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Maria Raquel Brito
Publicado em 6 de abril de 2026 às 05:00
Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por influenza aumentaram 191,95% na Bahia. Foram 254 casos entre 1º de janeiro e 27 de março deste ano, frente a 87 no mesmo período de 2025. As informações são dos boletins epidemiológicos da Secretária de Saúde do Estado da Bahia (Sesab). >
A SRAG representa os casos mais graves de infecções respiratórias, que podem levar à morte. Além das amostras de influenza, detectadas em 254 registros de SRAG em 2026, também foram confirmados 74 casos de covid-19. Outros 557 registros envolvem vírus não especificados, mais 557 foram atribuídos a outros vírus e 12 a diferentes agentes etiológicos.>
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A influenza A, conhecida popularmente como “super gripe”, vem puxando o crescimento da circulação de vírus respiratórios no Brasil. Nas últimas quatro semanas epidemiológicas, o número de mortes associadas ao vírus aumentou 36,9% no país, segundo o boletim InfoGripe, produzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). De acordo com o informativo, a Bahia é um dos estados em que há tendência de alta nas infecções respiratórias. >
A infectologista Clarissa Cerqueira explica que a “super gripe” é sazonal, sendo comum que os casos aumentem entre o outono e o inverno. “São vírus que tendem a aumentar nesses períodos mais frios, com maior permanência das pessoas em ambientes fechados. Também aumentam essa sensação de surto fora do comum uma baixa cobertura vacinal contra a influenza, um relaxamento das medidas de prevenção e uma maior circulação de outros vírus”, diz.>
No total, foram registrados neste ano 1.732 casos de SRAG na Bahia e 62 óbitos provocados pela infecção. Em comparação com o mesmo período de 2025, houve um aumento de 2,24% nos casos (1.694) e uma queda de 26% no número de mortes. >
Salvador também figura entre as cidades com sinal de crescimento nas ocorrências, sendo uma das 14 capitais com nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco, segundo o InfoGripe. >
Os principais sintomas da “super gripe” são os mesmos observados comumente nos quadros de gripe: febre, tosse, dor de garganta e coriza, sintomas de vias respiratórias superiores. “E nos casos mais graves, a gente pode observar a falta de ar, que é quando esse vírus desce para o pulmão e o acomete, dando o quadro de pneumonia”, diz Clarissa Cerqueira. >
O tratamento, por sua vez, inclui geralmente hidratação e medicação para febre e para dor. Casos mais graves ou de grupos de risco, porém, requerem retrovirais específicos para influenza e, a depender da situação, encaminhamento para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Cerqueira reforça que os profissionais não prescrevem antibióticos nesses casos.>
Diante desse cenário, especialistas reforçam a importância da vacinação como principal forma de prevenção. A campanha nacional contra a influenza começou no fim de março e segue até 30 de maio, com oferta gratuita nas unidades de saúde.>
“É fundamental que pessoas dos grupos prioritários como idosos, crianças, pessoas com comorbidades e profissionais da saúde e da educação estejam em dia com a vacina contra a influenza. Também é importante que gestantes a partir da 28ª semana recebam a vacina contra o VSR, garantindo proteção aos bebês desde o nascimento”, afirma a pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe, desenvolvido pelo Programa de Computação Científica da Fiocruz.>
A recomendação é que grupos mais vulneráveis procurem a imunização. Medidas como uso de máscara em locais fechados, higiene frequente das mãos e isolamento em caso de sintomas seguem indicadas para conter a transmissão.>
A campanha contra a influenza segue ativa em Salvador, com doses disponíveis em todas as salas de vacinação da rede municipal, de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h, para o público elegível.>