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Maria Raquel Brito
Publicado em 7 de abril de 2026 às 05:00
Duas semanas depois do início do prazo para a declaração do Imposto de Renda, quase 400 mil baianos entregaram os seus informes referentes a 2025. Entre o dia 23 de março e esta segunda-feira (6), 395.676 contribuintes declararam. >
A expectativa da Receita Federal é receber 1.739.076 declarações na Bahia até o fim do prazo, no dia 29 de maio – ou seja, mais de 80% da população do estado ainda precisa declarar.>
Das declarações feitas até o momento, 112.880 foram em Salvador, onde a previsão é de 564.569 até o fim do prazo.>
CHECKLIST IMPOSTO DE RENDA
A Receita Federal alerta que o contribuinte que realizar a declaração após o prazo previsto ou não fizer fica sujeito ao pagamento de multa por atraso, calculada da seguinte forma: existindo imposto devido, multa de 1% ao mês-calendário ou fração de atraso, incidente sobre o imposto devido, ainda que integralmente pago, observados os valores mínimo de R$ 165,74 e máximo de 20% do imposto devido; inexistindo imposto devido, multa de R$ 165,74.>
Em 2026, entre os critérios de obrigatoriedade estão rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584,00, rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte acima de R$ 200 mil, posse de bens acima de R$ 800 mil em 31 de dezembro de 2025, além de hipóteses ligadas à atividade rural (com receita bruta de R$ 177.920,00), ganho de capital e operações em bolsa.>
Uma das alternativas estimuladas pela Receita para facilitar esse processo é a opção pré-preenchida, que faz com que o contribuinte já inicie o processo declaratório com diversos campos já carregados automaticamente, sem precisar que sejam digitados. Até agora, esse foi o formato escolhido por 61,3% dos brasileiros que já declararam o IR em 2026. >
As informações de rendimentos, deduções, bens, direitos, dívidas e ônus reais são importadas da declaração do ano anterior, do carnê-leão e das declarações de terceiros, como fontes pagadoras, imobiliárias ou serviços médicos, por exemplo. A opção ainda permite que o contribuinte tenha prioridade na hora de receber a restituição. Entre as informações já carregadas, estão bens, salários e pagamentos do contribuinte. Informações como identificação, dependentes, salários ou aposentadoria recebidos, despesas com saúde e rendimentos de aplicações também são preenchidas automaticamente.>
De acordo com o educador financeiro Raphael Carneiro, a tendência é que essa opção seja cada vez mais utilizada. “Ela é mais prática, facilita bastante para o contribuinte. A gente já tem boa parte dos dados ali, então o contribuinte consegue preencher a declaração de Imposto de Renda com muito mais facilidade”, diz.>
A ferramenta é útil, mas vem levantando preocupações devido a uma mudança que começou a valer em 1º de janeiro de 2025, afetando a Declaração deste ano: a extinção da Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (DIRF). Antes, esse documento era obrigatório para aqueles que efetuam pagamentos e retêm impostos de renda na fonte, mas a prestação de informações foi redistribuída para o sistema eSocial e a Escrituração Fiscal Digital de Retenções e Outras Informações Fiscais (EFD-Reinf).>
Com a extinção dessa obrigação, os informes de rendimentos passaram a ser gerados diretamente pelos próprios sistemas de pagamento das fontes pagadoras, sem a estrutura padronizada historicamente vinculada à DIRF, de acordo com a Receita Federal. Na prática, a mudança recente na forma de envio pode acompanhar inconsistências, avalia a contadora, economista e administradora Emily Goes, coordenadora dos cursos de Gestão e Negócios da Universidade Salvador (Unifacs). >
“Como boa parte das informações da pré-preenchida vem de terceiros – como empregadores, instituições financeiras, imobiliárias, cartórios, planos de saúde e outras fontes –, qualquer erro no envio desses dados pode aparecer na declaração do contribuinte. A Receita vem ampliando a integração dessas bases para facilitar o preenchimento, mas isso não elimina o risco de inconsistência quando a informação de origem foi enviada com erro, atraso ou incompleta. No caso das empresas, essa preocupação cresce porque os dados usados pela Receita estão cada vez mais integrados a sistemas eletrônicos e rotinas digitais. Isso melhora o controle, mas também exige mais qualidade no envio”, diz. >
Veja a tabela com ganhos estimados com o novo imposto de renda após as mudanças
Por isso, segundo ela, a pré-preenchida “ajuda muito, mas não pode ser tratada como verdade absoluta. Ela precisa ser conferida com informes de rendimentos, comprovantes e documentos do contribuinte”. Caso erros aconteçam na declaração, a responsabilidade de conferir, corrigir e transmitir corretamente continua sendo dos contribuintes. >
“Sempre há possibilidade de cair na malha se houver divergências entre o que a empresa informou nos comprovantes de rendimentos e o que ela informou para a Receita Federal (e está na pré-preenchida). Nesse caso a empresa pode retificar as informações. É importante destacar que a responsabilidade pela emissão e pelo conteúdo dos informes de rendimentos é exclusivamente das fontes pagadoras. São elas empresas, órgãos públicos, instituições financeiras, entre outras, que geram, consolidam e disponibilizam aos contribuintes os comprovantes anuais de rendimentos, conforme previsto na legislação vigente”, reforça Jandira Ramos, chefe da Comunicação Institucional da Receita Federal da 5° Região. >
Dessa maneira, alguns cuidados são indispensáveis na hora de declarar o IR. Acompanhar e corrigir informações é essencial, reforça Carneiro. “É importante que cada pessoa confira se o que está ali é realmente o que foi observado ao longo do ano que se passou, com os informes de rendimento da empresa, com os comprovantes de pagamento, com as notas fiscais. A declaração pré-preenchida não tira a responsabilidade e a necessidade de acompanhar ao longo do ano, guardar informações e documentos. O que muda é que você não tem que preencher tudo, apenas fazer uma conferência dos dados e enviar.”>
Neste ano, a declaração do IR trouxe algumas novidades. Emily Goes destaca que passaram a ter mais força dados de renda variável, Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre operações comuns e day trade, informações do eSocial relativas a trabalhadores domésticos, recuperação de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARFs) pagos e uma melhor integração de dados de dependentes do núcleo familiar. Também foram incluídos alertas automáticos para erros comuns, como despesa médica muito acima do padrão ou ausência de chave Pix CPF para restituição. >
De acordo com ela, outra novidade importante foi o avanço do Receita Saúde, que passou a refletir de forma mais ampla as despesas médicas realizadas em 2025, substituindo a lógica antiga dos recibos de papel e reduzindo o risco de erros nesse tipo de dedução. A Receita também criou campo específico para informar ganhos com apostas de quota fixa (bets) e eventuais saldos mantidos nessas plataformas ao fim de 2025. Também passou a ser possível informar nome social, além de um campo opcional para raça e cor do titular e dos dependentes. >
"Na parte operacional, houve ainda a antecipação das restituições, que neste ano serão pagas em quatro lotes, e não em cinco como no ano anterior. E a Receita anunciou um movimento de maior automação, inclusive com geração automática de declaração para um grupo de contribuintes de menor renda com direito à restituição, no modelo que ela chamou de 'cashback do Imposto de Renda'", completa Goes.>