A bordo de navio, cientistas avaliam erros e acertos sobre manchas de óleo

bahia
12.12.2019, 21:55:00
Atualizado: 13.12.2019, 10:08:27
O navio Vital de Oliveira foi sede do encontro (Foto: Divulgação/Marinha do Brasil)

A bordo de navio, cientistas avaliam erros e acertos sobre manchas de óleo

Aumento de fluxo de navios no Atlântico Sul prevê uso de protocolos de combate a possíveis novos derramamentos

A bordo do navio hidroceanográfico 'Vital de Oliveira', atracado em Salvador, pesquisadores de todo o país que participam do combate ao derramamento de petróleo reuniram-se, nesta quinta-feira (12), para discutir os erros e acertos relacionados ao episódio. Um objetivo também é criar propostas de enfrentamento rápido em caso de ocorrência futura de situações semelhantes. 

Considerando as dinâmicas mais recentes no comércio mundial — em que o fluxo de navios volta-se da Europa para a Ásia — as possibilidades de novos acidentes com óleo no Oceano Atlântico Sul não são descartadas. A previsão é de um aumento de 30% em 2020 no tráfego através desta rota, que é mais conveniente para o escoamento de mercadorias, conforme explica Janice Trotte Duha, representante da Diretoria de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha e organizadora do evento. 

Durante o encontro de “Reunião de Crítica Amazônia Azul – Síntese do Conhecimento Adquirido e Proposições decorrentes do Derramamento de Óleo no Mar”, os cerca de 60 participantes apresentaram os trabalhos realizados na contenção do problema, considerado sem precedentes na história de poluição na costa brasileira. 

Grupos apresentaram seus resultados no combate às manchas de petróleo (Foto: Divulgação/Marinha do Brasil)

“Sabemos que teremos décadas pela frente em que ainda poderemos ver reincidência desse problema nas praias. O que a gente precisa é dispor de mecanismo de coordenação e articulação fortes e perenes para ter capacidade de reação”, argumentou Duha. Para isso, os grupos envolvidos pensam em seguir a ideia de desenvolver e adotar protocolos para ações futuras. Ela avalia que, por falta de um mecanismo institucional, não foi possível dar uma resposta rápida ao problema no momento de maior criticidade. 

“Agora estamos mobilizados, mas não há mais óleo aparecendo. As instituições estavam trabalhando de maneira isolada e precisamos agregar e aprimorar os modelos de dispersão do óleo no país. A gente tem que evitar a desmobilização das nossas inteligências científicas e as instâncias federais tomarão medidas para que isto não aconteça”, acrescenta ela. 

Um ponto de destaque da reunião foi a necessidade do planejamento de proteção às unidades de conservação como Abrolhos, que não têm protocolos estabelecidos para emergências ambientais. Felizmente, esta área, que é considerada a de maior biodiversidade no Atlântico Sul, não chegou a ser atingida pelas manchas de petróleo.

Após expedição de 20 dias a bordo do navio hidroceanográfico, a Marinha não encontrou nenhuma nova mancha entre Bahia e Pernambuco. Nesse período, o Vital de Oliveira fez monitoramento da superfície e do fundo do mar. Normalmente, a embarcação costuma fazer 30 lançamentos do sensor durante um ano inteiro. Só no intervalo da expedição ele foi lançado o dobro de vezes. 

“Se a gente não conseguir associar à pesquisa à infraestrutura, como ter navios e satélites à disposição, a gente vai ter uma limitação grande no futuro para lidar com problemas como esse que nos acometeu agora”, defendeu Duha.

Para ela, a equipe de destaque foi a do grupo de proteção aos manguezais, liderados pela pesquisadora Yara Novelli, da Universidade de São Paulo (USP), que possui plano consolidado de contenção e monitoramento de impacto de óleo. Duha elogiou a iniciativa do grupo, que valoriza a criatividade ‘tabajara’ de cada local na solução de problemas, com medidas simples como jogar um pouco de espuma na água para saber a direção e a velocidade da água para verificar como se movimenta a mancha de óleo

Ao fim da reunião, os grupos de trabalho fizeram relatórios com encaminhamentos que serão consolidados até segunda-feira (16). Um nova reunião deve acontecer daqui a quatro meses. 

Para a pesquisadora Olívia Oliveira, diretora do Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia (Igeo/Ufba), esteve no evento representando o reitor João Carlos Salles e comentou que a reunião foi de grande relevância para a academia, “uma vez que renomados cientistas têm se debruçado em estabelecer mecanismos em todas as searas do derramamento de petróleo que afeta a costa brasileira. A reunião serviu para reafirmar a competência técnica de cada grupo”, declarou.

O secretário de Sustentabilidade e Inovação de Salvador (Secis), André Fraga, compareceu ao encontro e disse que foi uma surpresa perceber como a Marinha está integrada com a academia.

“A gente esteve com o almirante, uma pessoa que tem uma posição de destaque e que está se dedicando ao tema. Isso demonstra que a instituição está mobilizada, colocando recursos e tropa”, disse.

Estiveram presentes representantes da Diretoria de Portos e Costas da Marinha; Diretoria de Desenvolvimento Tecnológico da Marinha; Centro de Hidrografia da Marinha; ICMBio; secretaria de Políticas e Formação do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTIC); das secretarias de Ciência e Tecnologia de Pernambuco e Bahia; da Secretaria de Meio Ambiente da Bahia (Sema); da Universidade Federal da Bahia (Ufba); da Academia de Ciências da Bahia e da Secretaria de Sustentabilidade, Inovação e Resiliência de Salvador (Secis).

O professor Jailson de Andrade, da Ufba, é líder de um dos grupos de trabalho sobre Fatores Bióticos e Abióticos do derramamento de óleo (Foto: Divulgação/Marinha do Brasil)



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