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Por que reclamar virou hábito? Livro de Isaac Edington propõe mudança de postura

Autor baiano analisa impacto da cultura da queixa nas relações e sugere práticas para romper o ciclo, dentro e fora das redes sociais

  • Foto do(a) author(a) Miro Palma
  • Miro Palma

Publicado em 17 de março de 2026 às 05:00

Presidente da Saltur, Isaac Edington reúne referências de áreas como neurociência, psicologia, linguagem e filosofia prática
Presidente da Saltur, Isaac Edington reúne referências de áreas como neurociência, psicologia, linguagem e filosofia prática Crédito: Divulgação

Reclamar virou quase um reflexo automático no cotidiano. Seja no trabalho, no trânsito ou nas redes sociais, a queixa aparece com frequência nas conversas. É justamente esse comportamento que o executivo baiano Isaac Edington coloca em discussão no livro Já Deu, Né? – Pare de Reclamar e Reinvente Sua Vida (Editora Noir | R$ 79,90), que será lançado nesta quinta (19), em evento para convidados.

A obra parte de uma provocação direta: reclamar é humano, mas construir é uma escolha. Ao longo do livro, o autor convida o leitor a refletir sobre como a cultura da reclamação se tornou comum na sociedade e de que forma ela influencia relações pessoais, ambientes de trabalho e até o clima coletivo das cidades.

Mais do que defender o chamado pensamento positivo, o livro aposta em uma mudança de postura. A proposta é estimular o leitor a identificar padrões de comportamento que levam à reclamação constante e substituí-los por atitudes mais práticas e construtivas.

“Na verdade esse incomodo me acompanha desde adolescente, com o passar dos anos, chegando a vida adulta ele foi ficando mais forte. Seja em casa, nas relações familiares, depois com os amigos e colegas, e na vida profissional. Isso foi crescendo ao longo do tempo”, diz Isaac.

Isaac Edington lança livro nesta quinta-feira (19)
Isaac Edington lança livro nesta quinta-feira (19) Crédito: Divulgação

Para sustentar a discussão, Edington reúne referências de áreas como neurociência, psicologia, linguagem e filosofia prática. O objetivo é explicar por que a reclamação pode se tornar um hábito automático e como esse padrão de pensamento acaba moldando a forma como as pessoas lidam com problemas.

A reflexão também avança para além da esfera individual. O autor observa que o ambiente digital, especialmente nas redes sociais, ampliou o espaço para críticas e queixas. “As redes sociais se tornaram, talvez, o ambiente mais fértil já criado para a cultura da reclamação. Elas funcionam como um amplificador emocional: qualquer frustração, irritação ou incômodo encontra ali um palco imediato, uma plateia disponível e, muitas vezes, uma recompensa rápida na forma de curtidas, comentários ou compartilhamentos. Isso cria um mecanismo perigoso. A pessoa reclama, recebe atenção e experimenta uma sensação momentânea de alívio ou validação. Só que, no fundo, nada foi resolvido. A reclamação vira um ciclo: desabafar, receber apoio, repetir”.

Além da análise, o livro apresenta caminhos práticos para quem deseja romper com esse padrão. A ideia é mostrar que pequenas mudanças de atitude podem transformar a forma como as pessoas enfrentam desafios do cotidiano.

“O primeiro passo é perceber que reclamar virou um hábito automático. A maioria das pessoas reclama sem nem notar — virou quase um reflexo. Quando você toma consciência disso, acontece uma virada simples, mas poderosa: em vez de perguntar de quem é a culpa?, você passa a perguntar o que eu posso fazer?”, pondera.

Com mais de três décadas de atuação nas áreas de gestão, comunicação, sustentabilidade e governança, Isaac Edington, presidente da Saltur — Empresa Salvador Turismo, construiu carreira tanto na iniciativa privada quanto no setor público. Entre os trabalhos mais conhecidos está sua atuação na organização de grandes eventos da capital, como o Carnaval e a Copa do Mundo de 2014.

“A gestão pública, especialmente na organização de grandes eventos, ensina uma coisa muito clara: reclamar não resolve problema nenhum — alguém precisa construir a solução. Em operações complexas, como o Carnaval de Salvador ou outros grandes eventos da cidade, surgem milhares de problemas todos os dias — às vezes, a cada hora, a cada minuto. Se a equipe ficar apenas apontando falhas, nada acontece. O que move tudo é gente que assume responsabilidade e age”, reflete o autor.

O livro também conecta reflexão e prática. No capítulo final, Edington cita o exemplo de Santa Dulce dos Pobres como símbolo de transformação pela ação. A publicação traz ainda um QR Code que convida o leitor a realizar uma doação às Obras Sociais, instituição que também receberá parte da receita obtida com a venda do livro.