Soteropolitanos devem, em média, R$5.161, enquanto a média da Bahia é de R$4.173

Alto custo de vida na capital baiana está entre os fatores que explicam o maior endividamento

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  • Larissa Almeida

Publicado em 21 de março de 2024 às 06:15

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Dívida média de soteropolitanos é maior que a média da dívida de baianos Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O ticket médio das dívidas dos soteropolitanos é de R$5.161. O valor supera a média da Bahia, que atualmente é de R$4.173. Os dados são da Serasa, empresa brasileira que registra o comportamento financeiro dos consumidores. De acordo com a entidade, o estado tem 4.570.611 inadimplentes, de modo que a dívida média dos baianos estaria avaliada em aproximadamente R$19 bilhões.

Entre as razões para os soteropolitanos terem uma média maior de dívida em relação à média da Bahia, o educador financeiro Edisio Freire aponta a diferença total de renda entre os municípios do estado. “Salvador é a capital da Bahia, uma cidade com quase três milhões de habitantes, então quando falamos em renda, ela está entre as principais cidades do estado de maior renda. Isso faz com que se tenha mais dinheiro circulando, consequentemente tendo mais consumo e mais probabilidade de dívida”, afirma.

Para o consultor e educador financeiro Raphael Carneiro, também pesa o fato de que o custo de vida na capital é maior em relação aos outros municípios baianos. “A dívida média na capital possivelmente é maior pela questão de o custo de vida ser mais alto do que no interior, por exemplo. O custo de moradia, alimentação, transporte são maiores. Sendo o custo de vida mais alto, é mais difícil se manter na capital”, enfatiza.

Esse foi o caso do estudante universitário Alexandre Martins, de 22 anos, que precisou arcar com diferentes despesas quando foi aprovado no curso de Serviço Social na Universidade Federal da Bahia (Ufba), em 2022, e acabou endividado pelo alto custo de vida de Salvador. “Minha dívida chega a R$4 mil, porque me enrolei com pendências de mobilidade, permanência na universidade, alimentação e aluguel de casa. No momento, não tenho condições de pagar o que devo, pois sou bolsista universitário e pagar essas dívidas consumiria minha bolsa”, conta.

A maioria das pessoas endividadas no estado têm entre 41 e 60 anos (35%). Em seguida, aparecem pessoas com idade entre 26 e 40 anos (33%). Segundo Raphael Carneiro, essas faixas etárias são mais suscetíveis à inadimplência por razões distintas. “Na fase mais avançada da vida, dos 41 aos 60 anos, as pessoas carregam responsabilidades financeiras passadas e dívidas antigas, e muitas vezes [enfrentam] dificuldade de realocação no mercado em caso de demissão”, pontua.

“Já na segunda faixa, dos 26 aos 40 anos, é a faixa do começo de vida, então são pessoas saindo de casa, tentando morar de aluguel, se entendendo financeiramente ainda e mais suscetível a erros financeiros”, completa.

*Com orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro