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Estadão
Publicado em 13 de outubro de 2023 às 08:05
As Forças Armadas de Israel ordenaram que todos os palestinos vivendo na porção norte da Faixa de Gaza devem se retirar da região e ir para sul do território em 24 horas, sugerindo uma provável invasão da região. Ao menos 1,1 milhão de pessoas moram na área indicada. >
A ordem foi enviado pelo Exército de Israel para aos líderes do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU e do Departamento de Segurança e Proteção em Gaza pouco antes da meia-noite da quinta-feira, 12, pelo horário local. A ONU foi informada de que o marco que dividia o norte do sul era Wadi Gaza.>
A área compreende a Cidade de Gaza, que o exercito israelense chamou de "uma área onde ocorrem operações militares" e onde anunciou que "continuará a operar de forma significativa".>
"As Nações Unidas consideram impossível que tal movimento ocorra sem consequências humanitárias devastadoras", disse em comunicado o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, na madrugada desta sexta-feira, 13, pelo horário de Brasília. "A ONU apela veementemente para que qualquer ordem desse tipo, se confirmada, seja revogada, evitando o que poderia transformar a atual tragédia em uma situação calamitosa.">
E continuou: "A mesma ordem foi aplicada a todos os funcionários da ONU e àqueles abrigados em instalações da ONU - incluindo escolas, centros de saúde e clínicas.">
"As Forças de Defesa de Israel pedem a retirada de todos os civis da Cidade de Gaza de suas casas para o sul, para sua própria segurança e proteção, e que se desloquem para a área ao sul de Wadi Gaza, conforme mostrado no mapa. A organização terrorista Hamas travou uma guerra contra o Estado de Israel, e a Cidade de Gaza é uma área onde ocorrem operações militares. Essa evacuação é para sua própria segurança", descrevia o comunicado.>
Hamas diz a palestinos para não atenderem às exigências>
Em uma declaração no Telegram, o grupo terrorista Hamas, que controla o enclave palestino da Faixa de Gaza, disse aos palestinos para não atenderem às exigências israelenses de fugirem do norte da Faixa de Gaza para o sul.>
"Israel está se concentrando na guerra psicológica para atacar nossa frente doméstica e expulsar cidadãos", disse o Ministério do Interior de Gaza.>
Em resposta, o principal porta-voz militar de Israel, o Contra-Almirante Daniel Hagari, disse que a responsabilidade pelo que acontecer aos residentes de Gaza que não deixarem a metade norte do enclave recairá "sobre a cabeça daqueles que lhes disseram para não se retirarem", ou seja, o Hamas.>
Militares israelenses passam a dizer que não há prazo rígido>
Já na manhã desta sexta-feira, os militares israelenses sugeriram que não há um prazo rígido para sua ordem de evacuação "Entendemos que isso levará tempo", disse aos repórteres o contra-almirante Daniel Hagari, porta-voz militar chefe. "Estamos analisando os números.">
Ele afirmou que Israel estava "controlando seus ataques" a fim de proporcionar uma passagem segura para o sul, dentro do possível, mas disse: "É uma zona de guerra.">
Transferência de agência da ONU para refugiados>
A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA), a agência da ONU para refugiados palestinos, disse em um comunicado no site de mídia social X que havia transferido seu centro de operações e sua equipe internacional para a parte sul de Gaza.>
A agência, que tinha 220 mil pessoas abrigadas em 92 de suas escolas, pediu a Israel que protegesse os civis nas escolas e abrigos, que, segundo ela, "devem ser protegidos em todos os momentos e nunca devem ser atacados segundo o direito humanitário internacional".>
Reunião do Conselho de Segurança>
O Conselho de Segurança da ONU está programado para realizar uma reunião de emergência na tarde de sexta-feira, em um formato de consulta fechada. O Conselho ainda não emitiu uma declaração oficial sobre o conflito entre Israel e o Hamas porque uma declaração requer a aprovação de todos os 15 membros, e houve divisões sobre a linguagem que condenaria o ataque do Hamas, mas não abordaria as queixas palestinas e o cerco de Gaza.>
Invasão terrestre em Gaza prestes a ocorrer>
Dias após o ataque terrorista sem precedentes do Hamas no sábado, 7, Israel está se preparando para uma grande operação militar de invasão por terra na Faixa de Gaza.>
Com pelo menos 2,7 mil feridos na mais letal incursão ao território israelense da História, o premiê israelense Binyamin Netanyahu, está sob enorme pressão para mandar tropas ao enclave>
Ele já respondeu com bombardeios aéreos que mataram pelo menos 1,1 mil palestinos em Gaza.>
Há pouca discussão no novo governo de coalizão, que deve aprovar os planos militares, sobre a necessidade de desmantelar o Hamas - para garantir que nunca mais o grupo terrorista possa ameaçar Israel e que os responsáveis pela morte de mais de 1,3 mil civis israelitas sejam caçados, dizem as autoridades.>
Não há dúvida de que uma grande operação está por vir. Perto da fronteira, já existem tropas e tanques israelenses em grande quantidade, e o país convocou 360 mil reservistas.>
Em discurso televisionado na última quarta-feira, 11, Netanyahu, prometeu "esmagar e destruir" o Hamas. "Todo membro do Hamas é um homem morto", acrescentou.>
A ONU revelou que 338.934 pessoas foram deslocadas na Faixa de Gaza em meio aos bombardeios israelenses.>
Dezenas de pessoas também estão desaparecidas ou mantidas como reféns pelo Hamas. COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS>