VIOLÊNCIA NA RMS

Salvador, Feira de Santana e Camaçari lideram o ranking de letalidade policial no estado

Boletim revela que, das 438 mortes computadas na capital baiana, 89,95% (394 pessoas) eram negras

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  • Larissa Almeida

Publicado em 16 de novembro de 2023 às 10:00

Um foi morto em operação integrada entre PM -Ba, PC-Ba e PF em Valéria
Operação integrada entre PM -BA, PC-BA e PF em Valéria Crédito: Marina Silva/ CORREIO

A Bahia registrou 1.465 mortes decorrentes de ações policiais em 2022, de acordo com dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Desse total, Salvador lidera o ranking de letalidade policial no estado com 438 mortes. Em segundo lugar, está Feira de Santana, que contabilizou 86 mortes, seguida de Camaçari, que ocupa a terceira posição com o total de 46 mortes no mesmo período.

Das 438 mortes computadas na capital baiana, 89,95% (394 pessoas) eram negras, conforme revelado pela Rede de Observatórios da Segurança a partir de dados coletados com a Secretaria de Segurança Pública, por meio da Lei de Acesso à Informação. A morte de pessoas negras em Salvador segue a tendência do estado: das 1.425 pessoas mortas pelas ações policiais, 94,76% eram negras.

De acordo com Larissa Neves, pesquisadora da Rede de Observatórios da Segurança, os casos registrados tanto na capital quanto nos municípios da Região Metropolitana são reflexos das operações antidrogas. “As leis que regulamentam as drogas têm um viés racista e esse álibi da segurança pública se materializa nos territórios e comunidades de periferia [da capital], assim como em interiores do estado”, afirma.

Ela ainda acrescenta que, no caso de Feira de Santana e Camaçari, há uma escalada da violência de modo geral. “Tanto Feira de Santana como Camaçari são duas cidades grandes, que aparecem no ranking de municípios com mortes decorrentes tanto de intervenção do estado, assim como mortes provocadas por armas de fogo. Nesses dois municípios, nos deparamos cotidianamente com notícias de mortes e isso prova a existência, cada vez mais, da interiorização da violência. Antes, pensávamos que a capital do estado apenas teria a produção desses tipos de dados”, finaliza.

*Com orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro