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Moyses Suzart
Publicado em 22 de março de 2026 às 18:24
Karen Pereira e Raphaella Castro são como um Opala 64. Correm, mas também bebem uma quantidade generosa de combustível por litro rodado. Ambas correram a terceira edição da Corrida Etílica do Baiano com propósitos diferentes. A primeira queria buscar o pódio e conseguiu, fazendo um percurso de 5 quilômetros em 25 minutos e sete segundos, a primeira colocada feminina. Já Castro nem sabe sua colocação, chegando em 52 minutos numa prova que levou 500 pessoas para a orla da Barra ontem. Contudo, ambas tinham o mesmo objetivo: celebrar a corrida de um jeito diferente: correr e beber, não necessariamente nesta ordem. >
Apesar de propósitos diferentes, ambas participaram da corrida mais etílica de Salvador com intuito de celebrarem o finalzinho do verão com um pouco de saúde, muita cerveja e mais de quatro horas de axé, fechando o verão 2026 com chave de ouro, da mesma cor da breja. “É a melhor corrida do mundo, me preparei há um ano e precisa de muito preparo físico para chegar. A corrida te dá a oportunidade de fazer seu próprio objetivo. Eu queria vencer”, disse Keren, que decidiu beber somente depois da corrida. Já Raphaella, o objetivo era apenas curtir. Caminhou e correu, mas sempre com uma latinha de cerveja na mão. “Aqui não importa como você chegue. O que importa é celebrar a festa”, disse Castro. >
A regra da corrida era não ter regra. Diferente de outras provas de corrida, a corrida do Baiano teve outro propósito. Não importava como você chegasse na linha de chegada, mas o quanto você conseguia beber. Com uma média de 5 litros de cerveja por corredor, apesar de ter água nos ponto de hidratação da prova, o que o povo queria era cerveja ao longo do percurso, que começou no Clube Espanhol, foi até o Farol, retornou até Ondina e terminou na largada. E tinha gente caminhando, burlando o percurso e até de patinete. “Eu sou apenas sabor atleta. Não importa como chegue, importa saber como vou aguentar beber”, resumiu Alberto, que decidiu fazer o percurso de corrida de patinete. E, mesmo assim, ganhou medalha.>
“É uma corrida que não visa a performance. É uma celebração que leva a essência de ser baiano. Só não pode ser frufru, sem frescura, apenas curtição”, celebrou Baiano, organizador da prova. Após a prova, os inscritos ainda escutaram mais de quatro horas de axé das antigas, com cerveja, churrasquinho, hambúrguer e picolé da fruta. A primeira edição aconteceu ano passado, com pouco mais de cem pessoas. A segunda, também em 2025, contabilizou 100 inscritos. Na atual, 500 cabeças etílicas que fingiram correr para beber, ou vice versa. >
“O bom da corrida é que você mesmo faz seus objetivos. Eu decidi correr para ganhar e consegui. Agora, tô bebendo aqui com meu marido, que sequer correu, pois se machucou jogando bola. Até meu chefe tá aqui comigo. O bom é que posso beber à vontade, pois entro de férias amanhã”, disse Keren, que levou como premiação kits carne, entre outros prêmios pelo pódio. >
“Nem imaginava ganhar tanta coisa, na próxima edição vou atrás do pódio novamente, depois começo a beber”, completou Karen, que naquela altura do campeonato já fazia malabarismo com o copo de cerveja, equilibrando o dito cujo na cabeça, enquanto descia até o chão. Até quem não pretendia beber entrou na onda. O empresário Sidnei Ataíde se inscreveu na prova, pois sabia que teria cerveja zero álcool também. Caiu no autoengano. Com uma hora de festa, já estava no terceiro copo de cerveja com álcool.>
Terceira corrida etílica do Baiano
“Pretendia ir para o jogo do Vitória, mas agora vou ter que ir de carona. Acabei bebendo aqui. Que festa gostosa, tem como segurar a onda não”, resumiu Sidnei, que ainda pretendia ver o Leão jogar no Barradão, contra o Mirassol. >
Olivia Borges é outra que adorou a corria. E olhe que ela odeia correr, ou pelo menos já tinha cinco anos sem praticar. “Corri, andei e bebi. Não sou muito de correr, de fazer exercício físico, nem de beber. Mas a corrida etílica é tão legal que fiz as duas coisas e adorei”, disse Olívia, que não se preocupou com a prova, apenas curtiu o momento. >
Apesar da informalidade, a corrida etílica tinha regras. Na corrida, precisava passar pelos pontos de hidratação e pegar uma xuxa de cabelo para confirmar que passou pelo local. Foram três pontos, mas tinha gente com mais. “Rapaz, estou com quatro xuxas, não sei como consegui essa aqui”, disse Olívia. >
A corrida começou pontualmente às 7h13 e o show, que iniciou às 8h30, foi até 13h. O chopp ficou disponível para os inscritos do início ao fim. Quem não queria correr, ficou lá mesmo. “Muita gente critica pelo fato de misturar algo como corrida com bebida. Mas a corrida é apenas um pretexto para celebrar isso aqui. De uma corrida despretensiosa, fizemos uma com 500 pessoas. E pretendemos crescer ainda mais”, avisou o Baiano, que ainda não tem uma data para a próxima edição. Se você se acha um Opala, esta é a corrida para você. >