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Raquel Brito
Publicado em 8 de novembro de 2023 às 05:00
Seguir um planejamento financeiro e manter o nome limpo é um desafio para muitos soteropolitanos. De acordo com os dados do Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas da Serasa, em setembro de 2023 havia mais de 1,2 milhão de inadimplentes em Salvador e mais 4,5 milhões na Bahia, o que deixa o estado em quarto lugar no Brasil, atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Entretanto, para quem tem múltiplas dívidas e está decidido a sair do vermelho, a educadora financeira Lai Santiago traz dicas de como começar a quitá-las. >
Numa situação de múltiplo endividamento e em que a pessoa não tem condições de fazer a quitação geral, Lai diz que o foco seria priorizar a dívida que está negativando o nome do consumidor, que pode ser consultada no aplicativo da Serasa. “A dívida que está sujando o nome é a que vai impactar, de fato, na hora de buscar crédito na praça, na hora de pedir um cartão de crédito, de abrir uma conta bancária, de pegar um financiamento imobiliário, comprar um carro. Isso pode acabar atrapalhando a realização de muitos sonhos, porque a gente sabe que o crédito é um impulsionador da vida financeira das pessoas”, conta.>
Entre as principais causas de endividamento, ela cita o cartão de crédito como o maior responsável: sozinho, ele é motivo de quase 30% das negativações, e carrega, no crédito rotativo (opção dada ao cliente quando ele não paga a fatura total do cartão até a data de vencimento), os juros mais altos do mercado. >
“Isso acontece porque, muitas vezes, o uso do cartão é feito de forma impulsiva, sem um acompanhamento, uma estratégia ou um planejamento de gastos. A pessoa pode acabar acumulando diversas parcelas dentro do cartão e se atrapalhar na hora do pagamento, não conseguir pagar a fatura integralmente e pagar apenas o mínimo”, diz. >
Para acabar com a dívida, a orientação é negociar com a instituição financeira para a qual se está devendo e buscar uma alternativa para quitar ou parcelar esse valor com juros mais controlados. A especialista indica ainda que o valor da parcela na negociação não ultrapasse dois terços da capacidade de pagamento do endividado. Por exemplo, se essa pessoa consegue pagar parcelas de no máximo R$300, o ideal é que a parcela seja, na verdade, de R$200, para que ela consiga guardar R$100 mensalmente. “Esse valor de, digamos, um terço, vai ser provisionado justamente para que a pessoa forme uma pequena reserva de emergência caso imprevistos aconteçam e para que, lá na frente, se ela conseguir acumular um montante legal, ela possa antecipar o pagamento e ganhar mais descontos”, afirma. >
A especialista reforça que todas as pendências são importantes e precisam ser quitadas, uma vez que tudo que consta no CPF da pessoa afeta o histórico dela. “[A dívida] pode atrapalhar que a pessoa consiga negociar com os bancos, conseguir crédito, conseguir fazer uma compra parcelada numa loja. Então, todas as dívidas precisam ser pagas, até mesmo aquelas mais antigas”, reitera. >
Para que as pessoas e as famílias não entrem num quadro de inadimplência devido ao cartão de crédito, a economista indica que o crédito seja utilizado de forma consciente. Algumas medidas possíveis são:>
*Com orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro >