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Cientistas descobrem 'cápsula do tempo' selada há 40 mil anos que pode reescrever o destino da espécie humana

O espaço reúne diversos vestígios materiais utilizados pelos neandertais, que ajudam a compreender seus costumes e modo de vida

Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 13:30

O complexo de cavernas de Gorham, no Rochedo de Gibraltar
O complexo de cavernas de Gorham, no Rochedo de Gibraltar Crédito: Visit Gibraltar/Flickr ( CC BY 2.0

As cavernas de Gorham, situado no Rochedo de Gilbratar e reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO, preseravam um relato envolvente sobre existência, morte e resistência humana.

Pesquisadores da arqueologia realizavam escavações na área, às margens do Mar Mediterrâneo, quando encontraram um autêntico acervo natural que revela como viviam os neandertais.

O espaço reúne diversos vestígios materiais utilizados por esse grupo, que ajudam a compreender seus costumes e modo de vida. Para enriquecer ainda mais o cenário e torná-lo mais intrigante, também foi identificado um conjunto de cavernas que incluía até uma câmara secreta, mantida isolada por mais de 40 mil anos.

O complexo de cavernas de Gorham, no Rochedo de Gibraltar
O complexo de cavernas de Gorham, no Rochedo de Gibraltar Crédito: “Gibraltar” por Chris&Steve, CC BY-SA 2.0

Localizado no litoral de Gilbratar, o complexo de cavernas de Gorham está sob domínio britânico, no extremo sul da Espanha. De acordo com o IFL Science, o local forma um intrincado sistema de penhascos de calcário e abriga quatro cavernas distintas: Gorham, Vanguard, Hiena e Bennet.

A caverna de Gorham era mais difícil de alcançar, porém o aumento gradual do nível do mar acabou criando, ao longo do tempo, uma entrada para o complexo, que hoje pode ser acessado pelo Mar Mediterrâneo.

Embora tenham sido identificadas em 1907, somente na década de 1980 tiveram início as escavações arqueológicas no local. Foi nesse período que se passou a compreender a enorme relevância histórica da área para a trajetória humana.

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Até o momento, não foram encontrados esqueletos de neandertais nem de Homo sapiens nas cavernas. Ainda assim, os indícios apontam para a presença humana há cerca de 100 mil anos, o que antecede a chegada dos humanos modernos à Europa Ocidental, indicando que esses vestígios pertencem aos neandertais.

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As provas estão nos resíduos de alimentos marinhos localizados no sítio. Conchas de mexilhões, ossadas de peixes, focas e golfinhos foram achadas no local, demonstrando que houve intervenção humana na caça desses animais e no descarte de seus restos ali.

Além disso, os pisos das cavernas apresentam gravações em forma de linhas entrecruzadas que, segundo os cientistas, foram produzidas por neandertais há cerca de 39 mil anos. Poderiam essas marcas ser consideradas as primeiras expressões artísticas?

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Outro aspecto surpreendente dessa história é que os estudiosos também identificaram, na Caverna Vanguard, uma fogueira com aproximadamente 60 mil anos, onde era aquecido o alcatrão de bétula — uma substância pegajosa semelhante a uma cola — utilizada para prender cabos em armas e instrumentos, evidenciando o alto nível de inventividade desses antigos habitantes.

O ponto mais impressionante dessa narrativa surge com a descoberta, realizada em 2021, de uma câmara com 13 metros de profundidade na Caverna Vanguard, que teria permanecido lacrada por sedimentos durante cerca de 40 mil anos.

No interior, foram encontrados restos de animais como lince, hiena e abutre, além de um grande caracol marinho comestível que também teria sido levado para lá.

Os estudos e achados indicam que os neandertais ocuparam a Caverna de Gorham entre 33 mil e 24 mil anos atrás. Esse período é considerado bastante recente na linha do tempo da humanidade, o que sugere que, se as hipóteses estiverem corretas, esses podem ter sido os últimos neandertais a existir no planeta.