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Moyses Suzart
Publicado em 25 de fevereiro de 2026 às 18:21
Você pode até não gostar de futebol, não saber sequer quais os jogadores da Seleção Brasileira deste ano ou só conhecer Vini Jr por conta da Virgínia. Mesmo que você não saiba nada de impedimento, tenho certeza que você sabe sobre a Seleção Brasileira da Copa de 1970. Sabe de Pelé, daquele time do tri mundial. Coloca, inclusive, aquele Brasil como o melhor de todos os tempos, mesmo sem entender zorra nenhuma de futebol, só porque seus pais ou avós falavam. Pois bem, finalmente aquele elenco vai ganhar uma minissérie digna de sua grandeza em pleno ano de Copa do Mundo, com estreia prevista para maio deste ano.>
A responsável por transformar a memória afetiva em dramaturgia é a Netflix, que anunciou “Brasil 70 – A Saga do Tri”, minissérie que promete recriar a campanha do tricampeonato mundial conquistado no Copa do Mundo FIFA de 1970. Não se trata apenas de revisitar gols históricos, mas de mergulhar nos bastidores, nas tensões políticas e na pressão que rondava aquela equipe que carregava mais do que uma camisa amarela, carregava um país inteiro nas costas, num Brasil fervilhando com ditadura e uma pressão de ganhar mais uma Copa na despedida de Pelé dos mundiais. >
As primeiras imagens divulgadas mostram um cuidado quase obsessivo com a caracterização. Lucas Agrícola aparece como Pelé, recriando gestos e expressões do Rei. Rodrigo Santoro surge na pele do técnico João Saldanha, enquanto Bruno Mazzeo interpreta Mário Zagallo, o homem que assumiu o time às vésperas do Mundial e entrou para a eternidade. Só essa trinca já sustenta qualquer expectativa.>
Netflix conta a história da Seleção de 70
Mas o elenco vai além dos nomes mais óbvios. A escalação inclui Ravel Andrade como Tostão, Hugo Haddad como Félix Mielli Venerando, Caio Cabral vivendo Carlos Alberto Torres, dono talvez do gol mais bonito da história das Copas. Gui Ferraz será Jairzinho, o Furacão que marcou em todos os jogos. Fillipe Soutto assume o papel de Gérson, o cérebro daquele meio-campo, e Daniel Blanco interpreta Roberto Rivellino, dono de uma das canhotas mais respeitadas do planeta.>
Produzida em parceria com a O2 Filmes, a minissérie promete reconstituir lances clássicos com imersão cinematográfica e, principalmente, jogar luz sobre o contexto fora das quatro linhas. O Brasil vivia o período mais duro do regime militar, e aquela seleção, ainda que involuntariamente, foi usada como símbolo de grandeza nacional. A narrativa, segundo os criadores, não foge desse cenário tenso. Pelo contrário, o incorpora como parte fundamental da história.>
A direção geral é de Paulo Morelli e Pedro Morelli, com episódios dirigidos também por Quico Meirelles. A criação é assinada por Naná Xavier e Rafael Dornellas. No elenco de apoio, nomes como Marcelo Adnet, Bruna Mascarenhas e Maicon Rodrigues reforçam que o projeto aposta em peso dramático e reconhecimento de público.>
Em ano de Copa, a escolha do timing não é coincidência. A ideia é simples e poderosa: enquanto uma nova geração acompanha Vini Jr e companhia tentando escrever sua própria história, o público poderá revisitar o capítulo que virou sinônimo de futebol-arte. Não é só sobre saudade. É sobre entender por que, mais de cinco décadas depois, quando alguém fala em “o melhor time de todos os tempos”, a memória coletiva ainda responde quase que unânime, mesmo que nem saiba chutar uma bola: Brasil de 70.>