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Millena Marques
Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 10:07
Formado em Administração de Empresas, Félix Mendonça Jr. (PDT-BA) é o principal alvo da nona fase da Operação Overclean, que investiga uma organização criminosa suspeita de desvio de emendas parlamentares, corrupção e lavagem de dinheiro. A Polícia Federal deflagrou a nova fase nesta terça-feira (13), com o apoio da Controladoria Geral da União (CGU) e da Receita Federal. Ele nega irregularidades (leia abaixo).>
Nascido em Itabuna, no sul da Bahia, o parlamentar é filho do ex-deputado federal Félix Mendonça, que morreu de Covid-19 em 2020, aos 92 anos, em Salvador. Félix Mendonça Jr. foi eleito pela primeira vez como deputado federal em 2010 e ocupa o cargo desde então. >
Ele foi líder da bancada do PDT na Câmara em 2014 e presidente da Comissão de Cultura em 2015. É autor do projeto que cria os selos verdes Cacau Cabruca e Cacau Amazônia para atestar a sustentabilidade e os interesses social e ambiental da cacauicultura brasileira (PL 3.665/12); do PL 3.013/11, que institui o Selo Pró-Ar e a certificação dos níveis de emissão de gases poluentes dos veículos automotores; e do PL 1.978/11, que tipifica o crime de denunciação caluniosa com finalidade eleitoral.>
A Polícia Federal deflagrou a nova fase nesta terça-feira (13), com o apoio da Controladoria Geral da União (CGU) e da Receita Federal. São cumpridos nove mandados de busca e apreensão nas cidades de Salvador, Mata do São João e Vera Cruz, todas na Bahia. >
De acordo com informações da TV Globo, os endereços onde foram cumpridos os mandados estão relacionados ao parlamentar baiano, que já foi alvo da Overclean em junho do ano passado, na quarta fase. Na ocasião, a PF cumpriu mandados contra Félix Mendonça Jr, o assessor dele e prefeitos de municípios baianos.>
Segundo a Polícia Federal, a organização criminosa utilizava um esquema estruturado para direcionar recursos públicos provenientes de emendas parlamentares e convênios para empresas e indivíduos ligados a administrações municipais. As investigações constataram a prática de superfaturamento em obras e desvios de recursos com o apoio de interlocutores que facilitavam a liberação de verbas destinadas a projetos previamente selecionados pela ORCRIM.>
O grupo atuava por meio de operadores centrais e regionais, que cooptavam servidores públicos para obter vantagens indevidas, tanto no direcionamento quanto na execução de contratos. Após garantir a celebração dos contratos fraudulentos, as empresas envolvidas superfaturavam valores e aplicavam sobrepreços. Os pagamentos de propinas eram realizados por meio de empresas de fachada ou métodos que dificultavam a identificação da origem dos valores.>
A lavagem de dinheiro era realizada de forma altamente sofisticada, incluindo o uso de: empresas de fachada controladas por “laranjas”, que movimentavam os recursos ilícitos; empresas com grande fluxo financeiro em espécie, utilizadas para dissimular a origem dos valores desviados.>
Relatórios elaborados pela Receita Federal, em cumprimento à ordem judicial, apontaram inconsistências fiscais, movimentações financeiras incompatíveis, omissão de receitas, utilização de interpostas pessoas e indícios de variação patrimonial a descoberto. O deputado nega irregularidades, diz que ajuda nas investigações e criticou a morosidade da PF. Leia na íntegra:>
O deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT) foi alvo, com surpresa, de nova ação da Polícia Federal (PF), realizada nesta na manhã desta terça-feira (13), com o objetivo de novamente verificar a existência de supostas irregularidades relacionadas à destinação de emendas parlamentares.>
Cabe lembrar que em junho de 2025 houve operação com essa mesma finalidade. Passados mais de seis meses, sem que tenha sido encontrado qualquer elemento contra o deputado, a nova diligência causa estranhamento, especialmente diante da inexistência de fatos novos que justifiquem a medida. >
Desde o início, Félix Mendonça Júnior tem colaborado integralmente com as investigações, inclusive por meio dos seus advogados, José Eduardo Rangel de Alckmin e Sebastian Borges de Albuquerque Mello, reafirmando sua confiança na Justiça. >
O parlamentar lamenta, entretanto, a morosidade de investigações dessa natureza, que comprometem reputações e causam prejuízos políticos, especialmente em ano eleitoral, motivo pelo qual defende que a apuração ocorra de forma célere e responsável.>
O deputado reitera que jamais negociou a execução de emendas parlamentares, nunca indicou empresas e não exerce qualquer função de ordenador de despesas. O papel do parlamentar sempre se limitou à apresentação de emendas, com o objetivo de assegurar recursos federais aos municípios que representa na Bahia. >
Em seu quarto mandato, Félix Mendonça Júnior sempre pautou sua atuação pela legalidade, transparência e respeito absoluto às instituições. O deputado segue à inteira disposição da Justiça, confiante de que, ao final das investigações, sua inocência será plenamente confirmada.>