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Gil Santos
Publicado em 13 de setembro de 2024 às 06:30
O cacau baiano cresceu e voltou a ser destaque no país. A pesquisa da Produção Agrícola Municipal (PAM), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), divulgada nessa quinta-feira (12), relevou que, em 2023, a Bahia retomou a liderança nacional na produção de cacau após cinco anos, com Ilhéus sendo o 4º maior produtor do país. >
Os pesquisadores investigaram 64 produtos nos municípios do Brasil que realizam esse tipo de produção. As fontes são as associações de produtores, órgãos públicos e entidades diversas ligadas à agricultura. Foram observados a área de campo plantada, a área colhida, a produção em toneladas e o valor da produção. Em 2023, a Bahia produziu 139.011 toneladas de amêndoas de cacau, cerca de 860 toneladas a mais que o ano anterior. >
O número representou alta de 0,6% em produção e de R$ 2,4 bilhões em vendas, 16,1% a mais que em 2022 (+R$ 326,6 milhões). Os baianos ultrapassaram o Pará, cuja produção foi de 138.471 toneladas, registrando queda de 5,2% em relação a 2022, e assumiram a liderança nacional. Os pesquisadores explicam:>
"Apesar de não ter tido a maior safra de cacau do país em 2023, o Pará tinha os três maiores produtores entre os municípios: Medicilândia (44.178 toneladas), Uruará (21.266 t) e Placas (12.788 toneladas). A Bahia aparecia na sequência, com Ilhéus (8.961 toneladas, 4º maior produtor), Wenceslau Guimarães (8.775 t, 5º maior) e Ibirapitanga (8.655 t, 6º maior produtor)", diz o estudo.>
A liderança nacional fez muitos produtores relembrarem os tempos áureos do cacau no Sul da Bahia. Antes da vassoura-de-bruxa destruir as plantações, na segunda metade da década de 1980, a região chegou a produzir 400 mil toneladas em um ano. Como o CORREIO mostrou em uma série de reportagens publicadas em março deste ano, o impulsionamento atual do mercado está relacionado com questões internas no estado e por razões externas ao Brasil. >
A primeira mudança foi na produção. A busca por espécies exóticas e nativas, combinada com árvores frutíferas, substituiu as técnicas antigas. Além disso, hoje, a cacauicultura baiana está presente em todo processo, desde a plantação até a comercialização direta ao consumidor, em forma de barra de chocolate. Essa mudança tornou a produção mais sustentável. >
Dados do Panorama do Mercado de Cacau, produzido pelo ItaúBBA, divulgados no começo do ano, mostraram que o ciclo de valorização do produto persiste em 2024, impulsionado pela demanda aquecida no mercado internacional. Na Bolsa de Nova Iorque, principal espaço para comercialização da commoditie agrícola, a valorização nos preços do produto foram de 63% em 2023 e de 22% nos primeiros meses de 2024.>
Os países da África são responsáveis por 70% de todo o cacau colhido no mundo. O Brasil é o sexto maior produtor mundial, e o primeiro fora da África. Em 2023, Costa do Marfim, principal produtor global, sofreu com um clima mais seco, seguido por período excessivos de chuvas. Isso contribuiu para a proliferação de doenças do cacaueiro, principalmente a do broto inchado, e o El Niño impôs clima mais seco e mais quente para a região.>
Entre dezembro do ano passado e março deste ano, a região sofreu também com movimentação dos ventos Harmattan, ou seja, ventos secos e frios que varrem a costa ocidental africana, atuando com forte intensidade nessa temporada.>
Queda >
Apesar da boa fase do cacau, de maneira geral o valor da produção agrícola da Bahia encolheu R$ 2,8 milhões em 2023. A produção total foi de R$ 43,3 bilhões, o que representou 6% a menos que os R$ 43,3 bi registrado em 2022. A queda foi puxada pela soja (menos R$ 3,7 bi), que, ainda assim, se manteve como o produto agrícola com o maior valor gerado no estado (R$ 17 bilhões). A supervisora do IBGE, Mariana Viveiros, explicou que os número são reflexo de uma conjuntura internacional. >
"Em 2022, tivemos um ano de recorde nos preços internacionais das principais commodities, como influencia da pandemia e do conflito entre Rússia e Ucrânia. Em 2023, já não temos mais essa conjuntura, os preços já não estão mais tão aquecidos, houve a superação da situação de pandemia e a guerra enfraqueceu como fator de influencia. Os preços desses produtos caíram", explicou.>
Outro fator apontado pela especialista foi o aumento da produção. Na Bahia, entre 2022 e 2023, a safra de grãos cresceu 12,2% e alcançou o recorde de 12,7 milhões de toneladas, porém, o valor gerado caiu 12,1% no período. >
Apesar da queda, a Bahia manteve o 8º maior valor agrícola do Brasil. Dos 45 produtos agrícolas pesquisados na Bahia, 28 cresceram de valor, liderados pela produção de manga (mais R$ 615,5 milhões), algodão (mais R$ 480,9 milhões) e cacau (mais R$ 326,6 milhões). Os municípios de São Desidério e Formosa do Rio Preto foram os mais bem posicionados no ranking nacional, no 2º e no 7º lugar do país, respectivamente. A cidade de Sorriso (MT) liderou a lista. >
A Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (AIBA), a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) e a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri) foram procuradas para comentar os resultados da pesquisa, mas ainda não se manifestaram. >
Confira as maiores produções de cacau por estado: >
Bahia (139 mil toneladas)>
Pará (138 mil toneladas)>
Espírito Santo (12 mil toneladas)>
Rondônia (5 mil toneladas)>
Amazonas (597 toneladas)>
Confira as maiores produções de cacau por municípios: >
Medicilândia (PA) - 44.178 toneladas >
Uruará (PA) - 21.266 toneladas >
Placas (PA) - 12.788 toneladas >
Ilhéus (BA) - 8.961 toneladas >
Wenceslau Guimarães (BA) - 8.775 toneladas >
Ibirapitanga (BA) - 8.655 toneladas >
Linhares (ES) - 8.321 toneladas >
Altamira (PA) - 7.278 toneladas >
Anapu (PA) - 7.150 toneladas >
Tucumã (PA) - 5.511 toneladas >