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Bruno Wendel
Publicado em 27 de abril de 2026 às 08:30
A dor do auxiliar de produção Jurandy Silva Santana, 51 anos, permanece a mesma desde 2 de agosto de 2014, quando o filho Geovane Mascarenhas, então com 22 anos, foi sequestrado e, segundo a acusação, decapitado dentro de uma unidade da Polícia Militar, no Lobato. Quase 12 anos depois, sete policiais militares vão a júri popular a partir das 8h desta segunda-feira (27), no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador — será a primeira vez que Jurandy estará frente a frente com os acusados.
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“O sofrimento é grande, mas espero que a justiça seja feita. Doze anos não são doze dias. A expectativa é de uma resposta positiva para que a família se sinta um pouco aliviada”, afirma. Para Jurandy, a proximidade do julgamento reacende traumas. “Eles não destruíram só Geovane, acabaram com nossa família. Me destruíram, destruíram a mãe dele. O avô dele morreu de depressão. Se a Justiça existe, é para ser feita”, diz.>
Caso Geovane: PMs são julgados quase 12 anos após o crime
O caso ganhou repercussão nacional após o CORREIO acompanhar a busca do pai pelo paradeiro do filho - cobertura que originou documentário exibido em festivais internacionais.>
Segundo a denúncia do Ministério Público da Bahia (MP-BA), Geovane foi sequestrado, morto e esquartejado por policiais da Rondesp BTS. Parte dos restos mortais foi encontrada em Campinas de Pirajá e outra no Parque São Bartolomeu.>
Após a instrução, foram mantidas as acusações de sequestro, roubo - já que a motocicleta e o celular da vítima não foram localizados -, ocultação de cadáver, formação de quadrilha e homicídio qualificado.>
O advogado da família, Paulo Kleber Carneiro Carvalho Filho, que atuará como assistente de acusação, avalia que o conjunto probatório sustenta a expectativa de condenação. Caso haja necessidade de estender o julgamento, os dias 28 e 29 de abril, estão designados para a continuação do júri.>
Serão julgados o subtenente Cláudio Bonfim Borges; o sargento Daniel Pereira de Souza Santos; os soldados Roberto Santos de Oliveira, Alan Moraes Galiza dos Santos e Alex Santos Caetano; além do ex-soldado Jesimiel da Silva Resende. O soldado Jailson Gomes Oliveira responde pelos mesmos crimes, com exceção da ocultação de cadáver.>
Com exceção do ex-soldado, os demais seguem na ativa. Inicialmente, 11 policiais foram denunciados, mas quatro acabaram absolvidos no curso do processo.>