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Maysa Polcri
Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 18:01
O tenente da Polícia Militar Wilson Pedro dos Santos Júnior, que matou a tiros o cachorro de uma vizinha em 2015, segue trabalhando normalmente na corporação. A Justiça decidiu que ele passará por júri popular por tentativa de homicídio contra a dona do animal 11 anos após o crime. O caso ocorreu dentro de um condomínio residencial de Teixeira de Freitas, no extremo sul da Bahia.>
Wilson Pedro permanece, segundo informações divulgadas pela Polícia Militar, "no exercício de suas funções laborais, em atividade de natureza administrativa". Isso acontece porque não há, por enquanto, decisão definitiva sobre o caso, segundo a PM. >
PM vai a júri popular 11 anos após atirar contra vizinha e cachorros na Bahia
Na última sexta-feira (23), a Justiça da Bahia determinou que o policial militar seja julgado por tentativa de homicídio por atirar contra a advogada Bruna Holtz Carvalho. Em junho de 2015, ele atacou a vítima que passeava com os dois cachorros no condomínio onde morava, matando um dos animais. O crime foi registrado por uma câmera de segurança. >
"Sobre a recente decisão judicial, a Polícia Militar da Bahia informa que atua estritamente dentro dos limites da legalidade, cumprindo integralmente as determinações emanadas do Poder Judiciário, não lhe cabendo emitir opinião ou juízo de valor acerca do mérito das decisões", diz a corporação, em nota. >
A reportagem não conseguiu contatar a defesa de Wilson Pedro dos Santos Júnior. O espaço segue aberto para manifestação. >
Uma câmera de segurança do condomínio registrou o momento do ataque a tiros. Bruna passeava com dois cachorros, mas só conseguiu salvar um dos animais. O PM disparou diversas vezes contra Apollo, um buldogue francês de 4 anos, que morreu. Wilson Pedro não será julgado por maus-tratos a animal, uma vez que o crime prescreveu. >
Um dia antes do ataque, Wilson Pedro ameaçou a vizinha por acreditar que o cachorro dela havia urinado no jardim da casa dele. O tenente da PM admitiu em depoimento ter realizado os disparos, mas afirmou que sua intenção era atingir apenas os animais. >
No entanto, o juiz destacou que os tiros foram efetuados a curta distância, em local residencial, circunstância que, segundo a decisão, permite que o caso seja interpretado como tentativa de homicídio.>
Após o episódio, Bruna Holtz e o marido deixaram a Bahia. Ela passou a atuar na causa dos direitos dos animais e, atualmente, está no final da graduação em Medicina Veterinária. “Não foi um medo subjetivo. Foi um medo real. Houve ameaças a pessoas que denunciaram o que aconteceu. Eu não me sentia segura”, contou. Bruna e o agressor nunca mais se viram.>