Por que só condutores C, D e E são obrigados a fazer exames toxicológicos? Especialistas explicam

Motoristas precisam realizar o exame até o dia 28 deste mês

Publicado em 4 de dezembro de 2023 às 12:00

Prazo final é nodia 28 de dezembro
Prazo final é nodia 28 de dezembro Crédito: Arisson Marinho/CORREIO

O exame toxicológico para motoristas com carteiras C, D e E identifica o consumo de substâncias psicoativas que foram consumidas pelo menos três meses antes da coleta. Os condutores dessas categorias têm até o dia 28 de dezembro para realizarem o exame ou estão sujeitos a multa e suspensão do direito de dirigir. A medida é tomada para evitar acidentes, mas você sabe por que o teste só é obrigatório para eles?

As categorias C, D e E permitem que os motoristas conduzam veículos pesados e que transportem passageiros, como ônibus, caminhões e afins. Segundo o médico Antônio Meira, presidente da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), é comum que condutores façam o uso de substâncias para cumprirem as longas e exaustivas viagens nas estradas que cortam o território brasileiro.

A mistura entre substâncias psicoativas e trânsito é perigosa, ainda mais quando inclui veículos grandes e pesados. “Os veículos pesados representam cerca de 4% da frota e estão envolvidos em 38% dos sinistros nas rodovias brasileiras. Além de estarem envolvidos em cerca de 53% dos sinistros com mortes”, afirma o presidente da Abramet.

Entre as substâncias identificadas no exame está o rebite, derivado da anfetamina, que, apesar de ser comercializado legalmente para auxiliar a perda de peso, representa risco nas estradas. “Ela tem uma atuação forte no sistema nervoso central e altera os neurotransmissores. O rebite é utilizado de uma forma distorcida por seus efeitos como perda do sono, ativação da atenção”, explica Rodrigo Ramalho, educador de trânsito e especialista em comportamento humano no trânsito.

Ao estimular as funções cognitivas e psicomotoras, as anfetaminas podem aumentar perigosamente a autoconfiança de motoristas e aumentar a probabilidade de envolvimento em situações de risco no trânsito. Já a cocaína, por outro lado, está associada à condução em excesso de velocidade, perda do controle do veículo e execução de manobras de alto risco.

“Condutores acabam utilizando drogas para se manterem ativos e, assim, conseguir um ganho financeiro maior, mas acabam entrando no mundo das drogas e aumentam a insegurança e tragédias”, completa o médico Antônio Meira. Além das anfetaminas, o exame identifica substâncias como maconha e derivados, cocaína, metanfetaminas e inibidores de apetite.

Entenda os efeitos das substâncias identificadas no exame toxicológico

Cannabis: Altera a performance cognitiva e psicomotora. O motorista tem prejuízo da coordenação, da atenção dividida, das funções visuais, do tempo de reação e, consequentemente, da capacidade para dirigir com segurança.

Anfetaminas: Estimulam as funções cognitivas e psicomotoras e podem aumentar perigosamente a autoconfiança do motorista, resultando na maior probabilidade de envolvimento em situações de risco no trânsito.

Cocaína: Prejuízo no desempenho pode ocorrer em razão da perda de concentração e atenção e maior sensibilidade à luz, em função da dilatação pupilar provocada pela substância. Alterações mentais devido aos efeitos psicoativos, tais como nervosismo, irritabilidade, agressividade, paranoia e alucinações, podem influenciar negativamente o comportamento na condução de veículos.

Opiáceos: Induzem a sedação, indiferença a estímulos externos e aumento do tempo de reação. A diminuição do desempenho na direção veicular é notada, mesmo durante a síndrome de abstinência, associada com perda da capacidade de manter a atenção concentrada, condução lenta, reações tardias, controle inadequado do veículo e adormecer dirigindo.

Alucinógenos (GHB, LSD): Comprometem o desempenho psicomotor, produzem ataxia, tremores, distúrbios do pensamento, psicose temporária, ilusões, distorções da imagem corporal, alteram a percepção de cores, a visão estereoscópica e reduzem a capacidade de percepção por até 4 horas, impactando a direção veicular segura.