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Maria Raquel Brito
Publicado em 23 de abril de 2026 às 05:00
Os óbitos em decorrência de hipertensão arterial aumentaram 78,5% na Bahia. Nos dois primeiros meses de 2026, 25 pessoas morreram devido à doença, frente a 14 no mesmo período de 2025. Os dados são do Ministério da Saúde, disponibilizados no DataSUS. >
Além do aumento significativo em relação ao ano passado, o número de mortes no início deste ano é o maior dos últimos seis anos para janeiro e fevereiro.>
De acordo com Thamine Lessa, médica clínica geral na Clínica Florence, o aumento de complicações e doenças associadas à hipertensão está diretamente ligado ao subdiagnóstico da condição e à baixa adesão dos pacientes ao tratamento, especialmente no que se refere às mudanças no estilo de vida. >
“Aqui a gente fala de estresse, de má qualidade da alimentação, uso excessivo de sal, consumo excessivo de bebidas alcoólicas. O que a gente tem visto é, cada vez mais, uma sociedade de performance, de busca por resultados. Isso gera estresse. É muito preocupante”, diz.>
A visão do cardiologista Jadelson Andrade, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia e membro titular da Academia de Medicina da Bahia, segue a mesma linha. “Estes dados são muito preocupantes, porque tem sido observado um aumento da prevalência de pessoas com pressão arterial não controlada. Estima-se que 30% da população brasileira tenha hipertensão arterial e que esta prevalência vem aumentando progressivamente nos últimos dois anos e nos primeiros quatro meses de 2026”, afirma.>
O que você precisa saber sobre a hipertensão arterial pulmonar
A hipertensão é uma enfermidade crônica que consiste na elevação constante da pressão arterial, quando os valores das pressões máxima e mínima são iguais ou ultrapassam os 140/90 mmHg (ou 14 por 9). Pode levar a complicações como acidente vascular cerebral (AVC), infarto e comprometimento das funções dos rins. >
Já faz mais de um ano que a estudante Daiane Alves, 40, convive com a hipertensão arterial – pelo menos oficialmente. Isso porque a pressão alta é uma doença silenciosa, que costuma não apresentar sintomas. Desde que recebeu o diagnóstico, após fazer exames de rotina, ela tem feito alterações árduas, mas necessárias na rotina. >
“A descoberta foi muito difícil pra mim, porque eu sempre gostei muito de comer coisas como acarajé, feijoada, mocotó… E agora os cuidados estão redobrados com reeducação alimentar e zero sal. Hoje pratico atividade física, boxe três dias na semana e academia nos demais dias, e também tomo medicação”, conta. >
Uma série de fatores aumenta as chances de alguém ter uma pressão arterial elevada. Em grande parte dos casos, a hipertensão é herdada dos pais, mas elementos relacionados a estilo de vida também fazem a diferença.>
Como mencionado por Thamine, tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas, estresse, consumo alto de sal e falta de atividade física influenciam consideravelmente nos níveis de pressão arterial. >
A incidência aumenta conforme a idade, e alguns grupos também têm uma predisposição à condição. É o caso dos diabéticos e das pessoas negras. No caso dos diabéticos, o motivo é a maior produção de insulina, que altera o funcionamento do sistema nervoso simpático e ajuda a elevar a pressão arterial.>
Já as causas para a maior prevalência em pessoas negras tem uma explicação multifatorial, diz Jadelson Andrade. Uma das razões seriam os fatores genéticos, com pessoas com mais melanina tendo mais predisposição à retenção de sal. >
“Um outro aspecto diz respeito a pigmentação da pele por um espectro genético ligado à biossíntese da melanina, que seria responsável pelo aumento da pressão arterial. E diversos outros aspectos socioeconômicos e culturais são associados a este fato, mas sem uma comprovação definitiva”, explica. Entre as pessoas que faleceram em decorrência da hipertensão nos dois primeiros meses deste ano, 21 se declaravam pardas, duas como negras e outras duas brancas.>