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Moyses Suzart
Publicado em 15 de março de 2026 às 21:50
A capital baiana bem que poderia ser chamada no plural, Salvadores. No domingo em que um ator baiano poderia levar o primeiro Oscar de melhor ator, a cidade se dividia entre festa, expectativa e pouco caso para o filme Agente Secreto e para Wagner Moura. Mas onde tinha gente querendo ver o Oscar, parecia festa de largo e o povo bebia sem pensar que amanhã, no caso hoje, é uma segunda-feira. >
O Bar Espanha, nos Barris, era o centro cinematográfico da Bahia. Logo no final da tarde, às 16h, Samba da Democracia e Pedrão Abib fizeram a festa pré-Oscar. Teve telão e TVs espalhadas pelo local, além do som amplificado para quem não tinha uma visão privilegiada. Lotado, parecia até uma final de Copa do Mundo. >
“Sabe o que estou mais impressionado? Eu estava aqui na final em que o Brasil perdeu na última Copa do Mundo e está muito mais lotado do que estava naquela final (de 1998), gente, como pode este país do futebol ter se transformado no país das artes, do cinema, da música… Viva o Brasil!”, disse Carlos Prazeres, maestro da Orquestra Sinfônica da Bahia, enquanto todos bebiam à espera das indicações do filme e de melhor ator. >
No Sesi Rio Vermelho o encontro era mais formal e chique. Uma festa com limitação de público, por conta do espaço, teve entrada franca, mas lotou cedo e virou uma festa fechada. Tinha telão e muitos especialistas na sétima arte. O evento contou ainda com a apresentação dos atores Marcelo Flores e Alethea Novaes, da Cia Os Argonautas, que estava fazendo praticamente uma segunda narração do Oscar para o público. Tinha até o tradicional orelhão do filme Agente Secreto. >
“Minhas expectativas são as melhores, vim com meus amigos para a torcida. Depois que Ainda Estou Aqui abriu as portas, mostrou a importância de apoiarmos mais filmes e estamos aqui para torcer, pois vamos ganhar com certeza”, disse Lucas da Silva, um dos privilegiados que conseguiu entrar na Varanda do Sesi. >
Tô nem aí>
Na Saúde, os baianos estavam mais interessados no jogo do Bahia, que começou mais cedo. Os bares estavam lotados, mas pouca gente interessada no Oscar. “A gente não se preparou a tempo para o Oscar, pois o jogo do Esquadrão foi prioridade, mais importante que o Oscar. Mas Wagner Moura vai levar, vai dar Brasil”, disse Gerson, dono do Bar Esquina, na Saúde. >
Outra frustração foi no Bar de Neusão, ícone no filme ‘Ó paí, ó’, filme em que Wagner Moura participou. O povo bebia, mas nenhum sinal de exibição do Oscar, assim como todo Pelourinho e Santo Antônio Além do Carmo. >