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Marcelo Sant'Ana: Brasileiro ou europeu?

  • D
  • Da Redação

Publicado em 26 de março de 2014 às 07:44

 - Atualizado há 3 anos

Em 2003, o Campeonato Brasileiro deixou de ter o sistema com fase final em mata-mata e passou a usar os pontos corridos. A fórmula está consolidada e, raramente, voltam os debates. Hoje, ao colocar os olhos no futuro, é mais real debater qual futebol o torcedor brasileiro prefere acompanhar: brasileiro ou europeu?

Sim, caro leitor conservador, este colunista está te perguntando este aparente absurdo. A ideia é colocar em xeque justamente a escolha do seu coração, aquela que muitas vezes passa de pai (ou mãe) para filho. Qual futebol você prefere assistir?

Tenho um afilhado de 7 anos e, por hábito, gosto de observar o comportamento das crianças para refletir sobre as próximas tendências, embora, aos 32 anos, ainda seja também um jovem na vida. Esse costume não me deixa dúvida alguma. O futebol brasileiro está ultrapassado e com raros sinais de competitividade. Não há “arenas” ou maquiagem que deem jeito.

Meu afilhado é um devorador de futebol. Assiste qualquer jogo na televisão, inclusive, as reprises, mesmo quando já sabe o placar ou viu a partida. Nestes casos, a diversão é “prever” os lances. Sempre que falamos ao telefone, ele, que voltou a morar em São Paulo, faz uma ou outra pergunta do Bahia, mas gosta mesmo é de falar de Neymar, de Messi, do Bayern... Ou, no máximo, da Seleção Brasileira, única marca global do nosso futebol.

O sucesso absoluto de Real Madrid 3x4 Barcelona, as matérias sobre o título antecipado do Bayern no Alemão, a expectativa sobre os grandes jogos nas quartas de final da Liga dos Campeões, a curiosidade sobre quem vai ser campeão nas disputadíssimas Premier League ou La Liga... São recados mais do que claros. Estamos pagando a fatura mínima do cartão de crédito. O endividamento uma hora vai estourar o crédito.

A transformação no hábito de assistir futebol tem dois pilares: a venda internacional dos direitos de TV e a internet mais acessível a todos.

Na semana passada, a CBF divulgou a tabela detalhada do Brasileiro até a Copa, indicando também quais os jogos da TV nas nove rodadas.

O Bahia terá um jogo na TV aberta para Salvador (e dois para fora) e o Vitória, nenhum. Na TV fechada, o Vitória tem uma partida confirmada para Salvador (e duas para fora) e o Bahia, nenhuma para a capital baiana (e duas para fora).

Ao fazer um comparativo entre o Brasileiro e os campeonatos nacionais na Europa, a TV fechada vai passar todos os jogos das superpotências em La Liga, na Premier League e na Bundesliga. Logo, de hoje até a pausa para o Mundial, a TV fechada passará mais oito jogos de Barcelona e Real, sete de Chelsea, Liverpool, City, United e Arsenal; e sete do Bayern, já campeão antecipado.

O torcedor brasileiro que não quiser virar “colônia europeia”, além de pagar pela TV fechada, também tem que comprar o pacote do PPV. Ou seja: é mais fácil e mais barato “torcer” para um time do outro lado do Atlântico que assistir à dupla Ba-Vi.

A proximidade com os clubes europeus, a cada dia mais presentes no cotidiano, vai, aos poucos, adaptando a nossa cultura. Hoje, diferentemente de 20 anos atrás, falamos mais dos clubes europeus do que dos brasileiros que jogam lá, exceto se for um craque da Seleção, como Neymar. No futuro, além do risco de perdermos torcedores, perderemos consumo. Crise dobrada.

O público de 25.678 pagantes do Ba-Vi foi o melhor do futebol baiano na temporada. Suficiente para “encher meia Fonte”. O clássico “meia-boca” foi a primeira vez no ano que o Bahia viu um borderô positivo, com receitas superando despesas: arrecadação de R$ 766.391,00, mas líquido de R$ 313.137,75 (40,86%).

A preocupação da TV e do torcedor é buscar o espetáculo de melhor qualidade. Ao menos no Brasileiro e para quem está na Libertadores, a atenção do torcedor ainda continua aqui. Mas e o futuro? O bolo de aniversário de 7 anos com escudo do Bayern e meu afilhado com o kit infantil oficial do time de Munique me deixaram preocupados. Os dirigentes não estão nem aí.