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Bruno Wendel
Publicado em 23 de março de 2026 às 14:58
Numa tentativa de controlar o tráfico de drogas em Tancredo Neves, o Comando Vermelho (CV) realizou mais uma ofensiva contra um dos poucos territórios do bairro sob o comando do Bonde do Maluco (BDM). Desta vez, o ataque foi no Alto do Macaco, alvo de três investidas neste fim de semana, todas de “bondes” diferentes do CV. O caso mais recente aconteceu na madrugada deste domingo (22), quando tiros perfuraram casas, carros e até uma igreja. Além das marcas físicas, ficaram os traumas.>
“Eles pararam nas escadarias e ficaram chamando: ‘cadê vocês?’, ‘não vão aparecer, não?’ e tornavam a atirar. Imagina a gente dentro de casa escutando tudo isso? Ninguém teve coragem de sequer pôr a cara na janela, mesmo quando amanheceu. Só quando um monte de viaturas da polícia chegou foi que a gente saiu para contabilizar os estragos”, conta uma dona de casa ao CORREIO, na manhã desta segunda-feira (23). Ela vem tentando vender o imóvel há meses. “Mas as pessoas desistem quando ficam sabendo desse conflito”, emenda.>
CV promove três ataques e espalha pânico em Tancredo Neves
Quem testemunhou relata momentos de terror. “Foi terrível. Meus filhos e eu estamos apavorados até agora. Foram muitos tiros. Parecia um arsenal de guerra e a gente não sabia a quem recorrer, porque ligamos para a polícia e nada. Peguei minhas crianças e fomos todos para debaixo da cama. Só saímos quando amanheceu.”>
O Alto do Santo Antônio, conhecido popularmente como “Alto do Macaco”, fica no entorno do Conjunto Residencial Arvoredo. O ataque de domingo aconteceu na Rua Gilson Fonseca, por volta das 2h e, segundo testemunhas, foi realizado por integrantes do CV do Cabula VII, que fica do lado oposto da pista. “Vieram a pé. Foi só atravessar e já estavam aqui. Mais de 20 homens. Antes de começar a atirar, revistaram os moradores que estavam na rua, nos bares. Procuravam armas. Em seguida, se dividiram e foram atrás dos rivais”, relata um morador.>
Durante o dia, os moradores contabilizaram o estrago. O dono de uma loja de materiais de construção teve a picape vermelha atingida pelas balas. “É o único carro que tenho para fazer o transporte para os meus clientes e ficou deste jeito”, lamenta ao olhar para o veículo com a lataria perfurada na carroceria, portas, capô e retrovisor. Outros carros também foram atingidos.>
As marcas da violência também ficaram nos portões, portas e janelas de várias residências. Nem uma igreja escapou: foram 10 perfurações. “A sorte é que estava vazia, mas às vezes o pessoal fica lá dentro até tarde, passando da madrugada”, relata um comerciante.>
De acordo com os moradores, as investidas do CV começaram no início do fim de semana. O primeiro ataque foi na sexta-feira (20), por volta das 22h. No sábado (21), ocorreu no início da tarde, pouco depois das 12h50. “O pessoal está comentando que foi recrutado um grupo da Rua Bahia, que fica no final de linha de Tancredo Neves, e da Engomadeira”, conta uma comerciante.>
O CORREIO pediu um posicionamento à Polícia Militar, para saber quais ações foram implementadas, para garantir a sensação de segurada aos moradores, mas até agora não há resposta. >