Lêndea não morre! 5 coisas que você não sabia sobre piolho

De cabelo em pé: tire mais dúvidas sobre transmissão, sintomas, tratamento e também quais são as formas de prevenção

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  • Priscila Natividade

Publicado em 3 de março de 2024 às 11:00

Não só crianças, mas os adultos também podem passar por uma infestação
Não só crianças, mas os adultos também podem passar por uma infestação Crédito: Shutterstock

Quando a cabeça da criança começa a coçar, o alerta acende imediatamente. Não é possível, será que é piolho? Quem é pai ou mãe e não se debateu com esse problema, não tem noção da saga que é conter uma infestação do parasita Pediculus Humanus. Eles gostam de calor, se multiplicam com facilidade e deixam a casa toda em pânico ao menor sinal de infestação. Entra ano e sai ano, as aulas escolares voltaram e, infelizmente, o piolho também para o desespero geral dos pais.

O piolho é um inseto, um agente externo que se alimenta exclusivamente de sangue, prefere ambientes quentes e costuma depositar seus ovos bem próximo da região da raiz dos cabelos, principalmente na parte de trás da cabeça. E até os próprios pais podem ser vítimas da infestação. Se vaciliar, a família inteira também, como explica o presidente do Departamento de Dermatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Jandrei Markus.

“Não só crianças, mas os adultos também podem passar por uma infestação. Não é a pessoa que cria resistência. É o piolho que está respondendo menos ao tratamento”, ressalta Jandrei Markus. E se alguém pode estar se perguntando se o piolho tem preferência por algum tipo sanguíneo ou coisa assim, o pediatra diz que não: “É mito. O mais importante é o contato”. Veja abaixo mais cinco curiosidades sobre o piolho:

1. Em que época do ano os surtos de piolho são mais comuns? O piolho é um agente que é transmitido, principalmente, no contato de uma pessoa com a outra, ou seja, ele não pula nem voa como muita gente pode pensar. E sim, o lugar onde as crianças acabam se aglomerando é diariamente o ambiente ideal para ele se proliferar, por isso, na volta às aulas, o surto se torna tão comum. Trocas de chapéus, bonés, acessórios de cabelo também aumentam o risco e até mesmo uma selfie mais de pertinho. “As crianças que voltam das férias costumam se abraçar mais, ficar mais próximas. É nesse momento que aumenta bastante o número de casos. Chegam muitos casos ao consultório de crianças de 3 a 4 anos e isso costuma ir até os 11 anos”, esclarece o presidente do Departamento de Dermatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Jandrei Markus. “Antigamente se falava muito que os piolhos estavam relacionados a falta de higiene e isso não é verdade. Entre os sintomas da pediculose está a coceira do couro cabeludo, sobretudo, na região atrás da cabeça”, complementa.

2. O que é mito sobre a infestação de piolhos? Quem tira essa dúvida também é Jandrei: “Tem muita receita caseira que é mito. Era muito comum ver gente chegar a usar querosene, gasolina e álcool no cabelo. Ainda existem, no entanto, algumas pessoas que usam maionese, óleo de oliva, óleo de soja, óleo de cozinha usado, por exemplo. Porém, é preferível optar pelas medicações que já existem. Hoje o mercado dispõe de várias opções”. E sobre as verdades, a medicação não mata as lêndeas, só os piolhos. “Aí não tem jeito: é olho atento, paciência e um pente-fino na mão para eliminar todos os ovos mesmo após o uso da medicação”.

3. E o que é verdade? E sobre as verdades, a medicação não mata as lêndeas, só os piolhos. “Aí não tem jeito: é olho atento, paciência e um pente-fino na mão para eliminar todos os ovos mesmo após o uso da medicação”, acrescenta Markus.

4. Quanto tempo vive o piolho? Um piolho incomoda muita gente, mas três tipos incomodam muito mais. Existe o piolho da cabeça (Pediculus humanus capitis), o do corpo (Pediculus humanus corporis) e o da região pubiana (Phthirus pubis), que é mais conhecido como ‘chato’. No geral, o inseto passa por três estágios de desenvolvimento. O primeiro são os ovos ou as lêndeas, que se prendem ao fio com uma espécie de ‘cola’ que é produzida pelo próprio parasita. De 7 a 10 dias, os ovos se transformam em ninfas, estágio do piolho assim que ele deixa de ser lêndea. Entre 9 e 12 dias, ele chega a fase adulta, onde costuma viver uma média de 30 dias. Nesse tempo, uma fêmea produz entre 150 a 300 ovos.

5. Vinagre funciona mesmo? Ainda que não tenham estudos científicos sobre a sua eficácia, o presidente do Departamento de Dermatologia da SBP, Jandrei Markus, diz que o vinagre ajuda muito na remoção dos ovos. “Usamos o vinagre, de preferência, misturado com condicionador nos casos com muitas lêndeas. Apesar de não ter pesquisas sobre isso, é visível que facilita a retirada dos ovos. Evite levar aos olhos e fique atento se houver alguma irritação na pele, mas, no geral, não há perigo”.