Tiros contra a polícia e reféns: atuação do CV intensifica violência armada em Narandiba

Dois idosos foram feitos reféns na própria casa por bandidos em fuga na quarta-feira (13)

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  • Wendel de Novais

Publicado em 14 de março de 2024 às 11:29

CV intensifica violência armada em Narandiba Crédito: Ana Lucia Albuquerque/CORREIO

O caso de dois idosos sendo feitos reféns na própria casa na Avenida Edgard Santos, em Narandiba, é apenas mais um registro de violência armada dentro de um bairro assombrado por ações da facção do Comando Vermelho (CV). Na situação de cárcere da quarta-feira (13), que terminou com as duas vítimas liberadas e seis suspeitos presos, os bandidos invadiram a casa dos idosos após serem cercados pela polícia. A casa fica nas imediações da localidade Ubatã, que é descrita por policiais como a ‘central do CV’ em Narandiba.

Ubatã fica a cerca de 200 metros da sede da 23º Companhia Independente da Polícia Militar da Bahia (CIPM). Por conta da proximidade e da circulação dos traficantes, os confrontos são frequentes. “Ontem teve tiro, mas foi igual a todos dias. Repercutiu porque fez os moradores de reféns, mas é comum ver eles fugindo da avenida [Edgard Santos] para dentro das vielas depois que os policiais notam a movimentação. Aqui tem muita circulação de droga, o esquema deles aí roda o tempo todo”, conta um morador, sem se identificar por medo de represálias.

Beco de residência onde idosos foram feitos reféns Crédito: Ana Lucia Albuquerque/CORREIO

O morador complementa que o comportamento dos traficantes é sempre agressivo quando há contato com a polícia. "Ninguém quer saber de se render, só faz isso quando não tem jeito como foi nesse caso. Porém, a maioria prefere morrer trocando [atirando] com os policiais. Por isso, toda hora tem tiro aqui. A gente não aguenta, mas tem que continuar vivendo porque não está no nosso controle", desabafa. 

Com os seis presos na ocorrência, foram encontrados uma pistola calibre 380 com carregador, munições e porções de maconha, crack e cocaína, além de dinheiro em espécie e uma balança de precisão. Uma fonte da polícia conta que, entre os presos, não há liderança. Isso porque a ação que localizou os suspeitos foi uma resposta ao que tinha ocorrido no bairro ainda no início do dia, quando dezenas de traficantes circulavam nas ruas e entraram em confronto com a polícia.

“Ciente de onde eles estavam, a PM fez um cerco para prender os indivíduos que estavam distribuídos em bonde e enfrentaram a polícia. Os policiais entraram em um tiroteio contra 14 delinquentes. Boa parte deles estavam na ação pela tarde, mas sempre há uma divisão quando começam a fugir. Esses seis ficaram juntos e entraram na casa. Porém, depois do ataque pela manhã, nenhuma liderança ficaria na rua esperando o retorno da PM”, explica.

No local, ao longo desta quinta-feira (14), o movimento foi normal e não houve nenhum registro de tiroteio. Os moradores, porém, não titubeiam em dizer que a tranquilidade é passageira. “Agora que deu problema, eles estão quietos, mas não demoram a voltar. A droga tem que circular e eles vão continuar fazendo isso. Enquanto essas marcas [olha para inscrição do CV na lata de lixo] estiverem aqui, eles vão continuar”, afirma uma outra moradora, que não revela o nome.

O Batalhão de Operações Especiais (Bope) foi o responsável por mediar a libertação dos reféns e, após algumas horas, os idosos foram liberados pelo grupo. Os seis homens, ainda não identificados, foram presos e encaminhados para a Central de Flagrantes.