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Maria Raquel Brito
Publicado em 7 de maio de 2026 às 05:00
Um perfume e um “chinelinho”: Maya, de seis anos, sabe exatamente o que sua mãe quer ganhar no próximo domingo. Nesta quarta-feira (6), ela foi com a avó Valéria Miguel, de 62 anos, garantir os presentes. Tem sido assim há alguns anos. Na semana do Dia das Mães, as duas saem escondidas para comprar os mimos e fazer surpresa na data. >
“Desde que ela era menorzinha eles falam do Dia das Mães na escola, fazem alguma lembrancinha, tem comemoração. Como os pais dela estão separados, a avó aqui é quem compra o presente para a mãe dela”, diz Valéria. >
Elas estão entre as muitas famílias que presentearão no Dia das Mães em Salvador. A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) estima um aumento de cerca de 3% nas vendas do Dia das Mães nas lojas da capital e da Região Metropolitana de Salvador (RMS). O Dia das Mães é a principal data comemorativa do comércio no primeiro semestre. >
Dia das Mães movimenta comércio em Salvador
No período, a CDL estima que os setores mais movimentados serão os de vestuário, perfumaria, acessórios, calçados e eletrônicos. Para a data, a instituição aguarda um tíquete médio em torno de R$ 150.>
A nível estadual, a projeção é semelhante. O faturamento do varejo baiano deve aumentar em média 4,5%. A expectativa do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Estado da Bahia (Sindilojas) é que haja um crescimento de ao menos 5% nas vendas em relação ao ano passado no estado. “Nós estamos confiantes que vamos ter um mês de maio muito positivo para a realidade que o país enfrenta hoje, de uma situação caótica na atividade econômica”, diz Paulo Motta, presidente do sindicato. >
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia (Fecomércio), por sua vez, espera um faturamento de R$ 15,2 bilhões nos setores relacionados à data comemorativa, 4% a mais que no mesmo período do ano passado. >
A Fecomércio analisou seis atividades, das quais três devem apresentar desempenho positivo, enquanto as demais tendem a registrar retração. Os setores de consumo básico devem se destacar, como farmácias e perfumarias, com crescimento estimado de 8%, e supermercados, com alta prevista de 4%. O terceiro é o grupo “outras atividades”. Embora inclua a venda de combustíveis, que reúne setores como joalherias, lojas de chocolates, artigos esportivos, entre outros. A expectativa é de crescimento expressivo, também na ordem de 8% na comparação anual. >
Os artigos dos segmentos mais procurados têm algo em comum além da popularidade no Dia das Mães: estão entre os que mais encareceram no acumulado de 12 meses. As bijuterias aumentaram 13,69%, influenciadas pela alta do ouro e da prata no mercado internacional. Em seguida, estão produtos para cabelo (8,79%), sapatos femininos (7,48%) e sandálias (7,47%). >
O planejador financeiro Raphael Carneiro destaca que os aumentos são consideráveis e estão acima da inflação. Segundo ele, a tendência desses períodos é tradicionalmente que fiquem mais caros, porque são mais procurados. “[A saída] é programar o que quer comprar e se planejar antes, não deixar para a última hora. Quando a gente espera até a última hora a tendência é gastar mais, porque não vai ter muitas opções, as coisas estão mais caras, o tempo está limitado. Então é tentar ao máximo se programar e comprar com antecedência”, afirma.>
Foi assim que Maria Dalva, de 56 anos, garantiu o presente da mãe. Todo ano, ela e os irmãos sondam o que a mãe quer ou precisa e compram com antecedência – para chegar a tempo no interior onde ela mora e, claro, para economizar. >
“Minha mãe já tem 85 anos. A gente vai comprando as coisinhas que ela pede, que não teve oportunidade antes. Hoje, estando dentro das nossas possibilidades, a gente faz o que pode para agradá-la. Este ano ela queria um micro-ondas porque o dela quebrou, nós compramos e já mandamos para o interior. Ela não sabe ainda, vai ficar hiper feliz”, conta Dalva.>
Para quem deseja agradar a mãe sem que o presente pese no bolso, Raphael Carneiro tem algumas dicas. Segundo ele, é preciso ter cuidado em datas comemorativas, porque existe um apelo emocional forte em dar bons presentes ao pai, à mãe, irmãos, amigos… É aí que entra o cuidado de se programar. >
“O ideal é pensar no ano, juntar essas datas comemorativas, se puder. Estipular um valor que vai gastar ao longo do ano e a partir daí separar mensalmente para ter esse valor”, orienta.>
Muitas vezes, a vontade de presentear bem supera o orçamento, o que resulta no parcelamento, naquele velho raciocínio: se parcelar, cabe. Mas, a realidade não é bem essa. “É fundamental entender bem o valor que se pode gastar, entender bem esse cenário para definir um valor e não extrapolar. Entender que a parcela pode caber, mas existem outras coisas que vão compor o orçamento do mês”, diz.>
Outro ponto importante, afirma Carneiro, é entender que a parte mais importante não é o presente. Ele reforça que não é possível compensar ausências ou comprar alguém com presentes. >
“A gente tem a tendência de usar o presente para mostrar que gosta de alguém, mostrar que dá importância. É preciso ter cuidado com isso. E até informar a pessoa, às vezes, a dificuldade, a situação profissional, ‘esse ano eu lembro assim’, ‘esse ano eu consigo isso’, ‘lembrei de você’. O mais importante é lembrar, é o carinho, é o momento, e não pensar em valores para poder comprar presente”, afirma.>