e construiu imorredoura”.

É provável que muita gente não saiba, mas Portinari também se arriscou como escritor e chegou a publicar uma coletânea de poemas. E foi por causa de problemas de saúde que o pintor transformou-se em poeta, ainda que sem pretensões de publicação. “Na época, não se compravam tintas em lojas e, para conseguir uma determinada cor, o artista fazia seus pigmentos usando metais tóxicos. Como Portinari não parava de pintar nem para comer, acabou se contaminando. Foi aí que tentou se afastar da pintura e começou a escrever poemas”, diz Guilherme. Mas o “vício” nas artes plásticas falou mais alto e logo o pintor voltou ao ateliê, mesmo sabendo do risco que corria. Acabou morto por intoxicação.

Ainda assim, seus textos mereceram elogios de um dos maiores poetas brasileiros de todos os tempos, Manuel Bandeira: “Ainda que Portinari não tivesse sido o grande pintor que foi, toda esta poesia seria válida pelo que ela encerra de aguda e generosa sensibilidade, de registro fiel da vida brasileira no interior”.

Serviço

Exposição "Portinari: Entre Traços e Palavras”

Local: CAIXA Cultural Salvador

Endereço: Rua Carlos Gomes, 57 – Centro

Visitação: 14 de agosto a 20 de outubro de 2024

Horário de visitação: 09h às 17h30 (terça a domingo)

Ingresso: Grátis