INVESTIGAÇÃO

PF identifica quadrilha especializada em fraudar o INSS em Salvador

Bandidos fingiam ter problemas mentais para receber benefícios; prejuízo supera R$ 6 milhões

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Publicado em 8 de maio de 2024 às 09:26

Primeiros casos surgiram há dois anos Crédito: Reprodução INSS

Uma operação foi deflagrada pela Polícia Federal, nesta quarta-feira (8), para desarticular uma quadrilha especializada em fraudar a Previdência Social em Salvador e em Vera Cruz, na ilha de Itaparica. Os bandidos usavam atestados médicos com conteúdo falso para conseguir benefícios por incapacidade. Foram identificados motoristas por aplicativo, gerentes de obras e outras pessoas envolvidas. São cerca de 100 casos e, hoje, estão sendo cumpridos cinco mandados de busca e apreensão.

A PF informou que a investigação começou há dois anos, quando foram identificadas as primeiras fraudes, e explicou que os atestados e relatórios médicos diziam respeito a doenças vinculadas a transtornos mentais, sem que houvesse a devida justificativa clínica para sua elaboração. A operação foi batizada de Psicose.

Em nota, a Polícia Federal disse que identificou diversas pessoas que recebiam o benefício, mas que estavam, na realidade, saudáveis e exercendo atividades profissionais normalmente, trabalhando como motoristas de aplicativo, gerente de obras, entre outras profissões.

"Foi identificada a atuação de intermediários, que faziam a ligação entre os pretensos beneficiários e os médicos, que forneciam os atestados, relatórios e receitas, de forma indevida. Os intermediários também promoviam o acompanhamento dos beneficiários até agências do INSS no interior do estado, fazendo-se presentes durante a perícia para auxiliá-los no momento da avaliação", diz a nota.

O prejuízo está em R$ 6 milhões. De acordo com os cálculos do Ministério da Previdência, caso os benefícios fraudulentos continuassem a ser pagos, o prejuízo causado poderia chegar a R$ 68 milhões (considerando os valores retroativos pagos e os que seriam disponibilizados mensalmente, de forma vitalícia, a cada beneficiário ao longo da vida).

A operação está sendo realizada pela Polícia Federal, em conjunto com a Coordenação-Geral de Inteligência da Previdência Social do Ministério da Previdência Social. Cerca de 30 policiais federais deram cumprimento a 5 mandados de busca e apreensão, nos municípios de Salvador e Vera Cruz.

Os envolvidos responderão pela prática dos crimes de Associação Criminosa e Estelionato Previdenciário, com penas que, se somadas, podem chegar a mais de nove anos de prisão.