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Yan Inácio
Publicado em 30 de agosto de 2025 às 15:00
Os soluços são espasmos involuntários do diafragma que podem acontecer quando você come rápido demais, bebe algo muito gelado ou até quando fica estressado. Geralmente, o incômodo passa naturalmente ou com o uso de algumas técnicas passadas de geração em geração. Mas quando soluçar demais pode ser um problema? >
Quem responde à dúvida é o médico gastroenterologista Luiz Almeida. “Toda vez que o soluço durar mais do que 48 horas, estamos diante de um soluço persistente que pode ter causas mais graves, entre elas doença do refluxo gastroesofágico, alguma irritação do nervo da região do pescoço ou do tórax, e até compressões tumorais”, explica (saiba mais sobre as principais causas do soluço persistente abaixo).>
Na maioria das vezes, essas alterações são temporárias e inofensivas. “Quando a gente come muito rápido, ou come falando, isso acaba levando a um acúmulo de gás e uma distensão do estômago, além de uma irritação direta”, detalha o médico. Fatores emocionais também são causas comuns de soluço: além do estresse, crise ansiedade e até de euforia podem levar a soluçõs. Ingestão de bebidas alcoólicas e comidas apimentadas demais também entram na conta.>
Todo mundo conhece a velha dica de segurar o ar de 10 a 15 segundos para parar o soluço, mas o que acontece quando fazemos isso? “Isso leva a um acúmulo de gás carbônico no sangue, que é o CO2, e que pode ajudar no relaxamento do diafragma”, conta o médico. Respirar em um saco de papel - nunca de plástico, alerta o médico - e juntar o joelho em direção ao tórax para comprimir o diafragma são outras técnicas boas para interromper as contrações.>
O refluxo ocorre quando o conteúdo ácido do estômago retorna ao esôfago, causando irritação. Essa irritação pode estimular diretamente o nervo frênico, que controla o diafragma, desencadeando os espasmos característicos do soluço. A inflamação constante da mucosa esofágica mantém o nervo em estado de hiperexcitação, podendo levar a crises de soluço que se perpetuam.>
Nesses casos, um tumor localizado na região do pescoço, tórax ou até mesmo no abdômen pode comprimir fisicamente o nervo frênico ou o nervo vago. Essa pressão interfere no sinal nervoso normal que chega ao diafragma, fazendo com que ele se contraia de forma descontrolada e repetitiva. É importante investigar, pois o soluço persistente pode ser um dos primeiros sinais de uma massa tumoral em estruturas como pulmão, esôfago ou mediastino.>