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Larissa Almeida
Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 06:00
O horário das sete da TV Globo vai dar boas-vindas à agitação de Bom Retorno, cidade fictícia de Goiás que será ambiente da disputa de talentos da música sertaneja pelo estrelato em Coração Acelerado. É nesse cenário que o agitador cultural Agildo Bará, interpretado pelo baiano Evaldo Macarrão, ganha destaque como o responsável pela agenda dos artistas e braço direito do patrão, o empresário Ronei Soares (Thomás Aquino). Conquistador, bondoso e competente, o novo personagem de Evaldo é diferente dos irreverentes Jupará e Tôim Feitosa – figuras que interpretou em Renascer e no Rancho Fundo, respectivamente – por impor a ele desafios novos: a longevidade na telinha e o trabalho com a música. >
Segundo Evaldo, o público pode esperar um personagem leve e descontraído, abertamente paquerador, mas com camadas que podem tender ao drama. É que, por trás de tantos galanteios, o ator vê em Bará um coração que pede para ser amado e que quer amar, assim como um trabalhador que está em busca da sua luz. Na trama, ele adianta que terá uma queda enorme por Naiane, uma ‘vilãzinha’ interpretada por Isabelle Drummond que, pelo menos inicialmente, não corresponderá os sentimentos do personagem. >
Evaldo Macarrão estreia no horário das 7 em Coração Acelerado
Entender a subjetividade e acessar os sentimentos que estão abaixo da superfície do comportamento de Bará foi uma das razões que levaram Evaldo a aceitar o papel. Ele conta que foi convidado por uma das produtoras de elenco dos Estúdios Globo, Dani Pereira, em nome do diretor artístico Carlinhos Araújo – que dirigiu produções como Mania de Você e Todas As Flores – e não titubeou em aceitar. >
“Eu fiquei felizaço quando chegou o convite para uma novela inteira, uma obra aberta. Eu falei: ‘Meu Deus, é isso que eu quero, vou nessa’. A princípio, fiquei meio intrigado [com o personagem], buscando referências nele para ter o encantamento e o desejo de representá-lo. Chegou para mim logo, rapidamente, que ele seria um galanteador e mulherengo. Isso me chamou atenção e me deixou preocupado se só seria isso, mas hoje vejo que não. Ele está em um lugar muito bonito”, afirma. >
Evaldo não esconde que ao saber que Agildo não seria um personagem à margem, mas alguém de relação próxima de um dos figurões do núcleo principal, ficou feliz. Tamanha felicidade só se intensificou ao saber que Bará também será uma espécie de crítico musical. Essa informação fez com que as primeiras referências buscadas por Macarrão para compor o personagem fossem bastante próximas dele. >
“Sempre tive muita vontade de cantar, mas nunca me empenhei. A minha bagagem com a música foi através do meu pai, Edvaldo do Repique, um grande percussionista do samba, em Salvador. Parceiro de Nelson Rufino, ele ajudou a fundar o bloco que hoje é o Alerta Geral. Então, quando vi que o personagem teria esse poder sobre a música, me chamou ainda mais atenção o convite”, diz. >
Por conta do papel, ele já tem buscado colocar a voz para jogo e deixa em aberto a possibilidade do agitador cultural se descobrir, na verdade, um grande talento da música sertaneja. Por enquanto, Evaldo Macarrão dá certeza de uma coisa: Bará vai se diferenciar dos outros papéis que já fez por não ter o humor como elemento central da sua narrativa – um fato que, para ele, é uma conquista pela possibilidade de ser versátil no trabalho. >
“Em Coração Acelerado, é o texto que vai dar a graça. Eu não preciso tanto ser engraçado, porque o Thomás, que está dividindo comigo esse lado cômico, traz uma coisa engraçada, que é mais explícita e objetiva nos trejeitos. O Bará é meio sincerão, sem filtro, fala as coisas sem pensar, mas isso no lugar da leveza do humor. Isso me tira de um lugar comum. É um personagem muito grande na sua amplitude, no fazer. Ele me dá diversas camadas e lugares, o que me dá sagacidade para brincar. Estou muito encantado por Agildo Bará”, declara. >
Para além do pai, o personagem de Evaldo terá inspiração no famoso produtor musical Nelson Motta e no amigo Denilton, que mudou o curso da sua carreira ao levá-lo para o projeto CRIA, em Cosme de Farias, onde se desenvolveu no teatro. Ao pegar um pedacinho de um e de outro, ele ressalta que o personagem como um todo ainda está em processo, mas tem muito da memória afetiva de si enquanto cidadão soteropolitano. >
“Eu busquei essa referência também dentro da música sertaneja e na memória da minha madrinha em Cajazeiras, das tardes ouvindo Leandro e Leonardo, Chitãozinho e Xororó, Roberta Miranda e a dupla João Paulo e Daniel. Em especial, o João Paulo me chamava muita atenção, porque era o mais retinto de todas as duplas e aquilo, mesmo sem consciência política, me fazia pensar que aquele cara era diferente dos outros e parecido comigo”, relata. >
Diante da expectativa da estreia, Evaldo Macarrão admite que está animado para se surpreender com os rumos de Agildo Bará e celebra a parceria com os colegas de equipe. “A Isabelle é muito maravilhosa, muito boa de troca e disponível. Uma grande parceira. É uma felicidade que, nesses meus 18 anos de carreira, eu tenho encontrado bons colegas. Também estou criando coisas maravilhosas com o Thomás”, frisa. >
A atriz Isabelle Drummond é a grande antagonista de Coração Acelerado, obra que parte do pressuposto que toda música sertaneja conta a história de uma novela, A trama acompanha Agrado Garcia (Isadora Cruz), cantora e compositora criada na estrada, que cresceu em entre caravanas musicais e o sonho de viver da própria arte em um mercado historicamente dominado por homens. >
O ponto de partida da história está na infância de Agrado, quando ela conhece João Raul (Filipe Bragança) em um concurso de rádio. Unidos pela música, os dois são separados por um desencontro que dura anos. Já adulto, João Raul se tornou um fenômeno nacional do sertanejo, conhecido como ‘Mozão do Brasi’, mas vive insatisfeito com uma carreira controlada por contratos rígidos e pela pressão de sustentar o pai. Em busca de um novo rumo, ele passa a procurar a garota do passado, que marcou o início da sua trajetória artística. >
O reencontro acontece sem que os dois se reconheçam. Agrado cruza novamente o caminho de João Raul, enquanto ele vive um romance midiático com Naiane Sampaio, influenciadora digital e herdeira de um poderoso grupo empresarial. Acostumada à superexposição e ao controle da própria imagem, Naiane vende o relacionamento como um produto nas redes sociais, o que gera conflitos entre o casal. >
Mais tarde, a trama conta que Agrado e Naiane estão ligadas por uma história familiar comum. As duas pertencem à família Sampaio Garcia, que é historicamente marcada por rupturas e rivalidades provocadas por um passado que condenou o desejo feminino de cantar. Esses conflitos se conectam ao clã Amaral, responsável por um conglomerado que domina a economia e o entretenimento de Bom Retorno, com disputas de poder que atravessam gerações. >
Além do núcleo central, Coração acelerado constrói um retrato da cidade por meio de personagens e dos espaços que orbitam a trama, como as Ribeirinhas, guardiãs de saberes populares às margens do Rio Caturama; a rádio Estrela do Cerrado, responsável por difundir música e informação; e o bar do interior, que funciona como um ponto de encontro da comunidade. >