Sem tratamento, a sífilis pode levar o paciente à morte

Na Bahia, durante o primeiro semestre de 2015, foram notificados 733 casos da doença, sendo 430 em pacientes do sexo feminino e 303 do sexo masculino, além de 558 casos de sífilis congênita

Publicado em 16 de outubro de 2015 às 23:24

- Atualizado há 10 meses

Estima-se que a cada ano ocorram 12 milhões de novos casos de sífilis no mundo, de acordo com dados recentes da Organização Mundial de Saúde. Apesar de curável, a doença requer cuidado e atenção. Transmitida sexualmente, verticalmente - ou seja, da mãe para o para o feto durante a gestação, ou por contato com sangue contaminado, ela é responsável por 29% de óbitos perinatal, 11% de óbitos neonatais e 26% de natimortos. Neste sábado (17), é celebrado em todo o Brasil o Dia Nacional de Combate à Sífilis. A conscientização é a melhor maneira de prevenir e tratar a enfermidade, que, muitas vezes, ataca o organismo do infectado de maneira silenciosa. Segundo dados divulgados pela secretaria de saúde da Bahia, no estado, no primeiro semestre de 2015, foram notificados 733 casos de sífilis, sendo 430 em pacientes do sexo feminino e 303 do sexo masculino, e 558 casos de sífilis congênita.O tratamento da sífilis é feito com antibióticos e deve ser acompanhado com examesclínicos e laboratoriais para avaliar a evolução da doençaEstágios e sintomas da doençaCausada pela bactéria treponema pallidum, a sífilis tem, em média, um período de incubação de três semanas. Mas isso pode variar de 10 a 90 dias. A doença se manifesta geralmente em três estágios diferentes: sífilis primária, secundária e terciária. Nos dois primeiros, os sintomas são mais evidentes e o risco de transmissão é maior. Depois, há um período praticamente assintomático, em que a bactéria fica latente no organismo, mas a doença retorna com agressividade.A lesão inicial da sífilis (forma primária) caracteriza-se pelo surgimento de uma ferida (úlcera), no local de inoculação, o qual depende das práticas sexuais do indivíduo. "Na maioria das vezes, localiza-se na região da genitália, sendo mais evidente no homem, por suas características anatômicas. Na mulher acomete, em geral os pequenos lábios, parede da vagina e colo uterino", explica a infectologista é Maria Alice Sena, do Hapvida Saúde.A médica explica que as úlceras podem surgir na região anal, bucal e intermamilar, em face de práticas sexuais extragenitais. "A principal característica da úlcera é ser indolor, bordas induradas, única, desencadeando, algumas semanas após, uma reação nos gânglios próximos à ulceração", ressalta. Mesmo sem tratamento específico, a ferida cicatriza após algumas semanas.Prevenção, diagnóstico e tratamentoO uso de preservativos durante as relações sexuais é a maneira mais segura de prevenir a doença. Mas a sífilis também pode ser transmitida nas relações anais e orais. Antes de engravidar, toda mulher deve fazer exame para verificar se é portadora da doença. Nas fases iniciais, o diagnóstico pode ser confirmado pelo reconhecimento da bactéria no exame de sangue ou nas amostras de material retiradas das lesões. Já na fase avançada, é necessário pedir um exame de líquor para verificar se o sistema nervoso não foi afetado.O tratamento da sífilis é feito com antibióticos e deve ser acompanhado com exames clínicos e laboratoriais para avaliar a evolução da doença. "Por se tratar de uma doença sexualmente transmissível, é necessário o tratamento conjunto de todos os parceiros sexuais do caso para que não haja reinfecções, visto que a doença não confere imunidade permanente", lembra a infectologista. A inobservância desses parâmetros pode ser responsável por falhas na terapia.Possíveis complicaçõesSem tratamento, a sífilis pode evoluir, se espalhar pelo corpo e causar complicações mais graves. Também pode aumentar o risco de infecção por HIV e, em mulheres, causar diversas complicações durante a gravidez. A sífilis congênita, por exemplo, pode causar má formação do feto, aborto espontâneo e morte fetal. Mas, na maioria das vezes, os sintomas só aparecem nos primeiros meses de vida. Pneumonia, feridas no corpo, alterações nos ossos e no desenvolvimento mental e cegueira são alguns deles.