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Cesta básica de Salvador tem segunda maior alta entre capitais e chega a R$ 662,14

Tomate lidera aumento, com alta de quase 40% em relação a fevereiro

  • Foto do(a) author(a) Maria Raquel Brito
  • Maria Raquel Brito

Publicado em 9 de abril de 2026 às 05:00

Governo Lula quer alterar itens da cesta básica
Cesta básica Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

A cesta básica de Salvador ficou 7,15% mais cara entre fevereiro e março. Foi o segundo maior aumento das capitais do país, atrás apenas de Manaus, no Amazonas. Com o reajuste, o custo médio do conjunto de produtos passou para R$ 662,14, como aponta o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Em Salvador, são considerados 12 produtos para a cesta básica: feijão carioquinha, carne bovina de primeira, tomate, café em pó, pão francês, banana, arroz agulhinha, açúcar cristal, manteiga, leite integral, farinha de mandioca e óleo de soja.

Tomate: 38,21% por Shutterstock

Metade desses alimentos registrou aumento nos preços médios em março. No topo da lista está o tomate, que teve alta de 38,21%. Em seguida está o feijão carioquinha (15,73%), dono também da maior alta no acumulado dos últimos 12 meses. Depois, aparece a banana (8,54%), a carne bovina de primeira (4,69%), o arroz agulhinha (2,15%) e o pão francês (0,24%).

A alta segue a tendência nacional: todas as capitais registraram aumento no custo da cesta básica em março, de acordo com a pesquisa mais recente do Dieese. Cada produto tem a sua especificidade, mas alguns fatores ajudam a explicar o aumento geral. Entre eles está a questão climática, com as chuvas fortes que acompanham o fim do verão e afetam significativamente o cultivo de produtos como o tomate – um dos maiores prejudicados por ser muito suscetível à mudança climática e altamente perecível, como explica a economista Ana Georgina da Silva Dias, supervisora técnica do Dieese na Bahia.

O aumento no valor dos fretes é outro ponto importante para a composição dos preços finais dos alimentos. “Se a gente tem, por exemplo, aumentos no custo do combustível, no caso, do diesel, ou problemas de logística – as próprias chuvas que acabam tornando as viagens mais longas e encarecendo o frete –, isso também tem peso”, diz Ana Georgina.

A guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã também não pode ser descartada das questões que influenciam a alta de preços, impactando sobretudo a matéria-prima para os fertilizantes utilizados no Brasil e o custo dos combustíveis. “A Acelen, que é a refinaria que atende a Bahia, pratica preços alinhados com a cotação internacional do petróleo. Então, em alguma medida, ainda que a guerra não tenha sido preponderantemente o principal motivo para o aumento em março, já tem alguma influência”, adiciona Ana Georgina.

Em Salvador, o preço da cesta básica em março deste ano foi 4,51% mais alto que o mesmo período de 2025. Foi o segundo maior aumento do país, atrás apenas de Aracaju (SE).

Grande vilão

Além do tomate, outro produto chama atenção na hora de pagar a conta: o feijão carioquinha. O motivo é o acumulado dos últimos 12 meses, em que o item foi o campeão no quesito aumento, com uma elevação de 31,27%.

Diferente do tomate, cujo aumento está relacionado a questões externas, a alta do feijão pode ser associada à redução na área plantada nos últimos anos, devido à substituição por grãos como soja e milho, que tendem a ter um retorno melhor para os produtores – tanto pelo preço como pela possibilidade de exportação.

“Isso também se deve ao fato de que nos últimos anos, embora o feijão seja um queridinho dos brasileiros, o consumo tem diminuído. Muito em função de mudanças de hábitos, sobretudo dos trabalhadores que passam a comer mais fora de casa. O próprio advento do ticket dos restaurantes é um fator: muitas vezes, restaurantes self-service, por exemplo, tem variedades grandes de alimentos e o feijão acaba perdendo um pouco de espaço”, diz Georgina.

Peso no bolso

De acordo com o Dieese, um trabalhador soteropolitano que recebe salário mínimo precisou comprometer, em março, cerca de 44,16% da renda para adquirir a cesta básica (após o desconto de 7,5% da Previdência Social).

A porcentagem já é alta por si só, mas a discrepância aumenta quando consideramos que, em termos nutricionais, a quantidade considerada na cesta é suficiente para alimentar apenas uma pessoa adulta ou duas crianças durante um mês.

“Se você pensar em uma família de quatro pessoas, com dois adultos e duas crianças, você precisaria de três cestas dessas. O que mostra que ultrapassaria o valor bruto do salário mínimo, que é R$ 1.621. Isso sem contar com outros gastos. Até mesmo para garantir a alimentação, você precisa do botijão de gás, por exemplo”, diz a supervisora técnica do Dieese.

Segundo o Dieese, em março de 2026, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas, considerando aspectos como alimentação, moradia, vestuário, higiene e lazer, deveria ter sido de R$ 7.425,99 ou 4,58 vezes o mínimo atual. Em fevereiro, o valor necessário era de R$ 7.164,94 e correspondeu a 4,42 vezes o piso mínimo.

“Assim, a gente entende a grande distância entre o salário mínimo necessário, que é o que está na Constituição, e o salário mínimo vigente, a despeito de todo esse processo de valorização que vem acontecendo nos últimos anos. E o poder de compra dos trabalhadores, sobretudo quando tem altas tão significativas no preço dos alimentos, representado pela cesta básica, têm uma redução bem drástica”, analisa Ana Georgina.